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Eleições DF: Leila do Vôlei e Rafael Parente trocam de partidos de olho, cada um, no GDF

Leila Barros, hoje no PSB, deve migrar para o Cidadania. Por usa vez, o ex-secretário de Educação, Rafael Parente, deixaria o Cidadania e se...

Leila Barros, hoje no PSB, deve migrar para o Cidadania. Por usa vez, o ex-secretário de Educação, Rafael Parente, deixaria o Cidadania e se abrigaria no PSB.

Como num campeonato, antes do certame ter início, Leila Barros e Rafael Parente trocam de time. Ninguém admite concretamente a candidatura ao GDF, mas esse projeto está na mente dos dois. Nesse cenário, as eleições em 2022 prometem ter muitos candidatos, como em 2018. 
Podendo chegar a nove chapas. 
Ciinco à direita e quatro à esquerda. 
A tendência é um afunilamento dessas articulações. 
A pulverização dos votos não agrada a nenhum dos pretendentes. Entretanto, os partidos precisam de bom desempenho para que permaneçam na cena política.
Por Chico Sant’Anna
Faltando quinze meses para as eleições, uma reviravolta nas articulações para a formação de uma frente de esquerda para concorrer ao GDF começa a tomar corpo. Até aqui, o PT cogitava até mesmo abrir mão de lançar um nome para o Buriti e apoiar a senadora Leila do Vôlei (PSB). Essa seria a contrapartida ao apoio dos socialistas a uma candidatura nacional petista. 
Em troca, a única vaga ao Senado ficaria para a deputada Erika Kokai (PT).
 Agora, Leila deve deixar o partido até o fim do mês e migrar para o Cidadania. Por sua vez, o ex-secretário de Educação, Rafael Parente, deve deixar o Cidadania e se filiar no PSB. Ambos com projetos de disputar o GDF. Essa jogada de duas peças simultâneas no xadrez é chamada de Roque. 
O enxadrista seria o ex-governador Rodrigo Rollemberg, que não estava contente com a costura entre petistas e socialistas. Simultaneamente, o PDT se articula pra lançar Reguffe (Podemos), governador, e o ex-distrital, Joe Vale (PDT), de vice. Reguffe diz ainda estar pensando, mas sonha com uma frente ampla, com apoio, inclusive de Leila do Vôlei.
Aos poucos, o sonho de uma frente única das esquerdas vai se pulverizando. 
O Partido dos Trabalhadores, contudo, ainda acredita nela. 
Ricardo Berzoini avalia que é muito cedo para desistir desse projeto e que eventual mudança de legendas não deve ser impedimento. 
“A ideia de uma frente de esquerda continua, mas obviamente alianças só acontecem quando as partes assim o desejam. 
Na minha opinião, para derrotar o genocida federal, nós precisamos também construir aqui no DF uma aliança para derrotar o genocida local. Se não tiver essa aliança, vai ficar difícil. Mas eu acho que com um amplo diálogo local e nacional é possível se construir uma aliança para derrotar as direitas” – disse ao blog o ex-ministro da Previdência, que deve agora disputar uma cadeira federal pelo DF.
O PDT se articula pra lançar Reguffe (Podemos), governador, e o ex-distrital, Joe Vale (PDT), de vice. Reguffe diz ainda estar pensando, mas sonha com uma frente ampla, com apoio, inclusive de Leila do Vôlei. Foto de Waldemir Barreto/Agência Senado.
Troca de peças
A saída de Leila do PSB seria consequência de articulações internas de Rollemberg. 
O ex-governador que, em 2014, apoiou Aécio Neves contra Dilma Roussef, não estava muito confortável com a formação de uma frente tendo o PT como parceiro. Além da parceria com o partido que criticou em 2014, temia perder o controle do PSB para a chamada Ala de Esquerda do partido. 
É essa ala que alimentava esperanças na capacidade da reunião das forças progressistas em torno de Leila.
A ida de Leila para o Cidadania pode estar num projeto maior do partido. Ela viria ser o ponto de apoio em Brasília de uma candidatura do Cidadania à presidência da República. Nesse caso, a candidata seria de outra senadora: Simone Tebet, hoje no PMDB. Simone no cenário nacional e Leila no candango. 
Duas mulheres para Roberto Freire, presidente do partido, chamar de suas candidatas. Esse audacioso projeto deixaria de fora aqui em Brasília dois nomes fortes do partido: Paula Belmonte e Rafael Parente. 
Paula Belmonte já demonstra incômodo em permanecer na atual sigla. Já Rafael Parente que, até pouco tempo, projetava apenas ser candidato a deputado Federal, tende a ser um novo nome buritizável. Ele deseja montar uma frente de centro-esquerda, mas dificilmente o PT virá a somar numa arquitetura política dessa magnitude.
De outro lado, a chegada de Rafael Parente no ninho socialista não será tão pacifica. A ala esquerdista do partido, que apoiava o nome de Leila, cogita lançar um nome próprio ao GDF e pretende buscar apoio de partidos de esquerda PCB, PCO, PSTU, UP, PCdoB e Psol. E então voltar a buscar o apoio do PT.
Uma candidatura do Psol poderia contar com os nomes da ex-secretária de Saúde, Maria José Maninha, e da professora Fátima Sousa, candidata em 2018.

Por sua vez, Belmonte deve buscar identificar-se como a representante de Bolsonaro na Capital Federal. Não está claro em qual partido, mas pode ser o Patriotas, para onde o presidente da República deve migrar. Belmonte pro GDF e Bia Kicis (PSL) para o Senado. Se essa deve ser a chapa da extrema direita, a direita e centro-direita deve se articular em torno do Democratas, do Coronel Alberto Fraga; do Pros, de Eliana Pedrosa; e também de Alírio Neto, hoje sem partido. Os três se reuniram há poucos dias e prometem caminhar juntos em 2022, no que Fraga denominou de “grupo alternativo”.
Em se consolidando esse cenário, as eleições em 2022 prometem ter muitos candidatos, como em 2018.
Além de Ibaneis Rocha (MDB), que tenta atrair Flávia Arruda (PL) e Celina Leão (PP) para seu projeto eleitoral e de Izalci Lucas (PSDB) que ainda não clarificou com quem caminhará e depende das articulações tucanas nacionais; o palco eleitoral deve contar com: a candidatura do grupo alternativo de Fraga, da candidatura bolsonarista que vier a ser construída na cidade; da chapa Podemos/PDT, com Reguffe e Joe Vale; de Leila e, provavelmente, com a Rede de Leandro Grass; com Rafael Parente, pelo PSB; com o PT que será obrigado a ter no DF um palanque para Lula – essa hipótese favorece o anseio de Geraldo Magela em voltar a disputar o Buriti – e, provavelmente, com uma candidatura do Psol, que tem nomes como os da ex-secretária de Saúde, Maria José Maninha, e da professora Fátima Sousa, candidata em 2018.
Embora haja uma parcela importante do partido que defenda a formação de uma frente progressista, as exigências da cláusula de barreira, praticamente, impõem ao Psol o lançamento de um nome próprio.
Diante de um cenário de oito a nove chapas e a possibilidade de quatro ou cinco candidaturas de esquerda ou centro-esquerda, o analista político Hélio Doyle, faz um comentário bem objetivo: “com tantos nomes, se saírem todos, lascam-se todos”.

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