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quarta-feira, 25 de julho de 2018

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ANA MARIA CAMPOS

Jofran Frejat (PR) acordou cedo ontem, como de costume, com o veredito: avisaria ao líder do partido, Valdemar Costa Neto, que estava fora da eleição. O juízo estava formado havia dias. Foi uma decisão tomada no momento em que anunciou que repensaria a candidatura, há quase duas semanas. Ao lado do deputado Laerte Bessa (PR/DF), serviu café e pão de queijo na conversa com Valdemar. O encontro durou pouco mais de 30 minutos. Estava encerrada, assim, a participação do ex-secretário de Saúde na campanha de 2018.

Frejat recebeu em casa a reportagem do Correio, quando Valdemar saiu. O líder do PR não quis comentar nada: “Não vou falar. Pergunte ao Frejat”. Enquanto dava entrevistas, o ex-candidato recebia ligações e confirmava a notícia sobre a desistência. Muitas ligações. Explicava a cada um. Entre os que telefonaram havia políticos da oposição, como o deputado Chico Vigilante (PT). “É o Chico. Não posso deixar de atender”, afirmou.

Apesar das diversas explicações, a dúvida sobre a saída de Frejat permanece. Por que alguém que foi cinco vezes deputado federal, secretário de Saúde, candidato ao Senado, a vice-governador e governador desiste de chegar ao Palácio do Buriti no auge da popularidade? “Acho que fiz bom um trabalho. Não sei se, como governador, diante das forças que existem em vários setores, conseguiria fazer o mesmo trabalho”, afirmou. Confira os principais trechos da entrevista:

Por que o senhor desistiu da campanha?


Acho que não vale mais a pena. Acredito que poderia fazer um bom trabalho por Brasília. Mas há tanta coisa difícil. Inclusive, parte do motivo vem da família, que disse: “Você vai entrar num negócio desse?”. A minha filhotinha, então, que fez 18 anos agora, fez aquela prova da Fuvest no segundo ano e passou em engenharia. E perguntava: “Pai, você não quer que eu vá?”. Eu respondi: “Espera resolvermos isso aqui.”

O que são? As intrigas, as fofocas, as mentiras?
Eu disse que desisti. Ajuda-me a sair.

Mas vai apoiar alguém?

Vou apoiar o pessoal do meu partido, da coligação. O que puder fazer para ajudar…

Então, não será candidato nem ao Senado?

Não vou ser candidato a nada. Não fizeram colocação nenhuma. Apenas acenaram.

Mas, se o senhor quisesse ser candidato ao Senado, não faltariam aliados para oferecer uma chapa…

Não estou com essa preocupação. Não vou disputar governo. E não tenho nenhuma pretensão em disputar qualquer cargo político.

Numa frase, o que incomoda tanto o senhor?


Vou falar como aquela figura do Chico Anysio, na Escolinha do Professor Raimundo, onde o Pedro Pereira, aquele que era enjoado, diz: “Me convença”.

Então, faltaram motivos para ser candidato? O senhor não acha que poderia fazer muito pela cidade?

Acho que posso fazer muito pela cidade. Teria vontade. Mas, como disse, as divisões são de tal ordem… Acho que, para fazer algo pela cidade, você tem de estar unido. Não se faz separado. Tem de juntar todos.

O senhor desistiu da política?

A minha palavra, nesse caso, é desprendimento. Eu nunca pretendi estar em eleição. Da vez em que fui chamado para ser secretário de Saúde, foi contra a minha vontade. Eu não pretendia. Mas estava como um cirurgião muito conhecido, muito respeitado. Tinha operado várias autoridades médicas. Então, na época, o governador que estava indicado me pediu que fizesse um plano de saúde. Quando eu fiz o plano, com construção de postos de saúde, hospitais regionais, entre outros, o Lamaison me colocou no carro e disse: “Vamos conversar”. Levou-me para o presidente, que falou: “Mas você não quer aceitar?”. Decidi ficar dois anos. Comecei a construir 40 centros de saúde de uma vez, Hospital de Ceilândia, Hran, Hemocentro… Fiquei mais de dois anos e me levaram para a Previdência, com um ministro que queria que eu implantasse em todo o Brasil o que fiz em Brasília. Fizemos as ações integradas da saúde. Daí, surgiu a eleição. Não queria também. Foram me buscar em um plantão, quando eu estava operando. Acabei entrando. Estou desmoralizando aquela frase do Sarney, que diz que política só tem porta de entrada, mas não de saída. Eu estou saindo.

Mas está saindo feliz? Com dever cumprido?


Temos de analisar as nossas possibilidades. Acho que fiz bom um trabalho. Não sei se, como governador, diante das forças que existem em vários setores, conseguiria fazer o mesmo trabalho. Mas faria um bom trabalho.

Dos candidatos colocados, qual o melhor?
Não faço nenhum tipo de restrição. Até porque é preciso ver a pessoa na atuação para saber se ela é boa ou ruim.

Rollemberg é bom ou ruim?

Não faço comentários sobre isso. Quando me perguntam: “Mas você não fala mal do Rollemberg?” Eu respondo: “E precisa?”. Não falo mal de ninguém.

Mas o senhor não pensa em apoiá-lo?

Eu conversei com Rollemberg algumas vezes. Não tenho nenhum problema pessoal.

Então quando o senhor disse, no primeiro momento, que repensaria, tinha praticamente definido que não voltaria?

Estava definido. O que havia era o pessoal pedindo. Fizeram um verdadeiro comício na porta da minha casa. Eu ia dizer o quê? Falei que pensaria, refletiria e rezaria. Mas, naquele momento, o meu coração não pedia mais que eu fosse candidato. Não queria ser motivo de discórdia entre grupos.

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