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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

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Por Josiel Ferreira

Para Renato Botelho Machado, o vencedor das eleições ao GDF em 2018 deverá ser Reguffe, Joe Vale ou outro nome com o mesmo perfil que apareça daqui para a frente.
‘Pelas pesquisas, se as eleições fossem hoje, o único pré-candidato a deputado federal da safra da renovação é o defensor Kleber Melo’, diz analista político.
Como o senhor analisa o atual quadro político no País?
O presidencialismo de coalizão se esfacelou. A fragmentação do parlamento brasileiro é absurda. Isso ficou comprovado já em 2015, quando a então presidente Dilma, com a maioria absoluta de mais de 400 parlamentares na base do governo, não conseguia aprovar projetos de interesse do governo. Com o impeachment, as denúncias, a Lava Jato, tudo isso, a gente entrou num momento de depuração, no fim de um ciclo político, e não sabe o que virá depois. Ao mesmo tempo, há uma oportunidade histórica de o Brasil dar um salto institucional. É um caminho cheio de riscos, mas, nesse ponto, sou otimista. Embora o caminho vá ser longo, acredito que haverá uma mudança para melhor.
Qual é a sua avaliação sobre o governo do Distrito Federal, especialmente do governador Rodrigo Rollemberg?
É difícil não concordar que, do ponto de vista de gestão, o governador não possui a menor vocação para a função. Ele não se decidiu se iria fazer um governo de coalizão ou um governo de renovação. Quando se juntou aos parlamentares envolvidos em esquemas de corrupção, o governador perdeu a pouca legitimidade que detinha e perdeu seu principal eleitorado. Estatisticamente, o atual governo não consegue a reeleição, porque a rejeição ultrapassa a marca de 73%.
Como o senhor vê a atuação dos deputados distritais?
Independentemente dos deputados distritais, a nossa federação é de fachada. As principais competências constitucionais estão atribuídas à União. Pouca coisa pode ser feita por deputados estaduais ou distritais. Mesmo com essa dificuldade, a Câmara Legislativa do Distrito Federal consegue ter índices de rejeição ainda maiores que a dos demais estados da Federação. Isso porque temos 5 deputados distritais diretamente mencionados na operação Drácon e outros 17 deputados que sequer são mencionados positivamente nas pesquisas. Apenas dois deputados são lembrados favoravelmente, mas por menções distintas das funções parlamentares, ambos na área da educação.

As últimas pesquisas para 2018 têm mostrado um crescimento de Jofran Frejat quando Reguffe não é candidato. Você acredita na vitória de Frejat?
Sem Reguffe no jogo político do DF, há dois cenários para 2018: com vários postulantes e com apenas três candidatos. No cenário com vários candidatos, acredito que Rollemberg tem chances reais de ir ao segundo turno. No cenário com apenas três postulantes, acredito que o segundo turno será formado entre Jofran Frejat e Joe Vale. Na minha opinião, o vencedor das eleições ao GDF em 2018 deverá ser Reguffe, Joe Vale ou outro nome com o mesmo perfil que apareça daqui para a frente.

O que o leva a acreditar que um candidato de perfil do Reguffe vencerá as eleições?
Se você analisar as eleições para o governo do DF desde 2002, verá que houve um afunilamento constante da diferença entre os dois polos, o PT e o grupo formado por Arruda e Roriz. A população foi cansando do Fla-Flu que comandou o DF por 24 anos. Em 2014, Rollemberg venceu as eleições porque era o mais próximo do perfil de Reguffe. Nas eleições de 2018, a vontade de renovação é ainda maior. Frejat não representa esse grupo que se tornou maioria no DF. Então, está desenhado o quadro, mas é preciso alguma alternativa a Rollemberg.
O eleitor do DF é conservador, religioso, cristão e luta por ética e moral na política. Quer estabilidade na região, e não revolução. Isso significa retorno do emprego, paz nas cidades satélites, todas as coisas que a gente se desacostumou de ver no noticiário e que atrapalham a vida do cidadão. Quem vier com posicionamento de segurança e estabilidade para o DF vai levar a eleição.

