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segunda-feira, 23 de abril de 2018

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"Seria muito ruim para a cidade que as forças vinculadas à corrupção, que as forças que colocaram Brasília nas páginas policiais retornassem ao comando do governo justamente depois de o Estado, com um sacrifício muito grande, ter sido saneado" (foto: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Chefe do Executivo acredita que ex-presidente do STF será a grande novidade na eleição de outubro e trabalha por aliança com PDT, Rede e PCdoB. Faz críticas contundentes ao Senador Cristovam Buarque (PPS), porém poupa Reguffe (sem partido).

Por Redação / CB


Em entrevista concedida ao jornal Correio Braziliense, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), faz duras críticas ao vice Renato Santana (PSD) e dirigentes sindicais, sem, contudo, citar nomes. Rollemberg (PSB) já deixa claras e públicas suas preferências políticas. Defende uma ampla aliança com partidos de centro-esquerda, como PSB, PDT, Rede e PCdoB, já no primeiro turno, tanto local, quanto nacional. Sem o PT, legenda que prefere manter distância.
“Hoje, grande parte da crise que o país está vivendo é de responsabilidade do PT. Então, neste momento, não considero que seja positiva essa aliança”, diz o governador. Rollemberg acredita que os petistas erraram ao se unir a partidos como MDB, PP, PR e PTB.

Filiado ao PSB no prazo final para quem pretende concorrer, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa entra no radar de Rollemberg como um palanque estratégico, um candidato à Presidência da República com potencial de crescimento na campanha. “O nome de Joaquim Barbosa é a grande novidade deste processo eleitoral”, acredita. Para o governador do DF, se o ministro aposentado se dispuser a concorrer, terá o apoio do PSB.
Sobre os aliados que se afastaram, Rollemberg também expõe opiniões fortes. Classifica o vice-governador Renato Santana (PSD) como alguém sem maturidade para o cargo e aposta num nome mais próximo e de sua confiança, ainda a ser escolhido, para ocupar o segundo posto em sua chapa à reeleição. Em relação ao senador Cristovam Buarque (PPS/DF), as críticas são contundentes. Segundo o governador, o político não contribuiu com soluções para as crises do DF e do país.
Rollemberg mira ainda sindicatos adversários e opositores de campanha. Afirma que o servidor vai entender quem realmente trabalhou pelos seus direitos. Ele acredita numa derrota nas urnas de candidatos da base sindical que usaram a estrutura das entidades para um esforço eleitoral. Com um discurso pronto contra a corrupção, afirma que o eleitor saberá avaliar quem tem aliados envolvidos em operações como a Lava-Jato e a Panatenaico.

Apesar do tom mais crítico, o governador garante que vai fazer uma campanha propositiva. Pretende exibir à população o ajuste fiscal, os resultados na saúde e as estatísticas de redução de criminalidade, além de benefícios como regularização fundiária e investimentos em áreas sociais que foram possíveis graças, segundo ele, a uma arrumação das contas públicas. Quanto à rejeição a seu governo, registrada em pesquisas, Rollemberg atribui a medidas amargas que precisou adotar e também a uma visão geral que a população tem de todos os políticos, especialmente em Brasília.

Leia íntegra da entrevista

Do que depende a definição da candidatura do ministro aposentado Joaquim Barbosa à presidência da República?
Depende de duas coisas. A primeira: dele, se, efetivamente, está disposto a ser candidato. Ele sabe que tem potencial. Sabe que, se for candidato, a possibilidade de crescimento da candidatura é grande. Mas ele sabe também que isso vai implicar numa mudança radical na sua vida e ele vai perder toda essa reserva que ele tem, principalmente, ao longo da campanha. Ele está avaliando isso. Segundo, a família também tem resistência ao fato de ele ser candidato. Então, o primeiro ponto é esse. Se o ministro Joaquim Barbosa decidir ser candidato, tenho a impressão de que ele será acolhido muito bem pelo PSB. O nome de Joaquim Barbosa é a grande novidade deste processo eleitoral. Já há muitos partidos procurando o PSB, querendo mais informações e até já sugerindo possíveis alianças, exatamente porque percebem o potencial eleitoral de Joaquim Barbosa.

