Doria, Caiado e outros governadores, na surdina, reúnem-se com embaixador e estreitam laços com a ditadura do Partido Comunista Chinês 

Ontem (24) um grupo de governadores participou de uma reunião discreta com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, que ficou conhecido pelo grande público depois de passar mensagens desrespeitosas à família presidencial, em discussão com o deputado Eduardo Bolsonaro. 

Participaram da conferência, cujo objetivo era discutir estratégias no combate ao coronavírus, os governadores: João Dória (PSDB-SP), Helder Barbalho (MDB-PA), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Eduardo Leite (PSDB-RS) e Romeu Zema (Novo-MG).

Segundo nota oficial emitida no Webchat da Embaixada Chinesa do Brasil, durante a reunião, os governadores elogiaram a China pelo êxito na contenção interna do Covid-19 e pela contribuição do país de Xi Jinping, líder do Partido Comunista Chinês, à segurança do mundo.

“Os governadores disseram apreciar muito a resposta da China à epidemia e os notáveis ​​resultados alcançados. Também avaliaram positivamente a contribuição da China para a manutenção da segurança pública mundial. Ademais, agradeceram à China o compartilhamento das informações de prevenção e controle com a comunidade internacional, incluindo o Brasil, e expressaram sua esperança de aprender com a experiência da China, para fortalecer ainda mais a cooperação antiepidêmica com a China”, diz o comunicado.

Dentre outras coisas, conversou-se sobre a possibilidade de que os chineses disponibilizem, além de equipamentos médicos, conhecimento técnico para o enfrentamento da nova peste.

Referindo-se ao governador de São Paulo, João Dória, a nota destacou que a capital paulista, centro econômico do país, é também a maior aliada da China, e que, por isso, é importante, neste momento de crise, que se estreitem ainda mais os laços comerciais e culturais entre chineses e a administração paulistana.

“A China está disposta a trabalhar com os governos locais do Brasil, incluindo o estado de São Paulo, para manter um desenvolvimento estável do comércio bilateral entre os dois países, especialmente nos tempos difíceis atuais, para implementar constantemente projetos pragmáticos de cooperação e resistir conjuntamente ao impacto da epidemia’.

É importante salientar que esta reunião, que não foi repercutida na mídia brasileira, não constava na agenda oficial de João Dória.


Dória e a anarquia dos governadores

O governador paulistano, nome muito cotado para as eleições presidenciais de 2022, tem liderado um movimento que reúne outros governadores, prefeitos, parlamentares, membros do judiciário e veículos de imprensa com o objetivo de isolar o presidente Jair Bolsonaro. 

Na contramão das diretrizes de Brasília, o que esse grupo pretende, pelo menos suas ações o indicam, é tomar medidas independentes e descoordenadas no enfrentamento da epidemia — via de regra apostando em soluções extremas como a quarentena generalizada —, buscando auferir para si, caso a situação se normalize, os louros políticos, a coroa de herói local.  

Na esteira de Dória, que hoje mesmo meteu-se num entrevero com Bolsonaro, que o chamou de aproveitador e politiqueiro durante uma videoconferência, Ronaldo Caiado, até então aliado do presidente, rompeu publicamente com o mandatário o chamando, dentre outras coisas, de “ignorante”. 

Dória convocou, para hoje à noite, uma reunião com os 27 governadores do país. Desta conversa deve se definir quem está com o Brasil e com seu presidente democraticamente eleito e quem está sob as botinas de Pequim, a serviço do Partido Comunista.


Contra a bandalheira: sigam o líder

Em sentido contrário a esse movimento anárquico — que, diga-se, tem gerado um verdadeiro pandemônio em vários municípios do país, com casos de abusos policial, desabastecimento do comércio, hostilidade pública, dentre outros — alguns políticos têm preferido abrandar o tom e acatar as orientações do governo central. 

Vale citar o caso do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), que, tendo sido um dos primeiros a decretar medidas de isolamento social para conter a epidemia, em declaração nesta quarta-feira (25), questionado sobre o pronunciamento de Bolsonaro, disse que “não é hora de politizar” e que, na condução da crise, “Bolsonaro tem parte da razão”.

Outro que mudou o tom e parece ter aceitado a direção do Palácio da Alvorada é o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). Crivella, dos maiores entusiastas das medidas de isolamento em massa, criticadas por Bolsonaro, se disse  agradecido pela mensagem de esperança transmitida pelo presidente e que consultará o Ministério da Saúde a ver quais são as novas diretrizes indicadas pelas pasta de Henrique Mandetta. 

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