terça-feira, 8 de janeiro de 2019

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Ibaneis: “Vou andar pelos hospitais sem avisar e cobrar resultados”
Governador assinou nesta segunda-feira (7/1), no Instituto Hospital de Base, o decreto de estado de emergência na Saúde no Distrito Federal
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assinou nesta segunda-feira (7/1) o decreto que estabelece o estado de emergência na Saúde. Instrumento utilizado pelas últimas administrações, o normativo tem como objetivo facilitar a gestão da pasta. “Por que mais um decreto? Todos os governos fizeram isso, mas não conseguiram dar continuidade”, explicou o emedebista durante solenidade promovida nesta manhã, no Instituto Hospital de Base (IHB).
O estado de emergência na Saúde vai permitir ao Governo do DF contratar serviços e comprar insumos sem licitação, chamar concursados e ampliar a carga horária dos servidores. “Não se justifica a péssima qualidade da saúde sendo que há muitos recursos”, avaliou o governador. Ele prometeu fiscalizar pessoalmente os serviços. “Vou trabalhar como um pai que dá com a mão e cobra com firmeza os resultados. Vou andar pelos hospitais, sem avisar, para ver como está a situação.”
O período de validade do decreto será de seis meses. “É o prazo que a gente vai ter para reorganizar a Saúde do DF. Recursos não faltam, mas sim um choque de gestão”, declarou o governador. O emedebista prometeu reabrir postos de atendimento e melhorar os salários dos servidores a fim de melhorar a prestação de serviço. “Não dá pra deixar as pessoas esperando por cirurgias há anos. Não assumi para ser um governador omisso e não tenho medo de dados alarmantes. Tenho medo dos preguiçosos”, disse.
O programa SOS DF Saúde começa com a promoção de cirurgias eletivas e permite o chamado terceiro turno para os servidores da pasta. A estimativa do governo é gastar R$ 10 milhões com as horas extras “para reorganizar e dar fim a essas filas que temos na área de cirurgias e daqueles servidores que estão aposentados e querem voltar ao trabalho”.

Leia mais: https://www.metropoles.com/distrito-federal/politica-df/ibaneis-vou-andar-pelos-hospitais-sem-avisar-e-cobrar-resultados


“O pessoal da Saúde tem que trabalhar com humanidade e integração. Só vai mandar um paciente para outro hospital quando tiver a certeza de que ele será atendido. O que custa dar um telefonema para saber? A partir do momento que mandarem uma pessoa para outro local sabendo que ela não pode ser atendida, vou mandar abrir um processo administrativo.”

Segundo o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, dentro das necessidades principais no momento para a pasta estão a liberação de leitos de unidades de tratamento intensivo (UTI), para internações e de centro cirúrgico. “Faltam condições de trabalho”, afirmou. A pasta está autorizada a fazer parceria com a Secretaria de Obras para reformar as salas de cirurgias e a abrir os quase mil leitos fechados, de acordo com dados do GDF.

Expansão do modelo do IHB
Ibaneis aproveitou o evento para elogiar o IHB e prometeu expandir a experiência no local para as outras unidades. “Critiquei muito o modelo, mas era sobre a falta de transparência dele. Pedi ao [ex-governador Rodrigo] Rollemberg que me explicasse, mas o modelo é de excelência e tem de se estender a todos os hospitais”, afirmou.

De acordo com o gestor, a ideia é verticalizar rapidamente o formato de gestão do IHBDF. “Não podemos ter ilhas de excelência na Saúde. O instituto tem um modelo muito bom, principalmente no que diz respeito à gestão de pessoas e cirurgias. Ele vai ser estendido desde o atendimento mais básico até o último”, garantiu.

Relatório
A situação de calamidade em 12 hospitais e seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) consta em relatório entregue ao governador Ibaneis Rocha (MDB). O caos no setor fez o emedebista decidir decretar estado de emergência na área.

Recheado de fotos e descrições sobre as condições prediais, materiais, de manutenção, além do quadro deficitário de profissionais, o relatório que embasou a decisão de Ibaneis Rocha aponta problemas que reduzem a capacidade e a qualidade de atendimento. O diagnóstico foi produzido durante os primeiros dias de 2019 e concluído em 3 de janeiro.

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Um dos obstáculos mais comuns nas unidades é a falta de manutenção, responsável por deixar prédios em situação decadente e equipamentos importantes escanteados, como monitores cardíacos, ecógrafos e camas elétricas. No Hospital Regional do Paranoá (HRPa), as macas quebradas podem ocasionar a queda de pacientes.

Alguns locais se encontram em tal estado de ausência de cuidados que desafiam as regras vigentes, além de colocar em xeque a saúde dos enfermos. A central de material esterilizável no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) está em desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na UPA de Ceilândia, a sala de medicamentos foi interditada pela vigilância sanitária por falta de ventilação.

Também vítimas do descaso, os funcionários públicos sofrem. No posto de enfermagem do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), uma infiltração no teto oferece risco de choque aos servidores. Quem passa pelo Hospital Regional da Asa Norte (Hran) convive com esgoto vazando por vários setores, o que ameaça, inclusive, arquivos.
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