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quinta-feira, 5 de julho de 2018

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Segundo testemunhas, casal desceu de veículo e atirou em três pessoas de uma mesma família
Eram por volta das 15h dessa quarta-feira (4) quando uma mãe e seus dois filhos foram baleados no Terminal Rodoviário Metropolitano, mais conhecido como Rodoviária do Entorno, próximo à Biblioteca Nacional e a poucos quilômetros da Praça dos Três Poderes. Não houve tempo de socorrer Maria Célia Rodrigues dos Santos, 39 anos, e o filho, Welington Rodrigues Santos da Silva, 22, que morreram no local. A polícia chegou a deter três pessoas que seriam cúmplices dos atiradores.

A terceira pessoa baleada, Kerolyn Ketlen Moreira Rodrigues, 19, foi encaminhada ao Hospital de Base e passou por procedimento cirúrgico ainda à tarde. Ambulantes e usuários denunciam que o terminal, no coração de Brasília, é palco de disputa de espaço entre trabalhadores e até de tráfico de drogas.
Tanto a Polícia Militar quanto os ambulantes que conviviam com as vítimas afirmam que o fato ocorreu pela disputa de espaço entre os trabalhadores não regularizados. Segundo a Polícia Militar, um casal identificado por Henrique Monteiro Gonçalves e Geovana é suspeito de ter efetuado os disparos, que partiram de um Fiat Doblô verde e atirou nas três vítimas. Mãe e filho teriam levado um tiro cada na região do peito. A filha, que foi hospitalizada, foi atingida duas vezes no abdome – mais na lateral do corpo.

Depois dos tiros, o casal fugiu a pé pela via S1 (Esplanada). O carro, deixado no local, foi apreendido. Outro casal, identificado até agora apenas como Edson e Wanderleia, foi detido suspeito de ser cúmplice de Henrique e Geovana.


As confusões a respeito de território seriam comuns ali. Na semana passada, inclusive, duas das vítimas e os suspeitos foram levados para a 5ª Delegacia de Polícia depois de uma briga. O cabo da PMDF, Ferreira Sousa lembra que as duas mulheres teriam começado a briga pelo espaço e, em seguida, os dois homens trocaram farpas. Ao ser liberado, o suspeito teria ameaçado Welington de morte. Naquela tarde, ele concretizou o plano.

Um ambulante que conhecia os envolvidos disse que as vítimas eram trabalhadoras e estavam há bastante tempo na rodoviária. Por acaso, a esposa de Welington não havia ido trabalhar ontem. Todos os envolvidos trabalham no terminal desde a inauguração, em 2014, e moram em Planaltina de Goiás.
Esposa de vítima. Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília
Roubos furtos e tráfico
Há reclamações de furtos, assaltos e até de tráfico de drogas no Terminal Rodoviário Metropolitano. O representante comercial Ronaldo Lucio, 35 anos, está presente na rodoviária quase todos os dias e alega que não percebe a presença de nenhum policial, apenas quando existe repressão por parte da Agência de Fiscalização (Agefis) aos ambulantes. “A gente reclama da insegurança na administração, mas nada é feito”, queixa-se.

A diarista Francinete Noreto, 33, também utiliza a Rodoviária do Entorno duas vezes ao dia e sente a insegurança. “Eu passo por aqui por volta das 6h. Acho ruim porque ainda está um pouco escuro. Eu nunca fui assaltada, mas fico com medo”, diz a mulher, que pede mais policiamento no espaço.

Um ambulante, que preferiu não se identificar, denuncia que é comum o tráfico de drogas, mesmo à luz do dia, e que ninguém faz nada para evitar. Ele conhecia as vítimas e garante que eram trabalhadores e que estavam todos os dias na rodoviária.
Sem câmeras

A reportagem do Jornal de Brasília procurou, mas não viu nenhuma câmera na rodoviária, apesar de todas as denúncias de insegurança. Para o presidente da Associação dos Ambulantes de Brasília, Luiz Coutinho, o governo só reprime e não auxilia na regularização dos trabalhadores, que seriam 8 mil em todo o DF. Por nota, a Secretaria de Segurança negou a inexistência de câmeras e assegurou que há 17 delas que monitoram a região entre as rodoviárias do Plano Piloto e do Entorno.

Coutinho estava perto da cena do crime no momento em que tudo ocorreu. Ele recrutava mais pessoas para a associação, com o objetivo de tentar regularizar o pessoal, quando ouviu quatro disparos e a correria. O ambulante afirma que a associação ficará de luto durante esta quinta-feira.

Versão oficial
Por nota, a Agefis esclareceu que, todos os dias, há uma equipe permanente na área central de Brasília, incluindo a Rodoviária do Plano Piloto, Setor Comercial Sul, pontos turísticos, Ponte JK e Touring. Em 2017, foram realizadas 1.630 operações na área central, tendo como resultado a apreensão de mais de 90 mil itens. Já a Secretaria de Cidades informa que, atualmente, a atuação dos ambulantes é autorizada apenas em caráter eventual com base na a Lei 1217/1996. A PMDF garantiu que a região conta com um posto de segurança 24h e com policiamento a pé. Ainda acrescentou que a região bate recordes de prisões de foragidos e de traficantes – 370 pessoas foram presas/apreendidas só neste ano nas duas rodoviárias.

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