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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

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Saúde e educação são prioridade para o eleitor brasiliense, mostra pesquisa
Pesquisa encomendada pelo Correio aponta que os problemas da rede pública são uma inquietação para 79,6% dos entrevistados. Em seguida, vêm a qualidade do ensino (62%) e a segurança pública (47,8%)

Emergência pediátrica lotada no Hospital Regional de Brazlândia e policiais militares diante de escola de Ceilândia: dificuldades na saúde, educação e segurança pública preocupam a população(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Nos próximos 50 dias, os candidatos ao Palácio do Buriti terão de dar respostas aos principais anseios da população da capital federal. Aos 58 anos, Brasília enfrenta problemas de cidades grandes e centenárias, com cidadãos em busca de atendimento médico, ensino de qualidade e emprego. Pesquisa encomendada pelo Correio Braziliense, e realizada pelo Instituto Opinião Política, mostra as áreas prioritárias na avaliação dos brasilienses. Cada entrevistado elencou três segmentos considerados preocupantes. O setor mais citado no levantamento foi a saúde: 79,6% dos consultados pelo instituto desejam melhorias no sistema de assistência médica.
O ensino é a segunda área no ranking das prioridades. Para 62% dos entrevistados, o próximo governador deveria dar atenção especial à educação de crianças e jovens. Em terceiro lugar, aparece a segurança pública, com 47,8% das menções. Ao todo, 18 segmentos foram citados no levantamento. O Correio ouviu especialistas de algumas áreas apontadas como primordiais para entender como implementar melhorias.
O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Erasto Fortes lembra que, pela Constituição Federal, o Distrito Federal acumula responsabilidades de estado e de município. “Com isso, o governo local tem a obrigação de gerir todo o ensino fundamental e o ensino médio. A partir de uma emenda constitucional de 2009, essa obrigatoriedade de oferta de ensino começou a valer a partir dos 4 anos. Isso significa que o Estado deve prover ensino da pré-escola ao fim do ensino médio”, lembra o especialista.
Para ele, o governo precisa priorizar a oferta de matrícula na cidade onde os alunos moram ou perto do trabalho de um dos responsáveis. “Outro fator importante de avanço seria a universalização de creches para crianças de até 3 anos. Essa é uma necessidade urgente, ainda que não haja uma obrigatoriedade constitucional. E não é apenas como forma de permitir que as mães trabalhem, mas, principalmente, porque a creche é um direito da criança dentro da doutrina de apoio total e integral”, explica Erasto. O especialista menciona, ainda, a necessidade de combater a evasão de alunos do ensino médio. “Muitas vezes, isso ocorre em função da necessidade dos jovens e das famílias para que eles entrem rapidamente no mercado de trabalho. A solução seria integrar o ensino médio à educação profissional em pelo menos uma escola por cidade”, acrescenta.
Infraestrutura

Em quarto lugar no ranking de assuntos prioritários para os brasilienses está a busca por trabalho. Os dados oficiais justificam a preocupação dos entrevistados com o tema. A última Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), revelou que a taxa de desemprego total da cidade está em 19,2%. O problema é mais grave entre as mulheres: o índice é de 20,9%.
A preocupação com o combate à corrupção foi um tema mencionado por 15% das entrevistas. O transporte público e a mobilidade aparecem na sequência, com 10,2%. O especialista Pastor Willy Gonzales Taco, do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes da UnB, defende intervenções que tragam melhorias para o dia a dia do usuário do transporte público. “Um dos pontos é a integração, que precisa ser reforçada. Há também a questão da lotação dos ônibus, que afeta principalmente moradores de regiões mais distantes do Plano Piloto. Isso só se resolve ampliando a frequência das linhas e o número de veículos”, comenta o especialista.
Pastor Willy alerta para a necessidade de melhoria dos pontos de ônibus. “A segurança dessas áreas é uma preocupação, especialmente nas paradas mais isoladas, que ficam vulneráveis e expostas a assaltos e roubos. É preciso recuperá-las e investir para que se tornem seguras”, acrescenta o educador da UnB. O especialista lembra que, em algumas vias, como a W3, a falta de sistema de drenagem adequado leva ao alagamento de paradas. “São questões que afetam a rotina de quem depende do transporte público”, lembra.


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