Por que a candidatura deve crescer muito?
Com base num sentimento coletivo. Hoje, Joaquim Barbosa comunica valores que a sociedade brasileira quer ver na política. Especialmente, seriedade e honestidade. Depois, ele é uma pessoa que tem uma identidade muito grande com o povo brasileiro. É um negro, que nasceu no interior de Minas Gerais, estudou em Brasília, foi ministro do Supremo… Enfim, a trajetória dele identifica uma parte muito grande da população.

Na sua opinião, a candidatura dele pode contribuir com a sua?
O nome e a companhia do Joaquim Barbosa são positivos em qualquer cenário. Claro que, no arranjo político, há outros fatores. Mas, certamente, a companhia dele ajuda qualquer candidato.

E em relação ao aspecto de coligações pelo GDF, uma candidatura própria à Presidência contribuiria ou atrapalharia as negociações?
Talvez dificultasse. Vejo duas alternativas mais prováveis. Apesar de a gente ter uma ótima relação com a Marina Silva e com Geraldo Alckmin, há o amadurecimento de duas possibilidades: ou Ciro Gomes, aliança que talvez facilitasse uma coligação mais ampla no DF, ou a candidatura do Joaquim Barbosa. De qualquer forma, tenho defendido que a gente trabalhe até o último momento para fazer uma aliança para a disputa pela Presidência no campo progressista, ainda no primeiro turno, com PSB, PDT, Rede, PCdoB, sem o PT.

Por que sem o PT?
O afastamento do PT é positivo para o país, neste momento. O PT teve sua oportunidade e hegemonizou parte do período político da história do país. Tem uma contribuição. Não podemos deixar de reconhecer os avanços sociais produzidos no governo Lula. Mas, hoje, grande parte da crise que o país está vivendo é de responsabilidade do PT. Então, neste momento, não considero que seja positiva essa aliança.

A prisão do Lula foi justa?
Acho que temos de respeitar as instituições brasileiras. Temos uma legislação, um conjunto de ministros — parte deles indicada pelo próprio ex-presidente da República — e um processo que correu em várias instâncias. Temos de respeitar as instituições.

Onde Lula e o PT erraram?
O grande erro do PT foi o momento em que preferiu fazer aliança com o campo fisiológico da política, que, historicamente, nunca apoiou o PT — MDB, PP, PR e PTB —, em vez de ter fortalecido os aliados históricos e tradicionais do campo da esquerda: PSB, PDT e PCdoB. Teria sido mais difícil para o Lula governar, mas, certamente, o Brasil não estaria na situação em que está hoje.

E no DF? O erro do PT está relacionado à administração do orçamento?
Numa certa escala, se repetiu no DF o que aconteceu no Brasil. O próprio vice escolhido pelo Agnelo demonstra essa aliança preferencial com o MDB, em vez de fortalecer o campo da esquerda, progressista. Isso tudo veio acompanhado de um grande aparelhamento da máquina, uma visão distorcida do Estado e uma irresponsabilidade fiscal muito grande, que acabou levando, tanto no plano federal, como no local, a uma situação de insolvência econômica.

Hoje, podemos dizer que o problema está resolvido? O senhor vai fechar o ano com o ajuste fiscal e as contas em dia?
Diria que esse problema está muito bem encaminhado e que estamos, hoje, com uma situação econômica muito superior à que recebemos, do ponto de vista de equilíbrio das contas, da capacidade do Estado de planejar seu desenvolvimento e de implementar políticas públicas vitoriosas.

