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quinta-feira, 14 de junho de 2018

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Na comparação de dados de janeiro e fevereiro do ano passado com o mesmo período deste ano, houve aumento nos roubos a coletivos, a comércios e a pedestres.

Por: João Paulo Mariano
Para moradores e forças policias da Estrutural, o fechamento do Lixão, em 20 de janeiro deste ano, causou um efeito inesperado e nada agradável: o aumento de índices de criminalidade. Na comparação de dados de janeiro e fevereiro do ano passado com o mesmo período deste ano, houve aumento nos roubos a coletivos (355%), a comércios (57%) e a pedestres (53%).
Isso fez com que muitos comerciantes se protegessem da forma que podiam. A dona de um salão de beleza Gabriela Vieira, 32, por exemplo, colocou grades na porta do estabelecimento. Ela não gosta muito do resultado estético, porém prefere a segurança.
“Houve até uma tentativa de assalto depois da colocação da grade, mas não se cumpriu. Agora, as clientes preferem vir ao meu salão. Elas mesmas pedem para trancar tudo assim que entram”, afirma Gabriela, que fez a instalação do reforço após um roubo a mão armada em pleno meio-dia. O terceiro em pouco mais de um ano.
A dona do salão não sabe o porquê da insegurança, mesmo com a presença de polícia na rua. Contudo, para as polícias Civil e Militar, o fechamento do lixão foi um dos motivos que levaram a essa sensação maior de insegurança.
O delegado-chefe da 8ª DP (SIA), Rodrigo Bonach, afirma que, mesmo sem os dados, empiricamente, percebeu um aumento de registros. “É uma avaliação que a gente faz. Claro que demanda mais profundidade. Porém, deu para perceber que muitos dos que eram viciados em drogas e trabalhavam na catação tinham uma renda mensal que desapareceu. Isso impulsionou os indivíduos de má-fé a roubarem para adquirir drogas”, diz.
O comando do 15º Batalhão da Polícia Militar também percebeu essa guinada. “A gente já tinha uma ideia de que poderia ter um acréscimo e, por isso, começamos a monitorar. Assim que fechou, a gente percebeu esse comportamento”, alega o subcomandante do 15ª BPM, capitão Daniel Carvalho.

Um celular reservado para o ladrão

Na avaliação das forças de segurança, foi percebido maior crescimento nos roubos a coletivo e a transeunte. A assistente administrativa, Carolina Rodrigues, 29, sentiu esse perigo na pele. “Já fui assaltada no caminho para o trabalho. Às 5h. O cara entrou na minha frente e queria que eu parasse de andar e desse algum dinheiro. Eu disse que não tinha e saí correndo. Antes disso, ele já tinha me dado um chute na perna e um soco”, relembra.

A esperança dela é que as coisas mudem algum dia pois, dos 17 anos em que mora na Estrutural, ainda não percebeu mudança. A insegurança é tanta que ela tem um celular do bandido e o dela. Se for abordada, entrega o celular que não funciona para o assaltante. Ela guarda até um pouco de dinheiro.

O capitão da PM Daniel Carvalho garante que a corporação está atenta ao problema e reforçou o policiamento com ajuda de equipes especializadas. Ele acredita que os dados de maio e junho serão melhores, mesmo porque, até agora, o batalhão já prendeu 399 pessoas.

O delegado Rodrigo Bonach, por sua vez, explica a dificuldade com a incidência de menores nesses crimes. Ele deflagrou, nesta semana, uma operação para deter dez adolescentes com fixa criminal extensa. Cinco deles foram entregues à Justiça.

Saiba Mais

Em 2017, ocorreram sete roubos a comércios, nos dois primeiros meses do ano. Já em 2018, foram 11. Em relação ao roubo a coletivo, foram nove nos dois primeiros meses de 2017, e 32 no mesmo período deste ano. Já o roubo a transeunte, no período observado, ficou em 69 no ano passado, e 106 em 2018.

O Lixão da Estrutural era considerado o maior da América Latina.
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