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sábado, 13 de fevereiro de 2016

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Caso Pedro Paulo: ele agora diz que foi vítima de agressão
Deputado carioca, candidato do prefeito Eduardo Paes à sua sucessão no Rio de Janeiro, muda sua defesa e afirma que apenas reagiu a golpes da ex-mulher

Por: Leslie Leitão e Thiago Prado


PAPÉIS INVERTIDOS - Alexandra, que virou agressora, e Pedro Paulo, que virou vítima: no pedido de inquérito, Janot estranha o “giro radical”(Alexandre Cassiano/Agência o Globo)

Um boletim de ocorrência, um laudo pericial e uma confissão pública registram a briga do casal Pedro Paulo Carvalho e Alexandra Marcondes Teixeira como tendo sido uma agressão à mulher. O episódio ocorreu em 2010. Pedro Paulo é o secretário executivo da prefeitura do Rio de Janeiro e deputado federal pelo PMDB. Alexandra se separou dele, casou-se novamente e, hoje, mora em São Paulo. Desde que, em outubro do ano passado, VEJA revelou o boletim de ocorrência - com a acusação de Alexandra ao ex-marido - e o laudo pericial, o caso passou a ter duas vertentes. A primeira desembocou no encaminhamento da investigação ao Ministério Público Federal (MPF), que está na iminência de indiciar Pedro Paulo tendo como base a Lei Maria da Penha. A segunda vertente vai no sentido contrário e é de iniciativa do próprio Pedro Paulo, candidato in pectore do prefeito Eduardo Paes à sua sucessão nas eleições deste ano. O deputado está empenhado em demonstrar que, em vez de agressor, ele foi vítima.

Para sustentar essa reviravolta, a defesa do deputado entregou ao MPF dois documentos. Um deles é um vídeo em que Alexandra aparece dizendo que os golpes partiram dela e que o marido só reagiu. O outro é um laudo de perito particular contratado por Pedro Paulo que contradiz as conclusões daquele produzido pela Polícia Civil. O objetivo da defesa era obter o arquivamento do processo. Não conseguiu. Os novos elementos apresentados, no entanto, já tiveram o poder de retardar o desfecho do caso. Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, pediu em 1º de fevereiro instauração de novo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar as circunstâncias do que chamou de "giro radical" da história.

Ao justificar a abertura do novo inquérito, em documento ao qual VEJA teve acesso (leia acima), Janot adverte que "as novas declarações de Alexandra Teixeira não podem ser tomadas acriticamente, justamente em razão das sucessivas modificações da sua versão". No depoimento prestado na noite da briga, Alexandra "relatou ter havido chutes, socos nos olhos e na boca". Depois, em uma constrangedora coletiva convocada pelos dois em novembro, após VEJA revelar a existência do boletim de ocorrência, Alexandra disse que houve "agressões recíprocas". Agora, observa Janot, "a vítima tornou-se agressora" e esse "giro radical precisa ser bem esclarecido, inclusive porque (a tentativa de incriminar alguém inocente, a ser de fato falso o primeiro depoimento dela) é crime, punido com reclusão de dois a oito anos".





No testemunho que deu há seis anos, corroborado por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal, Alexandra disse que, ao chegar de viagem, encontrou no apartamento do casal indícios de traição do marido, confrontou-o e foi atacada a socos e pontapés. Na última versão, é ela quem ataca, "agredindo-o e jogando objetos em sua direção", sendo assim a responsável pelos ferimentos que sofreu. Diz a defesa: "Os ferimentos por ela sofridos decorreram da tentativa de contê-la". Em vídeo gravado no dia 8 de dezembro de 2015 e encaminhado ao MPF, Alexandra confirma os termos do documento da defesa.

O perito particular contratado pelo secretário e candidato à sucessão de Paes apontou o que ele viu como fragilidades no exame de corpo de delito feito pela Polícia Civil na noite da briga, em fevereiro de 2010. Produziu então uma espécie de laudo do laudo, que também foi incluído no pedido de inquérito de Janot. A solicitação menciona ainda as insinuações da defesa de Pedro Paulo de que a babá da filha do casal, Ana Paula Bernardes, mentiu à polícia. Ela acompanhou Alexandra à delegacia e depôs como testemunha, contando aos policiais ter chegado ao apartamento no fim da briga. No ano passado, ao revelar a existência da denúncia contra Pedro Paulo (que criava mofo na Polícia Civil do Rio), VEJA entrevistou Ana Paula e ela confirmou tanto seu relato original quanto o papel de vítima de Alexandra. O novo inquérito deve se arrastar até o fim do ano. No calor da campanha, certamente haverá menções ao confronto entre Pedro Paulo e sua ex de memória tão volúvel.

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