A população tem noção disso?
De certa forma. Se você perguntar a um morador do Sol Nascente como era a vida dele há quatro anos e como é agora, certamente, vai colher depoimentos de melhorias. Se fizer isso no Porto Rico, no Buritizinho, onde os investimentos do Estado chegaram, certamente. Se perguntar a uma mãe, que tinha uma criança de quatro anos fora da escola, e, hoje, pode dizer que sua criança está na escola, ela vai dar um depoimento de melhoria. Se perguntar para uma pessoa que há 20 ou 30 anos esperava pela escritura da sua casa e não teve a oportunidade, ela vai reconhecer que houve avanço, porque, hoje, tem segurança jurídica e a valorização do seu patrimônio. Mas, os problemas ainda são muitos. As crises econômica e fiscal acabaram atrapalhando muito a capacidade do Estado de resolver os problemas da população, condição que se aliou a uma revolta coletiva e justa contra os desvios da política, contra a corrupção, que acabaram contribuindo para levar o país a uma situação de dificuldade. De certa forma, a população culpa indistintamente os políticos por isso.

Seu governo enfrentou algumas situações atípicas, como crise hídrica, queda de viaduto e crise orçamentária. Carregando a bagagem, fica difícil mostrar que o governo foi melhor que os outros?
Não será fácil para ninguém. Não tenho ilusões. Há uma desconfiança muito grande da população com a política e os políticos. Caberá a nós dialogar e procurar esclarecer. A contextualização das coisas pode ajudar muito nesse processo. Eu conversava, há duas semanas, com o Arthur Trindade, que foi secretário de Segurança, e, hoje, é uma das pessoas mais conceituadas do país. Ele dizia uma coisa interessante: ‘Você não pode e não deve comparar o seu governo com os anteriores, porque os anteriores governaram Brasília numa situação econômica e financeira completamente diferente”. Aqui, havia abundância de recursos. Ninguém governou com a crise política, econômica e hídrica. E é verdade. Você tem de comparar o seu governo com os laterais; com os governos que estão neste momento. Ele disse: “Ao comparar o seu governo com os demais, você vai ver que, talvez, hoje, Brasília tenha o maior sucesso de todo o país, em várias áreas”. Outro dia, alguém falou numa solenidade que oito unidades da Federação haviam ultrapassado os limites de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O único que saiu foi Brasília. Ou seja, demos um exemplo de arrumação da casa nesse quesito.

Houve avanços?
Neste ambiente de dificuldade, universalizamos a educação infantil para crianças de 4 e 5 anos. Estamos com a menor taxa de homicídios dos últimos 30 anos. Segundo Arthur Trindade, estamos com a maior redução de homicídios, no período de um governo, da história do Brasil. Então, temos indicadores. Vamos resolver a crise hídrica. Antes do fim do governo, teremos segurança de que não viveremos mais problemas de crise por 20 ou 30 anos. Isso não é pouca coisa — palavras dele — no ambiente de dificuldade econômica em que vivemos nesses quatro anos. Se formos comparar com outros estados brasileiros, veremos que, neles, a violência explodiu. Nossos indicadores de equilíbrio econômico são positivos. Os de educação, também.

O discurso desta gestão foi de equilíbrio fiscal. Com as contas em mãos, o que é possível prometer à população para um eventual segundo mandato?
Poderemos melhorar muito as políticas públicas nas áreas prioritárias, porque a arrumação da casa era uma condição essencial para isso. Quando falamos, por exemplo, no avanço da cobertura da atenção primária, por meio da estratégia da Saúde da Família, era 29% da população atendida, hoje, 69%. Inauguramos o novo modelo do Hospital de Base. Estamos vencendo desafios de parte pequena do Ministério Público, que tem posições ideológicas contrárias ao modelo mais moderno de gestão. Sofremos isso com IHBDF, estamos sofrendo com o Hospital da Criança. Mas a superação desses desafios e o teste desses modelos vão mostrar de forma clara que o Estado, com capacidade econômica de ampliar a cobertura da atenção primária e as formas de gestão, que vai oferecer uma saúde de melhor qualidade para a população. Essa semana, tivemos fatos relevantes na Saúde. Inaugurei a reforma da área de hemodiálise do hospital de Sobradinho. Acabo de vir do Hospital de Taguatinga, onde inauguramos o centro de quimioterapia, que vai permitir o atendimento de 140 pacientes por dia. Ou seja, isso só está sendo possível porque arrumamos a casa e temos recursos para investimentos. Se tivermos muito mais recursos, poderemos fazer muito mais nas diversas áreas.

