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domingo, 22 de julho de 2018

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“Fiz o que tinha de fazer”, diz assassino confesso de Janaína Romão

Ao ser preso, Stefanno Jesus Souza Amorim admitiu agressões e o assassinato da ex-mulher, mas negou ameaças às filhas do casal

SEGURANÇADiligências realizadas após denúncia anônima ao serviço 197 da Polícia Civil do Distrito Federal levaram os investigadores ao paradeiro exato de Stefanno Jesus Souza de Amorim, acusado de assassinar a ex-mulher, a funcionária terceirizada do Ministério dos Direitos Humanos Janaína Romão Lúcio. O homem foi encontrado na casa de uma irmã, na Quadra 510 do Recanto das Emas, na tarde desta terça-feira (17/7).


Na delegacia, Stefanno confessou ter matado a ex-mulher: “Fiz o que tinha de fazer”. O homem esfaqueou Janaína cinco vezes. Ela foi atingida no peito e nas costas, e recebeu socorro, mas não resistiu aos ferimentos. O crime ocorreu nesse sábado (14), em Santa Maria. À polícia, porém, ele negou ter ameaçado as próprias filhas, de 2 e 4 anos de idade, conforme denunciaram os familiares da vítima.

De acordo com o delegado Alberto Rodrigues, titular da 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) e responsável pela investigação, o acusado não resistiu à prisão. No momento da abordagem, carregava consigo uma carta de seis páginas escrita à mão, na qual explica o histórico de seu relacionamento com Janaína, na perspectiva dele.

Segundo Stefanno, a vítima dificultava o acesso dele às filhas, e o casamento nunca chegou a ser desfeito em definitivo. “A gente brigava de vez em quando, mas nunca terminamos”, contou nesta tarde à imprensa.

Morte anunciada

A morte de Janaína é o quarto homicídio praticado pelo acusado, conforme informou o delegado do caso. Segundo Rodrigues, o assassino tinha dificuldade em estabelecer endereço fixo, devido à quantidade de inimigos feitos no mundo do crime. “As amigas de Janaína, inclusive, eram mulheres de pessoas que queriam matar Stefanno”, declarou o policial.

Janaína era vítima de agressões e denunciou o ex-marido à polícia pelo menos duas vezes, em 2014 e 2017. A Justiça decidiu favoravelmente à concessão de medida protetiva à mulher, mas o processo acabou arquivado, pois ela teria retirado a queixa.


Janaína morreu esfaqueada em Santa Maria, quando foi buscar as duas filhas na casa de Stefanno: cinco facadas mataram a jovemReprodução

Nas redes sociais, a vítima chegou a ser ameaçada pelo ex-companheiroReprodução

Janaína e StefannoJP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

Janaína e StefannoJP Rodrigues/Especial para o Metrópoles

A jovem tinha 30 anosDivulgação/Facebook

Janaína trabalhava no Ministério dos Direitos Humanos Reprodução

Em seu depoimento à polícia, Stefanno disse ter traído a então companheira recentemente. Ao saber do caso extraconjugal, na versão do homicida, Janaína também teria cometido uma traição.

“Ele chegou a persegui-la numa festa junina do trabalho dela. Janaína teria dito que não o queria ali e voltaria à noite [para casa]”, detalhou o delegado. “Ele, então, passou a monitorar sua chegada, mas acabou descobrindo que ela não tinha dormido em casa. Janaína estaria voltando a se relacionar com o primeiro marido, o que teria provocado ciúmes”, disse o delegado Rodrigues.

Esse teria sido o estopim para a briga entre o casal que resultou no esfaqueamento de Janaína por Stefanno, no último sábado (14/7). Desde o crime, ele permaneceu foragido, mas entrou em contato com os parentes da ex-mulher, exigindo que eles lhe entregassem as filhas.

O policiamento durante o enterro da servidora do Ministério dos Direitos Humanos chegou a ser reforçado, pois a família temia que Stefanno aparecesse no local. Com a prisão decretada pela Justiça, a polícia estava no encalço do acusado, o qual responderá por feminicídio.


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