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Sempre é tempo de flores

Canteiro da Novacap onde nascem as flores que são plantadas em todo DF. Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília Sempre é tempo de flores Os...



Canteiro da Novacap onde nascem as flores que são plantadas em todo DF. Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília

Sempre é tempo de flores
Os canteiros ornamentais da cidade hoje são um atrativo a mais, para além da arquitetura, com suas flores e cores variadas.
Há 30 anos, a Novacap, por meio do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), começou a usar várias espécies de flores para embelezar as áreas verdes de toda a capital. O resultado do uso das flores em meio ao trânsito pesado da capital ganhou fama nacional. Os canteiros de Brasília passaram a ser visitados e fotografados como pontos turísticos.
De acordo com o arquiteto e paisagista da Novacap há 39 anos, Raimundo Gomes Cordeiro, tudo começou no ano de 1991, quando o então governador Joaquim Roriz fez uma viagem a Nova York.
“Ele viu aquela cidade toda florida e ficou admirado com a beleza. Logo que retornou à capital quis fazer do mesmo jeito aqui, é claro, adaptando à realidade do nosso país. Essa é a história que contam, mas não temos nada oficial”, relata.
Nos primeiros anos da capital, a cidade tinha 1.500 canteiros ornamentais nas vias e rotatórias de superquadras; hoje são 547, redução causada por mudanças nas vias para fazer fluir o trânsito.
No entanto, os principais e mais famosos canteiros foram mantidos, como os de todas as rotatórias das superquadras, o do balão do aeroporto e o do Eixo Monumental.
Cordeiro relembra como era a capital antes dos canteiros ornamentais. “Antes somente eram usadas mudas de folhagens (arbustos). Era tudo muito verde, não tinha cores até que elas começaram a aparecer com o plantio de ervas e flores. A cidade ganhou outra cara, ganhou vida. No início, foram escolhidas as espécies de curta duração, que têm uma floração exuberante; e ao longo do tempo foram introduzidas novas espécies, de maior durabilidade”, conta.
Moradora há quase 50 anos da capital, Heliete Ribeiro Bastos, 71 anos, afirma que a vinda dos canteiros ornamentais deixou a imagem de uma cidade bem cuidada e atrativa.
“Quando eu falo de Brasília, seja aqui como moradora ou para alguém de fora, uma das características que sempre ressalto são os espaços livres e verdes que temos na cidade. E é claro que os canteiros também, que desde que foram plantados deram à cidade um novo encanto” afirma Heliete.
“Flores significam energia, alegria, bem-estar. É difícil ficar indiferente ao encanto que trazem ao ambiente, com suas cores e formas, suas combinações, as mais variadas, além da importância que têm para os insetos e pássaros”, completa a moradora da Asa Sul.Os canteiros da capital já viraram atração turística. Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília
Para chegar ao colorido que dá beleza às áreas verdes, e chama tanto a atenção de moradores e visitantes durante todo o ano, o trabalho do DPJ é de muita pesquisa.
As variadas espécies de flores precisam ser utilizadas de acordo com o fator climático, para se aproveitar mais delas.
No período da seca, são plantadas flores que exigem menos água e rega. Já no período chuvoso, as espécies escolhidas são as que aguentam grande volume de água. De acordo com Raimundo Cordeiro, é dentro desse planejamento que o DPJ projeta a ornamentação da cidade.
“Estudamos o clima, o tamanho de cada espécie, a visualização (tanto dos pedestres quanto das pessoas em veículos – para não provocar acidentes) e por último a combinação das cores. Tudo tem de ficar harmonioso”, explica o paisagista.
No Natal, por exemplo, os jardineiros fazem o balão do aeroporto e a Esplanada dos Ministérios com flores vermelhas. “É para ajudar a enfeitar a cidade para a época”, explica Raimundo Silva, chefe do DPJ.
Além do Natal, outra data que é possível brincar com as cores das flores é o 7 de setembro – dia da Pátria. Nesse caso, o plantio é predominantemente com espécies amarelas, que vão se misturar ao verde das gramas, as cores do Brasil.
O trabalho feito nos canteiros ornamentais é para que as pessoas tenham sempre uma surpresa ao andar pela cidade. Segundo Raimundo Silva, a troca das cores causa mais impacto às pessoas que passam pelo local.
“Quando você tem uma cor única o ano todo, as pessoas se acostumam com a paisagem e deixa de ser atrativo, mas se você passa naquela área e percebe sempre uma coloração diferente, chama a sua atenção”, comenta.
Etapas de produção
As mudas de flores que ornamentam os canteiros de Brasília são produzidas no Viveiro I da Novacap, localizado no Setor de Mansões Park Way, que tem uma área total de 26 hectares.
Anualmente, são produzidas no local 1,5 milhão de mudas, necessárias para ornamentar canteiros, jardins e balões de Brasília. As flores são de cores variadas: amarela, vermelha, rosa, alaranjado, lilás e verde com branco.
Existem também as espécies de plantas perenes, que não necessitam de uma troca contínua; e têm as flores, que são substituídas a cada seis meses.
Social
Por trás de todo o trabalho com as flores feito pelo DPJ, o lado social tem um destaque importante. As flores são produzidas por deficientes visuais e físicos, jovens aprendizes e reeducandos (presidiários em fase de readaptação na sociedade). Hoje, cerca de 100 pessoas trabalham no viveiro da Novacap e nas ruas, entre produção, plantio e manutenção das flores.
Ainda de acordo com Raimundo Silva, as solicitações de ampliação dos canteiros por todo o Distrito Federal são contínuas.
“Nós temos feito parcerias com as administrações, que se comprometem a manter e nos ajudar preparando a área. A Novacap orienta a administração sobre a técnica necessária e oferece os insumos.
Isso já aconteceu em Águas Claras, Gama, Santa Maria, Sudoeste, Núcleo Bandeirante, Lago Sul e Lago Norte. A parte de jardinagem não é mais concentrada apenas no Plano Piloto”, explica o chefe do Departamento de Parques e Jardins da Novacap.
A produção envolve as etapas de semeadura, repicagem e transplantio. No processo produtivo também fazem parte as atividades de envasamento de bandeja e sacos plásticos com substrato agrícola; transporte e formação de canteiros com sacos; além de reaproveitamento de substrato e reciclagem de sacos plásticos.
Veja em detalhes o funcionamento desse processo:
Envasamento de bandejas e sacos plásticos: preenchimento manual dos recipientes com substrato agrícola;
Semeadura: consiste em colocar, manualmente, as sementes nas células individuais das bandejas e/ou sacos plásticos. Devido ao reduzido tamanho de algumas sementes, nelas a semeadura é feita com mais de uma semente por célula;
Repicagem: é a retirada das mudas excedentes e o plantio em células individuais nas bandejas. 

Os cravos (Tagetes) são repicados para bandejas com células maiores, onde se desenvolvem até o transporte para os canteiros;
Transplantio: de 4 a 11 dias após a repicagem é feito o transplantio das bandejas para os sacos plásticos, possibilitando o desenvolvimento das mudas até o porte para plantio em canteiros.
Etapas de manutençãoA vistoria para identificar as atividades que serão executadas na semana subsequente é realizada todas quinta e sexta-feiras. Em seguida, é elaborado um relatório para a divisão de manutenção.
Esse relatório descreve se o canteiro será trocado, limpo, replantado e podado.
O primeiro passo é a retirada das plantas antigas; em seguida é feito o preparo do solo, plantio, irrigação, limpeza periódica e replantio (quando necessário).
Após 30 a 40 dias, começa a floração e, aos 60, 70 dias está no auge da floração.

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