O afastamento do Icipe da gestão do HCB é fruto de uma perseguição política?
É uma perseguição. Temos duas promotoras no DF, a dra. Cláudia, do Tribunal de Contas do DF, e a dra. Marisa Isar, do MPDFT, que apresentam posições ideológicas contrárias a qualquer modelo diferente do tradicional. Em função disso, promovem uma verdadeira perseguição aos gestores. Na semana passada, houve o desabafo de um promotor que disse que as ações feitas estão impedindo o gestor do SUS no DF, que é o secretário de Saúde, de desenvolver suas atividades e prestar um bom serviço público.

Mas houve a decisão judicial. Existe uma perseguição na Justiça também?
Acho que a Justiça é induzida a uma decisão em função da ação do MP. Estou muito confiante que, na audiência pública convocada pelo desembargador Alfeu Machado, que terá a participação do Ministério Público em segundo grau e do secretário de Saúde, todos os esclarecimentos serão prestados, para que a gente possa encontrar uma solução definitiva e, com os ajustes que forem necessários, o Icipe não apenas continue administrando o Hospital da Criança, mas possa gerir a expansão.

O que é alegado na representação contrária à promotora Marisa Isar, protocolada pelo senhor no CNMP?
A representação denuncia uma perseguição política, que tem impedido os gestores de trabalharem adequadamente. São ameaças permanentes. Mostramos abuso de autoridade, perseguição política e ideológica sem fundamento, para acuar o gestor.

Quais são seus planos para outros hospitais, no quesito gestão?
Nossa prioridade, hoje, é ampliar a cobertura da atenção primária, toda ela na estratégia da Saúde da Família. Portanto, é importante a melhoria da condição financeira do DF, para que possamos contratar mais médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde… É muito importante consolidar o modelo de gestão do Hospital de Base, mostrando que é mais moderno. Temos a intenção de realizar neste ano pelo menos a licitação do Hospital do Câncer. E, ao completá-lo, não tenho dúvidas de que o modelo a ser adotado deve ser o do Hospital de Base, o serviço social autônomo. Com toda a resistência que tivemos, do Ministério Público e de sindicatos quanto à implementação de Organizações Sociais, hoje, a nossa perspectiva é manter o Hospital da Criança, no qual queremos inaugurar os 202 novos leitos até julho, sob a gestão do Icipe. As novas unidades básicas de saúde devem seguir o modelo do IHBDF, que é 100% público, mas com mais agilidade e versatilidade.

Quais serão os critérios para a escolha do novo vice na sua chapa?
(O vice) tem que ser uma pessoa de confiança, que eu conheça e possa ajudar na gestão. Quero ter a segurança de que, se eu precisar me ausentar por algum motivo, a cidade continuará sendo administrada com responsabilidade.

Qual foi o momento em que sua relação com seu vice azedou de vez?
Ficou muito claro que o Renato Santana (PSD) não tinha maturidade ou experiência para ser vice. Acho que o cargo acabou subindo à cabeça. Diria que o momento que, para mim, foi bastante simbólico, foi quando me ausentei e passei o governo para ele. Havia uma visita marcada com o ministro da Saúde na cidade de Brazlândia, no momento em que Brasília estava sendo vítima de casos de dengue. Um proprietário de uma loja de pneus me ligou e contou, chorando, que se sentiu ofendido e enganado, porque o vice passou lá, pediu que ele colocasse os pneus na frente da loja, porque passaria um caminhão para recolhê-los, e, depois, passou na frente, com toda a mídia, acompanhado do ministro, e deu uma bronca no cara, porque ele colocou os pneus ali. Fiz questão de fazer uma visita à pessoa para pedir desculpa. Naquele momento, ficou claro que Renato não tinha maturidade. Qual a confiança de sair e passar o governo para uma pessoa que tem capacidade de fazer isso?

Por que, nesse momento, realocar os cargos dele?
São cargos sem função. Se ele assumir a vice-governadoria, fica inelegível e não poderá disputar o cargo de deputado federal ou distrital. Renato não exerce uma função como vice. E estávamos precisando dos cargos. Então, os cargos foram remanejados para áreas que têm maior necessidade.

