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terça-feira, 4 de setembro de 2018

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Conheça escolas do DF que avançaram no Ideb
O índice, publicado nesta segunda (3), destaca três escolas públicas locais que tiveram melhoras significativas de 2005 a 2017. Projetos de incentivo à literatura, trabalho lúdico com matemática e inclusão dos pais são algumas das causas do avanço
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017 foi publicado nesta segunda-feira (3), trazendo dados escolares do ensino fundamental e médio de todo o país, a partir do desempenho obtido pelos alunos no Saeb 2017 e das taxas de aprovação, calculadas com base no Censo Escolar 2017. No Distrito Federal, três instituições se destacaram nos anos iniciais do fundamental: Centro de Ensino Fundamental 6 de Brasília (CEF 6), Escola Classe 11 de Sobradinho (EC 11) e Escola Classe 308 Sul (EC 308). Todas tiveram melhora progressiva na evolução de aprendizagem, entre os anos de 2005 até 2017. Os resultados consideram o desempenho de todas as redes de ensino e, mostram que o país evoluiu positivamente nos anos iniciais do ensino fundamental (1° ao 5° ano).
O cálculo do Ideb, a partir de dados do Saeb, é baseado nas somatórias das notas de língua portuguesa e matemática. Depois, a média dessas duas notas é multiplicada pela média das taxas de aprovação das séries das etapas (anos iniciais, finais e médio).
Reforço da leitura e participação dos pais
Para o índice ser elevado, há diversos fatores a serem considerados. Investir em métodos e projetos educacionais dentro do ambiente escolar é um deles. É o caso do CEF 6, que conta com 670 alunos e 70 professores. A escola acredita que, para capacitar os alunos de uma forma diferente, é necessário o auxílio dos pais. Trazê-los para dentro do dia a dia da escola. Para a diretora da instituição, Cátia José Teixeira, essa é uma das formas de avaliar, com os responsáveis, o que pode ser melhorado no aluno, além de detectar falhas e avanços. “Além dos encontros obrigatórios, contatamos eles semanalmente. Essa é uma forma de deixar a família mais próxima e fazer com que ela participe no desenvolvimento da criança”, diz ela.
Cátia José: contato semanal com pais e responsáveis
A atual diretora ingressou na escola em 2007, ano em que a nota da instituição no Ideb era de 3,8. Hoje, o desempenho pulou para 6,7. Segundo ela, no período em que entrou na escola, a instituição se encontrava em estado mais crítico, de fato. “A partir disso, eu e a equipe desenvolvemos um trabalho entre os professores para melhorar a nota e o desempenho”, explica.
Kamille gosta de ler na biblioteca: "Lá é calmo e silencioso"
Outro método positivo usado pela equipe coordenadora envolve as aulas de reforço, nas quais os alunos que sentem mais dificuldades em certas matérias recebem aulas dos docentes no contra-turno escolar. O projeto de leitura é considerado pela diretora um dos elementos prioritários do ensino ali, responsável direto pelo avanço no aprendizado. Sob a supervisão da professora de português e literatura Glória Lerback, os alunos são incentivados a lerem livros brasileiros. Todos as crianças são beneficiadas com a atividade, que ocorre nas terças e quintas-feiras. Elas leem uma obra por bimestre e, em seguida, fazem uma análise. “Aqui eles conhecem clássicos da literatura brasileira. Além disso, é uma porta de entrada para eles aprenderem a linguagem materna. Tudo que é aprendido na sala, é colocado em prática aqui”, ressalta a professora Glória.
A estudante do 6° ano Kamille Cristina Souza, 12 anos, revela a importância do projeto de leitura para a evolução dos conhecimentos. “Lá eu aprendo muito. A gente tem a oportunidade de ler na biblioteca, porque lá é calmo e ficamos mais tranquilos”, diz.
Isadora Nazaro: "Professores são pacientes"
A colega de turma Isadora Nazaro, 11, é apaixonada por livros e está atenta aos métodos educacionais usados pelos docentes. “Os professores são pacientes e explicam de um jeito que dá pra entender,” argumenta.
A professora Glória atenta para a importância dos pais no momento de leitura e faz um chamado. “Se a gente não apresenta os livros, fica complicado, pois a maioria não tem esse acesso em casa. Atualmente, os responsáveis deixam de comprar livros para comprar telefones, computadores, enfim. É preciso ter essa prioridade da leitura, pois ela contribui em todas as áreas da vida”, pondera.
Kemuel Tavares, 11 anos, faz o 6º ano no CEF 06 e concorda com a professora. “Gosto bastante de livros. Minha mãe estuda para concurso público, então, aqui já tinha o costume de visitar bibliotecas”, menciona.
Kemuel Tavares mudou de escola e hoje sente-se mais preparado
Kemuel veio de outra instituição pública, mas, segundo o jovem, a diferença de uma para outra é enorme. “Lá você aprendia o básico, aqui é avançado, principalmente no inglês, que tenho mais dificuldade”, destaca o aluno.
Projetos que incentivam
A disciplina de matemática pode apavorar muitos alunos. Cálculos e expressões numéricas podem, sim, causar confusão na cabeça de pessoas de qualquer idade. Mas, para a equipe coordenadora da Escola Classe 11 de Sobradinho, há uma forma de distrair, incentivar e despertar os alunos pela matéria. Com aparição lúdica e curiosa, professores de matemática desenvolveram o projeto “Pequenos Economistas”. A atividade busca trabalhar as operações matemáticas. Cada criança leva uma “caixa matemática”, que contém fita métrica, material de contagem e dinheiros de brinquedo.

A responsável pelo apoio de direção, Jeanne Gomes, destaca a importância do projeto na aprendizagem do aluno e explica que este é um dos motivos que levou a escola a alcançar um bom desenvolvimento no Ideb, pulando de 4 pontos em 2005 para 7,49. “Essa é uma oportunidade da escola trazer coisas atrativas, que são pensados e direcionados para os estudantes. Isso também fortalece o trabalho pedagógico”, explica. Para aplicar o projeto matemático, os docentes fizeram um curso da disciplina com Carlos Alberto Muniz, professor de matemática da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em escola, aprendizagem, ação pedagógica e subjetividade na educação.
Alunos do projeto Pequenos economistas aprendem matemática brincando

Mas não são apenas estes métodos que contribuem positivamente. A instituição promove também reuniões coletivas com alunos, professores e equipe pedagógica. No encontro, realizado semanalmente, são tratadas questões como planejamento estratégico para identificar potencialidade e fragilidades dos estudantes. Além disso, os estudantes são avaliados pela Prova Brasil, conhecida também como Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Trata-se de uma avaliação realizada a cada dois anos, que objetiva avaliar a qualidade do ensino. “Após a aplicação da Anresc, a equipe pedagógica corrige, tabula e leva os resultados ao grupo de professores. Isso é uma forma para avaliar os alunos e desenvolver estratégias para melhorarmos”, ressalta Jeanne.

Outra ação promovida pela escola é o projeto de literatura, coordenado por professores, no qual, dão como missão aos alunos, estudar três escritores nacionais por ano. Segundo Jeanne, a ideia é trabalhar a leitura, escrita e produção textual. “No momento, estamos analisando o livro caindo n'alma, onde eles apreciam as obras. Também convidamos autores, escritores para fazerem trabalhos. No final do ano que eles apresentam a produção em cima da produção dos autores, que podem virar peças teatrais”, afirma.

Estagiária sob supervisão de Ana Sá
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