Maior depósito de resíduos da capital, Lixão da Estrutural concentra casos de trabalho infantil no DF ...

Maior
depósito de resíduos da capital, Lixão da Estrutural concentra casos de trabalho
infantil no DF
Maior depósito de resíduos da capital, Lixão da Estrutural concentra casos de trabalho infantil no DF
Localizado
a apenas 15 quilômetros da região central de Brasília, o Lixão da Estrutural –
principal depósito de resíduos da capital – é um dos locais com maior
concentração de exploração do trabalho de crianças e adolescentes no Distrito
Federal (DF), segundo auditores fiscais do Ministério do Trabalho. Na última
sexta-feira (8), a Agência Brasil acompanhou a operação de fiscalização da pasta
em busca de mão de obra infantojuvenil. No local, foram flagradas sete crianças
nessa situação. Um grupo de meninos e meninas fugiu quando percebeu a chegada
dos fiscais.
Com
aproximadamente 10 quilômetros quadrados de extensão, o local recebe mais de 2
mil toneladas de lixo por dia, praticamente tudo o que a população da capital
joga fora. O terreno público onde está o lixão é usado pela Superintendência de
Limpeza Urbana (SLU-DF), serviço a cargo do governo. A administração do local e
a separação do lixo, entretanto, são terceirizadas e feitas atualmente pela
Quebec Ambiental, que deveria ser responsável por não permitir a entrada ou o
trabalho de crianças no local. Logo na entrada da área, há uma placa indicando a
proibição.
Durante
a fiscalização, a empresa foi autuada pelo ministério devido à constatação de
trabalho infantil. Em casos de flagrante, os auditores preenchem uma ficha de
identificação com os dados da criança e a enviam para o conselho tutelar que
entra em contato com os responsáveis para determinar o afastamento do menor do
local.
A
Quebec informou que mantém seguranças no local para evitar a entrada dos jovens,
assim como oferece serviço de assistência social para casos em que seja
constatado trabalho infantojuvenil. A empresa admitiu que há menores no lixão,
mas argumentou que toma todas as medidas cabíveis.
De
acordo os fiscais do trabalho, a empresa mantém no terreno um campo de futebol
que atrai as crianças e funciona como argumento para que elas sejam autorizadas
a entrar no lixão, quando, na verdade, vão para trabalhar. O que os menores
catam é revendido a empresas de reciclagem.
A
maioria das crianças encontradas no local estava na área onde são jogados lixo
orgânico e produtos vencidos de vários supermercados. Tanto adultos quanto
crianças dividem os restos de alimentos com cachorros, cavalos, ratos, urubus e
milhares de moscas.
Esses menores são levados ao lixão, na maior parte das vezes, pelos próprios parentes – pais, avós, tios, irmãos –, com a justificativa de necessidade ou falta de alternativas.
Esses menores são levados ao lixão, na maior parte das vezes, pelos próprios parentes – pais, avós, tios, irmãos –, com a justificativa de necessidade ou falta de alternativas.
“Eu
trago porque ele é desobediente, me dá trabalho. Ele vem para não ficar na rua,
que tem muito vagabundo. Senão é impossível”, justificou a mãe de um adolescente
de 15 anos que foi encontrado trabalhando no local, Maria Santana.
“Querem que elas saiam, mas não têm pelo que sair. Tem que ter incentivo para as crianças. Se eu deixo os pequenos trancados em casa, o vizinho chama o conselho tutelar. Se for adolescente, se envolve em crime, com drogas ou gangues”, explicou o catador Edílson Gonçalves, que trabalha no lixão há 17 anos e assumiu levar os filhos para trabalhar quando é preciso. “Aqui é ideal para trabalhar. É a salvação de muita gente”, disse.
“Querem que elas saiam, mas não têm pelo que sair. Tem que ter incentivo para as crianças. Se eu deixo os pequenos trancados em casa, o vizinho chama o conselho tutelar. Se for adolescente, se envolve em crime, com drogas ou gangues”, explicou o catador Edílson Gonçalves, que trabalha no lixão há 17 anos e assumiu levar os filhos para trabalhar quando é preciso. “Aqui é ideal para trabalhar. É a salvação de muita gente”, disse.
“Às
vezes a gente fica com o coração apertado porque a família é, de fato, carente,
tanto de renda quanto de pensamento. Os pais acham que é bom. Esses são
adolescentes que não têm vontade de estudar, mas têm de trabalhar. Se houvesse
algum investimento, seriam uma mão de obra excelente”, informou a coordenadora
de combate ao trabalho infantil no DF, Lourdes Zenaro.
Segundo
ela, a maioria dos menores é menino e a idade média é 14 anos. Eles ganham cerca
de R$ 600 por mês. O dinheiro serve para complementar a renda da família ou para
comprar o que os pais não podem dar.
“Uso [o dinheiro] para comprar bicicleta, computador, celular, videogame. É bom porque ganho o dinheiro, é ruim porque fico cansado. Mas quero começar a estudar direito. Eu quero servir o Exército, se me aceitarem”, disse L.R., 14 anos, que ganha cerca de R$ 500 por mês revendendo o que encontra no lixão. Ele está no 5º ano do ensino fundamental e foi reprovado três vezes.
No DF, apenas três auditores de trabalho infantil são responsáveis pela fiscalização da região e de mais 13 municípios de Goiás e do Tocantins.
“Uso [o dinheiro] para comprar bicicleta, computador, celular, videogame. É bom porque ganho o dinheiro, é ruim porque fico cansado. Mas quero começar a estudar direito. Eu quero servir o Exército, se me aceitarem”, disse L.R., 14 anos, que ganha cerca de R$ 500 por mês revendendo o que encontra no lixão. Ele está no 5º ano do ensino fundamental e foi reprovado três vezes.
No DF, apenas três auditores de trabalho infantil são responsáveis pela fiscalização da região e de mais 13 municípios de Goiás e do Tocantins.
“Não
sabemos onde há crianças, temos que procurar. Não é como outras fiscalizações,
em que há muita denúncia. Há uma grande carência de auditores”, informou a
fiscal Lourdes Zenaro.
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