A que o senhor atribui sua rejeição nas pesquisas?
Parte dela, às medidas difíceis que tivemos de adotar. Difíceis, mas necessárias, enfrentando as corporações, diversos interesses. E também atribuo parte à rejeição da população aos políticos de forma geral. E isso em Brasília é mais forte, porque o vínculo da política com a cidade acaba afetando a imagem da cidade e isso incomoda muito as pessoas de uma forma geral.

Houve casos de corrupção no seu governo, como as fraudes da bilhetagem. Como lidar com isso?
É importante que a polícia apure e revele todo o resultado dessa apuração, porque há indícios de que as fraudes do DFTrans vêm de muito tempo. É importante registrar que, neste caso específico, quem identificou e quem acionou a polícia para agir foi o governo, através da Controladoria-Geral e através da Secretaria de Mobilidade. Temos todo o interesse de levar essa investigação a fundo e identificar os responsáveis pela fraude e punir exemplarmente os responsáveis pela fraude.

Provoca algum tipo de mácula ao secretário de Mobilidade?
Não há nenhum indício de qualquer tipo de responsabilidade do secretário de Mobilidade.

No seu governo, existe menos corrupção?
Sugiro que você faça essa pergunta às pessoas que lidam com o governo. Aos empresários, a todos os que se relacionam com o governo. Isso escuto até da oposição: “Nós temos de reconhecer uma coisa no governo do Rollemberg: não há corrupção, é um governo sério e que age quando identifica qualquer ação que possa ser indicativa de fraude”.

No núcleo do governo, não há denúncias de corrupção. Isso é forte para a campanha?
Eu entendo que esse é um valor que a população cada vez mais quer ver na política. Embora essa seja uma característica da minha trajetória, nunca usei isso. Essa é uma obrigação dos políticos. O debate que vou fazer é de propostas de política de governo. Agora, é muito importante refletir sobre o que a má gestão dos recursos públicos provoca para a população. Quando há, por exemplo, uma obra bilionária como o estádio, que, por si só, ainda que fosse feita, seria um absurdo. Mas, quando você tem a Polícia Federal e o Ministério Público apontando que ali houve desvios de dezenas e, talvez, centenas de milhões de reais, é claro que isso indigna o cidadão. Esse dinheiro poderia ser usado na construção de hospitais e escolas. Então, esse é o debate: o mal que a corrupção produz para a cidade. Agora, a honestidade, na minha opinião, é obrigação de qualquer gestor público.

Seus adversários apontam que a Via Engenharia, empresa investigada no caso do estádio Mané Garrincha, contribuiu com a sua campanha em R$ 1 milhão…

Todas as contribuições estão declaradas e todas as ações com essas empresas obedecem rigorosamente à legalidade. E, se qualquer uma dessas empresas fizer qualquer coisa errada, será punida.

Mas a Via Engenharia ganhou duas licitações no seu governo…

Ganhou a licitação porque não tenho elementos legais que possam impedi-la de participar da licitação. Ela ganhou uma licitação que é acompanhada pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público.

O fato de a candidatura do Frejat ser articulada por Arruda e Filippelli, alvos de denúncias da Lava-Jato, será usada na campanha?
Sempre fiz minhas campanhas de forma propositiva. Quero discutir propostas para a cidade, políticas públicas. O contexto, de como as pessoas governaram Brasília, qual foi a herança que deixaram para a cidade, inclusive para a imagem da cidade e o que oferecem de soluções será julgado pela população. A população está vendo as construções e os aliados de cada candidato.

O Arruda teria força numa nova investida pelo governo?

É difícil dizer. O Arruda já não disputa eleições há muito tempo. Ele tem um recall forte e uma presença forte na cidade. Mas, se ele tem força eleitoral, só uma eleição pode dizer.

