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terça-feira, 14 de agosto de 2018

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A cerimônia ocorreu na tarde deste domingo na Catedral de Brasília. Os 30 casais da Estrutural realizaram o sonho de se casar com a ajuda de empresários da Capital

João Paulo Mariano
O amor de 30 casais foi selado com uma bênção religiosa, nesta tarde, na Catedral Metropolitana de Brasília. O casamento comunitário foi realizado por um grupo de empresários, encabeçado pela chef Renata Diniz, que cuidou de tudo: desde os preparativos da igreja, passando pelos cuidados com a beleza dos noivos e até o buffet da festa. Os casais, todos da Estrutural, foram escolhidos por, apesar da vontade, não consegui ter dinheiro para organizar a desejada festa.

E, como todo casamento, não faltou convidado chorando ao ver os noivos entrando, correria nos salões e muito, mas muito amor. Para Valdemar Pereira Ramos, 41, hoje foi um dia duplamente especial. Além do Dia dos Pais, ele levou as duas filhas gêmeas ao altar, sob o olhar do celebrante e dos anjos de mármore que ficam pendurados no teto da Catedral.

No rosto das meninas, eram lágrimas caindo e sorrisos se abrindo. A confusão de sentimentos ocorreu, segundo uma das filhas, a Daiane Ribeiro, 19, devido a felicidade que o momento proporcionou. “Foi um grande presente para a nós e para ele. Até porque ele é mais que um pai. É um herói”, afirma a jovem que estava namorando há três anos.

A Daniele Ribeiro, 19, já estava namorando há um tempinho a mais, cinco anos. Para ela, a alegria estava grande porque, apesar da pouca idade, a vontade de casar era grande. Assim, quando ficou sabendo da oportunidade, deu um jeito de entrar no grupo. Ela assegura que o pai não é de chorar, mas ele começou a se comover tanto que ela achou que ele ia “dar um treco”.

O seu Valdemar, pai das gêmeas, só sabia falar da emoção que estava sentindo e da boa sensação de ter conseguido viver aquele momento especial com as filhas únicas dele. “Foi o melhor presente”, festeja.
Francisco Nero/ JBr.

Das dificuldades para a o momento especial
Já para Neuraci Rodrigues, 39, e Ezilton Santana, 39, mais que alegria pela celebração, o casamento foi a concretização de muito tempo enfrentando dificuldades juntos. Os dois se conheceram no lixão da Estrutural, quando lá trabalhavam, há 20 anos. De lá para cá, já são três filhos, sem contar os dois que a Neuraci já tinha.

“A gente passou por muita dificuldade. Dormimos por nove anos em cima de um colchão achado no lixão e paletes que eram utilizados para vender frutas. Aqui, a gente celebra a felicidade, mas concretiza tudo aquilo que já vivemos. Foi Jesus dizendo para a gente que valeu a pena. Nós vencemos”, fala a doméstica antes de ser abraçada pelo grupo de filhos.

O esposo, Ezilton, bem mais vergonhoso que a mulher dele, disse que foi muito bom casar neste dia, especialmente, porque foi a primeira vez que ele passou por essa experiência. A partir de agora, a intenção dele é fazer de tudo para que haja mais 20 anos de muita felicidade.


Francisco Nero
Meses de preparação
A responsável pela organização foi a empresária e chef de cozinha, Renata Diniz. O desejo surgiu de uma conversa com os organizadores do projeto social Ajax da Estrutural, que une o ensino do futebol com atenção às famílias mais necessitadas. “Foi percebido que era o desejo de muitos pais de família de se casarem, porém nunca tinham tido a oportunidade. Muitos até já estão casados no papel mas queriam a bênção”, afirma Renata. Toda organização durou cerca de quatro meses.

Depois, a luta foi ir atrás de parceiros. No fim, deu tudo certo. Houve doações e apoio para todos as partes. Mesmo as mais pequenas. Ao todo, são 40 fornecedores, responsáveis pelas mais diversas partes, inclusive pela festa que rolou para os trinta casais e os 10 convidados de cada família.

“Essa foi apenas a primeira vez. Eu quero fazer mais vezes. Gostei muito da experiência. Para eles, essa benção era muito importante. Ajudar nisso foi muito bom”, afirma Renata. A empresária salienta que o próximo vai começar a ser organizado mais cedo para que dê ainda mais tempo de personalizar a festa. Para ela, é importante que, mesmo sendo comunitário, os participantes sintam que aquilo é feito com carinho para cada um.

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