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quarta-feira, 7 de março de 2018

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Por não aderir à greve, vigilante de 66 anos é atacado em Samambaia

Imagens de câmeras de segurança flagraram a ação de quatro homens no último domingo (4/3). Trabalhador terceirizado precisou de atendimento

Imagens de câmeras de segurança flagraram o ataque a um vigilante na Estação de Tratamento de Esgoto da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), em Samambaia, na manhã do último domingo (4/3). Quatro homens dispersaram o conteúdo de um extintor de incêndio no banheiro onde o trabalhador terceirizado se escondeu com medo de agressões.

O vigilante, de 66 anos, precisou de atendimento médico. Supostamente, ele foi atacado por ter furado a greve da categoria. Francisco da Rosa Chagas recebeu atendimento no local, prestado por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) está investigando o caso. Foi registrada ocorrência por dano ao bem público e paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem.

No registro policial, Francisco contou que “viu quando um veículo tipo van parou no seu posto, e constatou que ele tinha um adesivo do sindicato dos vigilantes em greve, por isso, fechou a guarita e trancou-se no banheiro”.

Nas imagens da câmera de segurança, é possível ver a abordagem dos quatro homens que descem do veículo. Eles procuram o vigilante e, quando percebem que ele está no banheiro, pegam um extintor e o utilizam, esvaziando-o pela janela do cômodo.

Em certo momento, a fumaça invade a guarita. Os homens conseguem abrir a porta e acessar o banheiro onde Francisco estava. Ao perceberem que o vigilante está passando mal, eles tentam socorrê-lo.

Confira o vídeo:
https://youtu.be/kRAbQuO_hDk
Logo depois, com a chegada do supervisor da empresa terceirizada, Givanildo da Cruz Ramalho, os quatro agressores teriam fugido. Procurados pela reportagem, Francisco e Givanildo não quiseram falar com o Metrópoles sobre o caso.

Medo
Segundo a filha do vigilante agredido, Janaína Antônia Rosa, 26 anos, toda a família está temerosa e essa não foi a primeira vez que o pai sofreu agressões e ameaças por não aderir à paralisação da categoria.

De acordo com ela, na última sexta (2), ele foi xingado e levado contra a vontade para a própria residência. “Ele chegou em casa na van dos jagunços e contou que eles foram ao trabalho dele, ofenderam, ameaçaram e o fizeram entrar no carro para que ele não continuasse trabalhando”, contou a filha.

Depois do episódio, Janaína disse que pediu ao pai para não voltar ao trabalho no último domingo, o dia da agressão. “Insistimos muito, mas ele estava com medo de que cortassem o ponto, de ficar sem parte do salário, e foi”, relatou. Segundo ela, Francisco prometeu que não voltará à guarita até o fim da paralisação dos vigilantes.

O sindicato
O diretor de comunicação e imprensa do Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal, Gilmar Rodrigues, afirmou que a associação desconhece o episódio. “Não estamos sabendo. Esperamos que o caso seja apurado, e os responsáveis, identificados”, afirmou. De acordo com ele, o sindicato repudia ações de violência. Ele também ressaltou que o objetivo da paralisação é a garantia dos direitos da categoria.

A classe cruzou os braços na última quinta (1º). Os vigilantes reivindicam aumento de 7% e manutenção de todas as cláusulas da convenção coletiva. A data-base dos trabalhadores é no início de janeiro, mas eles afirmam que não houve avanço nas negociações com os donos das empresas.

Na última sexta (2), o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) determinou liminarmente a suspensão da greve dos vigilantes e o retorno imediato para “100% do efetivo trabalhando nos postos de serviços hospitalares, bancários, transporte de valores e tribunais de Justiça, assim como 70% nos demais postos de serviços”. Mesmo com a decisão, a categoria decidiu manter a greve, em assembleia realizada na noite dessa segunda (5).

Na terça (6), a categoria decidiu manter a paralisação. Em nova assembleia, os trabalhadores aprovaram por unanimidade que os profissionais permaneçam de braços cruzados. Nesta quarta (7), a classe volta a se reunir, às 15h, no Conic, para decidir o futuro do movimento.
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