O que o senhor espera das eleições para o Senado e para a Câmara Federal?
Primeiro, temos de determinar quem serão os reais candidatos ao Senado. Cristovam não se decide se vem à presidência, vice ou ao Senado. Se vier candidato, é o mais lembrado nas pesquisas.
Acredito em real renovação ao Senado. Nas pesquisas qualitativas, Chico Leite do Rede Sustentabilidade aparece com muita frequência. Os candidatos remanescentes de Roriz/Arruda não aparecem ainda, mas o nome de Fraga é bastante lembrado. O próprio Fraga ainda não se decidiu se vem ao governo, ao Senado ou à reeleição.
Para a Câmara Federal, vejo condições difíceis para a renovação. O controle dos principais partidos é dos caciques e estes que vão determinar para onde vai o dinheiro do fundo eleitoral.
Pelas pesquisas, se as eleições fossem hoje, o único pré-candidato a deputado federal da safra da renovação que aparece com real condição é o do defensor Kleber Melo, que substitui gradativamente os eleitores de Reguffe em todas as regionais. Talvez o número de candidatos da renovação aumente, conforme se aproxime a eleição, mas o discurso destes terá de se alinhar à ética na política.
O fundo partidário usa recursos públicos em cerca de R$ 820 milhões por ano. Qual é a sua visão sobre o fundo partidário? O Novo é contra o fundo partidário?
A minha posição pessoal é de que partido político, assim como sindicato, como qualquer instituição representativa, tem de viver de contribuição voluntária e privada. Desconectar o recurso público da estrutura partidária é um movimento pedagógico.  Tenho certeza de que isso também levaria a uma depuração do sistema. Se fosse assim hoje, se o PMDB e o PSDB já tivessem de viver dos recursos de filiados ou simpatizantes, tenho dúvida de que teriam recursos suficientes para pagar o aluguel dos diretórios. Talvez, só o PT conseguisse. O Novo possui um bom discurso, mas ainda está muito vinculado a empresários.
Como o senhor avalia a possibilidade de haver candidaturas avulsas?
Eu não sou contra, mas acho que candidatura avulsa tem de existir num ambiente em que os partidos políticos são fortes, assim como o parlamentarismo. Candidatura avulsa com as regras do jogo existentes hoje significa ter um parlamento como o que a gente tem. Com a fragmentação interna dos partidos existente hoje, é como se a gente já vivesse num ambiente de candidaturas avulsas.

Hoje, como o senhor disse acima, há uma grande demanda por renovação na política. Quais as chances reais de isso acontecer em 2018 com essas regras eleitorais?
A média de renovação do Congresso é de 50% nos últimos 25 anos. Então, a renovação já tem sido grande. A chance de renovar mais ainda no ano que vem é grande. Mesmo assim, a renovação não significa que as coisas vão melhorar, porque a decisão de participar da política não é racional.
Pessoas de bem que querem trabalhar na vida pública, exercer um mandato, pelo interesse público, dificilmente vão tomar a decisão de concorrer com as atuais regras do jogo. Haverá renovação, provavelmente maior do que tem sido, mas não sei se a qualidade vai melhorar, porque há um problema sério que eu já comentei aqui, da disponibilidade de recursos para o cacique e também tem o recurso para as Igrejas, que têm uma força incrível para ampliar sua influência e eleger mais gente. Em relação aos candidatos que não são nem de Igrejas nem criminosos, há ainda muitos vícios. Há pouco espaço para quem quer fazer política de verdade, no modelo tradicional, nos partidos maiores. O modelo atual não tem apelo para trazer gente nova para a política. As pesquisas indicam renovação, mas ainda é cedo para dizer que isso irá acontecer no DF.
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