O lixo é mesmo um grande negócio. Tanto que, em Brasília, tem atrasado a implantação do tão necessário aterro sanitário que promete des...
Tanto atraso se deve não só pela polêmica que a implantação do aterro sanitário em Samambaia tem causado entre moradores da região, mas pelo grande lobby que existe acerca do lixo em Brasília. Fontes do próprio governo do DF informam que em governos anteriores houve a tentativa concreta de iniciar a construção do aterro, mas nada foi feito devido a interesses de empresas em ganhar a licitação para construção e gestão do aterro.
Este ano, porém, as coisas começam a caminhar de forma diferente, e sob pressão. A Política Nacional de Resíduos Sólidos diz que até 2014 nenhuma cidade deve ter lixão a céu aberto. Sendo assim, Brasília tem menos de dois anos para tirar do papel o projeto do aterro.
O primeiro passo já foi dado. Na semana passada, o projeto executivo, que passou por alterações, foi finalizado e, segundo o assessor especial da Secretaria de Meio Ambiente, Paulo Celso dos Reis, em menos de dois meses a licitação para a escolha da empresa que irá gerir o aterro será divulgada. Desde que foi anunciado o aterro sanitário de Samambaia, a polêmica foi lançada. Muitos moradores da região não concordam com a chegada do novo vizinho. Alegam que a cidade é cercada de nascentes e várias áreas de proteção ambiental e que o lixo de toda a cidade será “derramado” no local, prejudicando o meio ambiente.
O governo, porém, diz que algumas pessoas estão aproveitando da falta de informação de outras e fazendo “terrorismo” com relação ao aterro. Especialistas no assunto também afirmam que não há com o que se preocupar. “Em Samambaia, o aterro é adequado, está tecnicamente bem elaborado e é uma necessidade premente. Sendo construído dentro das normas e operado por uma gestão competente, os riscos são mínimos para a população”, explica o ambientalista da Universidade Católica de Brasília (UCB), Genebaldo Freire.
O aterro terá uma área equivalente a 74 campos de futebol. A vida útil dele é entre 13 e 15 anos. A licitação a ser aberta em menos de dois meses pelo GDF irá escolher uma empresa apenas para gerir o aterro sanitário.
Lixão x aterro - A partir de 2014, nenhuma cidade do país poderá ter lixão a céu aberto. Em Brasília o Lixão da Estrutural, que recebe os resíduos de todas as regiões administrativas desde o início da história da capital federal, ainda resiste enquanto o aterro não chega.
O Lixão da Estrutural representa uma fonte de contaminação do solo, dos mananciais de água e mesmo das pessoas que vivem próximas a ele. Ele fica localizado ao lado do Parque Nacional de Brasília, uma área de 30 mil hectares com várias espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção.
Segundo o assessor especial da Secretaria de Meio Ambiente, Paulo Celso dos Reis, “o Lixão está dando seus últimos suspiros de vida útil. Já está acima da cota de 35 metros de lixo. Dentro de seis meses a um ano e meio, o local não terá mais condições técnicas de receber lixo”, explica.
Segundo Edmundo Gadelha, do SLU, atualmente, o Lixão da Estrutural recebe diariamente mais de três mil de toneladas de lixo comum e mais cinco mil de lixo da construção civil.
Especialistas afirmam que vem de todos esses problemas o medo de quem não quer um lixão perto de casa. Porém, há inúmeras diferenças entre um lixão e um aterro sanitário. “O primeiro não tem critério algum, as pessoas jogam lá o que querem. Já o aterro tem preparação técnica para receber aquilo que não pode ser reciclado e nem reutilizado. O aterro é preparado para isso, tem várias camadas de proteção, com dispositivo para recolher chorume, aproveitamento do gás metano”, explica o ambientalista da UCB.
Paulo Celso explica que depois do solo compactado, fazem o afastamento da água da chuva, coleta e tratamento de chorume. Onde se coloca o lixo, cobre com terra para evitar qualquer tipo de vetor. A área é cercada e tudo feito de forma a minimizar a contaminação do meio ambiente.
Fonte: Informações do Jornal da Comunidade
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