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Com piora do cenário regional, China vacina mais de 10 milhões por dia contra Covid

Com piora do cenário regional, China vacina mais de 10 milhões por dia contra Covid Em maio, até este sábado (22), a média diária de doses a...


Com piora do cenário regional, China vacina mais de 10 milhões por dia contra Covid
Em maio, até este sábado (22), a média diária de doses aplicadas superou os 10 milhões, segundo dados compilados pelo projeto Our World
Fábio Zanini
São Paulo, SP
Habituada a apresentar ao mundo número superlativos qualquer que seja a área, a China mais uma vez provocou espanto nos últimos dias com o número de vacinas contra a Covid-19 aplicadas, que já chega a meio bilhão.
Mais até do que o volume, o que tem impressionado é a aceleração frenética da imunização no gigante asiático.
Em maio, até este sábado (22), a média diária de doses aplicadas superou os 10 milhões, segundo dados compilados pelo projeto Our World in Data, da Universidade de Oxford (Reino Unido).
É mais do que o dobro do ritmo diário de abril e quase cinco vezes o de março. Dos 497 milhões de vacinas administradas desde o início do esforço de imunização contra o coronavírus, em 15 de dezembro do ano passado, 46% ocorreram apenas neste mês.
Na última semana, o país pisou ainda mais no acelerador, chegando ao recorde de 17,2 milhões de doses aplicadas na última quinta-feira (20). Isso corresponde, num único dia, a 30% de todas as vacinas administradas no Brasil desde 17 de janeiro, quando a primeira pessoa recebeu imunização no país.
Em breve, dizem autoridades chinesas, o país deve romper a marca dos 20 milhões de vacinados por dia.
Com a pandemia em patamares relativamente baixos em comparação com o resto do mundo, a China vinha adotando até agora uma atitude de certa complacência com relação à vacinação, embora seja um dos principais centros mundiais de fabricação dos imunizantes. O país tem 3,2 mortos por milhão de habitantes, contra mais de 2.000 por milhão no Brasil, por exemplo.
Como resultado, a China vinha priorizando a chamada “diplomacia da vacina”, destinando grande parte de sua produção à exportação, para cerca de 100 países, entre eles o Brasil. Além de dividendos econômicos, essa estratégia valoriza a imagem internacional chinesa, dentro da política de “poder suave” do país asiático.
Até 19 de maio, haviam sido vendidos a mercados externos 300 milhões de doses, seja em vacinas prontas ou matéria-prima, conhecida pela sigla IFA (Insumo Farmacêutico Ativo). Isso equivale a quase 40% de toda a produção.
O cenário agora mudou, no entanto, e pode ter reflexos no Brasil. A nova corrida chinesa para vacinar sua população coincide com a disseminação de novas variantes da doença, sobretudo a que tem origem na Índia, país que hoje é, ao lado do Brasil, o epicentro da pandemia.
Além disso, houve aumento expressivo das taxas de contágios no sul e sudeste asiáticos, regiões com laços estreitos de comércio com os chineses, e intenso fluxo de pessoas.
No Vietnã, por exemplo, o número de casos de Covid-19 aumentou 75% em maio, crescimento que chegou a 84% no Camboja e 93,5% na Tailândia.
Taiwan, que Pequim considera uma província rebelde, também tem visto uma subida meteórica de casos, com elevação de 178% no mês de maio, embora partindo de uma base pequena.
Já na China continental, o cenário por enquanto é de estabilidade no número de casos, mas o contexto regional levou a uma mudança de atitude.
A meta é vacinar completamente com duas doses 1 bilhão de pessoas até o final do ano. A população total do país é de 1,4 bilhão, mas muitos são jovens, vivem em zonas afastadas, ou se recusam a se imunizar.
Segundo um representante do governo chinês, há neste momento a necessidade de um maior “equilíbrio” entre a nova demanda interna e os compromissos com exportações de vacinas.
O cenário é de que cronogramas previamente acertados com o Brasil e outros países podem sofrer algum atraso, que por enquanto seria de alguns dias. A prioridade é evitar que esse delay se alargue muito.
Na última quinta-feira (20), um grupo de governadores reuniu-se virtualmente com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, para pedir que novos lotes de IFA sejam liberados
Na conversa, o diplomata explicou o cenário de demanda superaquecida em seu país, mas se comprometeu a priorizar o envio da carga ao Brasil.
Segundo ele, novos lotes de insumos para a Coronavac, do Butantan, e a AstraZeneca, da Fiocruz, chegarão nos próximos dias, suficientes para produzir 16,6 milhões de doses.
Uma carga de IFA chegou da China no sábado (22),e o Ministério da Saúde anunciou nas redes sociais o recebimento de “insumos do exterior”, omitindo a origem. Em seu perfil, o embaixador chinês ironizou: “Confúcio disse, feito para amigos, fiel à sua palavra.” Depois disso, o ministro Marcelo Queiroga e o Itamaraty publicaram agradecimentos a Pequim.
A troca de comando na chancelaria brasileira também tem feito diferença. O novo titular, Carlos França, tem uma atitude mais amistosa com a China, ao contrário do tom de confronto de seu antecessor, Ernesto Araújo.
Apesar dos números grandiosos, a China ainda é uma relativa retardatária no ranking internacional de vacinação, em razão de sua imensa população.
Receberam ao menos uma dose 34,5% dos habitantes, contra mais de 80% nos EUA, por exemplo. Isso indica que ainda levará algum tempo para que a demanda interna arrefeça.
Mesmo a perspectiva de esfriamento do apetite chinês pelas doses é duvidosa. A partir de dezembro, a imunização recomeça praticamente do zero, uma vez que a orientação é de que as pessoas tomem vacinas todos os anos, ao menos no médio prazo.
Para dar conta de tantas obrigações, a China investe em novas vacinas e no aumento da capacidade de produção das já aprovadas. As mais disseminadas são as dos laboratórios Sinovac (em uso no Brasil) e Sinopharm, mas há outras três em estágio avançado, incluindo uma de dose única, produzida pela empresa CanSino.
A oferta global de vacinas também deve se ampliar com o avanço da imunização nos EUA e Europa, que deve se completar no meio do ano.
A partir daí, esses países deverão aumentar a exportação ou doar de imunizantes para regiões mais pobres do mundo, aliviando a carga atual sobre os chineses.

As informações são da FolhaPress


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