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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

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Polícia do DF diz que irmão do governador tem ‘alta motricidade’ na administração pública
Relatório de 195 páginas destaca atuação do advogado Carlos Augusto Rollemberg, irmão do chefe do Executivo, Rodrigo Rollemberg
O advogado Carlos Augusto Sobral Rollemberg, irmão do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), é apontado pela Polícia Civil do DF como possuidor de ‘alta motricidade’ perante a administração pública e responsável por ‘atuação fundamental’ em uma organização criminosa investigada por tráfico de influência no governo para o favorecimento de empresas privadas. A informação foi revelada pelo ‘Metrópoles’ e confirmada pelo Estado.
“Por ser irmão do governador, Carlos Augusto possui alta motricidade perante a administração pública e figura como ponto focal de diversas ingerências, aparece também fazendo articulações de cunho político. Sua atuação é fundamental para que o grupo criminoso consiga alcançar alguns de seus objetivos”, diz o documento sigiloso de 195 páginas da Polícia Civil ao qual o Estado teve acesso.
‘Guto’, como Carlos Augusto é conhecido, é um dos dez investigados na Operação ’12:26′.

São investigados: Luiz Fernando de Souza Messina, Leonardo e Guilherme Rocha de Almeida Abreu, Marcelo Nobrega de Miranda Lopes, Flávio Dias Patrício, Hermano Carvalho, Augusto Diniz e Marcos Wortmann. Um outro alvo da missão, Carlos André Duda, faleceu. De acordo com os investigadores, ‘cada um em seu campo de atuação, em clara divisão de tarefas, praticaram diversos atos visando beneficiar particulares perante a administração pública’.

Com base em telefonemas interceptados pela polícia, o documento narra pedidos de políticos e empresários ao advogado. Segundo investigadores, ‘Guto’ usou sua influência para que Flávio Dias Patrício, que atua junto ao Grupo Iguatemi e Cláudio Dall’Aqua, gerente de novos negócios do grupo, participassem de uma reunião no Palácio do Buriti com o governador do DF em abril.

Em outro exemplo citado pelos investigadores, no final de abril, ‘Guto’ praticou ingerências junto à Companhia Energética de Brasília para que uma ligação de energia fosse realizada em um prédio. O advogado pediu diretamente ao presidente do conselho da CEB que fizesse a ligação. A atitude, segundo a Polícia, demonstra que o advogado ‘possui alta motricidade perante a administração pública distrital, apesar de não ocupar cargo público’.

“Fica clara a ingerência e liderança que Carlos Augusto exerce, mesmo sem ocupar cargo na administração pública. Vale ressaltar, que como é sabido, uma agência que reúne diversos serviços públicos tende a aumentar a concentração de usuários”, destacam os investigadores.

“Há fortes indícios que o referido investigado, apesar de ser advogado, está praticando condutas alheias ao exercício da profissão e ao arrepio da lei, sendo assim não é admissível que a inviolabilidade transforme o escritório no único reduto inexpugnável de criminalidade.”

A reportagem fez contato com a Companhia Energética de Brasília, com o escritório onde trabalha o advogado Carlos Augusto Rollemberg e com o Grupo Iguatemi. O espaço está aberto para manifestação.

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