Os sindicatos são seus maiores adversários hoje?
Percebo isolamento e enfraquecimento cada vez maior dos sindicatos em relação aos servidores. Você tem ali uma indignação enorme em relação à presidente de um sindicato. Todos tiveram um desconto enorme em seus salários para favorecer um sindicato. Está claro que esses sindicatos defendem os benefícios e privilégios da direção e, não, os interesses da categoria, Isso os enfraquece. Cada vez, vejo esses sindicatos mais longe de suas bases e, cada vez, percebo que há um conjunto maior de servidores públicos que reconhecem o valor do governo, e o fato de receberem seus salários em dia.

Dirigentes usam os sindicatos para alavancar suas candidaturas?
Faço ressalvas porque respeito os sindicatos. Mas alguns dirigentes vêm usando a estrutura sindical em benefício próprio há muitos anos e tenho convicção de que terão uma decepção nas urnas, porque grande parte da base desses sindicatos percebeu que os líderes melhoraram muito de vida nos últimos anos e isso não se refletiu em melhorias para a categoria.

A política mudou ou mudou o senador Cristovam Buarque?
Acho que a eleição será um grande teste para o senador Cristovam. O Brasil viveu a maior crise política e econômica de sua história. Cristovam era senador. Qual foi a contribuição efetiva que o Cristovam deu na solução dessa crise, no apontamento de caminhos? Brasília sofreu os impactos das crises ao longo dos quatro anos. Cristovam é uma pessoa experiente, já foi governador. Qual foi a colaboração, a contribuição que ele deu a Brasília nesses quatro anos? Acho que ele será cobrado pela população de Brasília em relação a isso. Tenho respeito pelo Cristovam e apreço, mas a população vai querer saber qual foi a contribuição efetiva de um senador da República num momento tão delicado.

E Reguffe?
É um senador de primeiro mandato. Ele está nos quatro primeiros anos. Acho que tem posturas que são reconhecidas pela população como corretas ao homem público. Tem ainda uma grande contribuição política pela frente.

O senhor consegue enxergar o Joe Valle na sua chapa?
Considero que o movimento coerente na política da cidade é que as forças progressistas possam superar as suas diferenças para estarem juntas, evitando um retrocesso político no DF. Seria muito ruim para a cidade que as forças vinculadas à corrupção, que as forças que colocaram Brasília nas páginas policiais retornassem ao comando do governo justamente depois de o Estado, com um sacrifício muito grande, ter sido saneado. Portanto, entendo que as nossas afinidades são maiores que nossas divergências, embora reconheça que elas existam. Trabalho com a perspectiva de que PSB, PDT, PV, Rede, PCdoB, Solidariedade, Podemos e PHS possamos estar juntos para criar um novo capítulo na história de Brasília.

As conversas começam a acontecer? Mesmo as menos prováveis?
As conversas estão de vento em popa.

Sua vice será uma mulher?
Ficaria muito satisfeito de ter uma mulher como vice. Meu posicionamento é de que devemos empoderar as mulheres e criar mais espaços de poder. Fiquei muito feliz quando vi a fotografia com dezenas de mulheres no ato de filiação do PSB, que garantiram boas chapas para deputados federais e distritais. Percebi como o PSB se afeminou.

Joe Valle como vice é provável?
Ninguém está discutindo nomes, porque, antes dos nomes, precisamos dos programas em comum. Em torno de que os campos políticos estariam unificados?

Marina pode ser vice do Joaquim Barbosa?
Eu defendo, já no primeiro turno, uma grande aliança do campo progressista. Sei que isso não é fácil. Mas todos os nomes colocados teriam condições de compor a chapa. Seria positivo para o Brasil se tivéssemos capacidade de cumprir esse campo.

Com a janela partidária, sua base na Câmara Legislativa ficou enfraquecida. Será difícil trabalhar?
No início da gestão, não havia deputados do PSB. Nossa base era considerada uma base frágil. No entanto, aprovamos projetos muito importantes para Brasília. Aprovamos através do convencimento. Não foi fácil; foi difícil. Muitas vezes, com concessões aos deputados, temos de assumir isso sem hipocrisia alguma.

Da Redação com informações do Correio (equipe)

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