Passeata organizada pela SisterHood reuniu 600 pessoas para incentivar relato de agressões domésticas ao Disque-Denúncia ...
Passeata organizada pela SisterHood reuniu 600 pessoas para incentivar relato de agressões domésticas ao Disque-Denúncia
Franciele Xavier e Celso Martins - Do Hoje em Dia - 26/11/2011 - 16:49. Última Atualização: 18:03 20:33
Com apitos e faixas,
participantes caminharam da Praça 7 até a Catedral da Fé, em Lourdes
Vários passos foram
dados neste sábado (26), em Belo Horizonte, para incentivar o combate à
violência contra a mulher. Cerca de , mil pessoas se reuniram para
participar da primeira edição do evento 'Rompendo o Silêncio', promovido
pela organização internacional de apoio à mulher SisterHood, da Igreja
Universal do Reino de Deus (Iurd). As atividades começaram com uma
passeata com o objetivo de incentivar a denúncia de agressões
domésticas. Um total de 3 mil mulheres participaram da programação, que
contou com várias atividades na Catedral da Fé, durante a tarde.
Ao som de palavras de ordem como “Violência, não!” e da música “É
preciso saber viver”, de Roberto e Erasmo Carlos, o grupo composto por
mulheres em sua maioria caminhou da Praça 7, no Centro da Capital, até a
Catedral da Fé, no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul. Com apitos e
faixas de apoio ao serviço anônimo Disque Denúncia 181, as manifestantes
chamaram a atenção por onde passaram. Nos sinais de trânsito, elas
faziam um pedido aos motoristas: “Se você for contra a violência contra a
mulher, buzine”. O que se vouviu foram muitas buzinas e aplausos.
A presidente da SisterHood em Minas Gerais, Daniele Carotti, afirmou
que a intenção era mesmo fazer muito barulho, já que o objetivo era
chamar a atenção das pessoas para os números da violência contra a
mulher no Estado e no Brasil, e fazer com que as vítimas não fiquem
caladas. “As vítimas que são submetidas a agressões físicas,
psicológicas ou verbais precisam de ajuda. Estamos aqui para dizer a
elas que não estão sozinhas e que é preciso coragem”, destacou.
Visivelmente empolgada durante todo o percurso, a funcionária pública
C.A., de 23 anos, que pediu para não ter seu nome revelado, disse, com
orgulho, que é um exemplo de coragem, pois conseguiu denunciar a
violência que sofria. Vítima do próprio pai, ela foi forçada a ter
relações sexuais com ele dos 4 aos 15 anos. Ela se considera uma mulher
forte porque não teve o apoio de ninguém, nem da mãe, e conseguiu vencer
traumas como a depressão e a dificuldade de se relacionar com as
pessoas.
“Eu me sentia muito rejeitada. Tinha nojo dos homens e perdi a
confiança nas pessoas. Mas me curei porque rompi o silêncio. Por isso eu
digo às mulheres que são vítimas para não ficarem caladas, pois é
sofrimento em dobro, desrespeito e crime”.
A agente de saúde Michelle de Souza, de 32 anos, assistiu à passagem
da passeata. “Cresci vendo minha mãe apanhar do marido. Esse tipo de
iniciativa deveria acontecer mais vezes, para encorajar mais mulheres”,
afirmou.
Esclarecimentos
Depois da caminhada, pelo menos 2 mil mulheres participaram das
atividades programadas pelas voluntárias do projeto 'Rompendo o
Silêncio', na Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Quatro
advogados, duas psicólogas, uma delegada e uma assistente social
atenderam as mulheres que tinham dúvidas sobre o que fazer no caso de
violência doméstica.
Quatro advogados, duas psicólogas, uma delegada e uma
assistente social tiraram dúvidas no caso de violência doméstica (Foto:
Lucas Prates)
A delegada Sandra de Oliveira Silva, que deu uma palestra sobre a Lei
Maria da Penha, orientou que todos os casos de ameaça ou de agressão
sejam denunciados à Polícia Civil. Segundo a delegada, a legislação
atual garante proteção às vítimas de violência e, quando é necessário,
determina a saída do marido ou companheiro da casa.
“O evento da Igreja Universal é muito importante para ajudar as
pessoas que estão sendo vítimas da violência doméstica. A lei é muito
boa, mas faltam abrigos para receber quem está sofrendo ameaça de
morte”, destaca a advogada Patrícia Moura, do Centro de Apoio à Mulher,
que também participou do evento.
A cantora Isis Regina, do Rio de Janeiro, autora do CD “Montes da
Adoração”, fez uma apresentação especial para o público. Antes ela fez o
sorteio de vários brindes. Além de dezenas de kits de beleza, seis
mulheres foram contempladas com vales-compra no valor de R$ 1 mil cada.
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