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domingo, 15 de julho de 2018

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Marina Silva se mantém forte, longe de polêmicas e escândalos de corrupção
Apesar de não entrar nas principais negociações de alianças e palanques regionais, a presidenciável Marina Silva mantém o fôlego. Memória do eleitor e sentimento de mudança explicam a performance.
No mar de nomes cotados para a corrida eleitoral deste ano, a pré-candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) se coloca como uma opção de centro, afastada da polarização que causa boa parte dos problemas políticos que o país enfrenta. Longe de escândalos de corrupção, com discursos diplomáticos e um eleitorado fiel, Marina segue como a terceira mais votada nas pesquisas, atrás apenas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Jair Bolsonaro (PSL). Na última pesquisa Ibope, divulgada no fim de junho, ela tinha 13% das intenções de voto no cenário sem Lula, perdendo apenas para Bolsonaro (17%). Por outro lado, o partido pequeno e a dificuldade em formar alianças podem ameaçar a campanha da pré-candidata quando o jogo começar oficialmente.

A resiliência de Marina Silva é analisada por especialistas como um emaranhado de atitudes que a mantém como forte candidata. Por ser a terceira candidatura dela ao Planalto e ter avançado nas últimas eleições, a ex-ministra conseguiu a exposição para se tornar conhecida e fidelizou eleitores. Ela conta, segundo o gerente de análise da consultoria Prospectiva Thiago Vidal, com “um recall muito grande”. Além do bônus da memória do eleitor, muitos analistas consideram que a campanha tem apelo forte, pois se baseia em uma nova proposta política que foge dos partidos maiores, como PSDB, PT e MDB. Outro fator que pesa favoravelmente é o fato de ela nunca ter se envolvido em casos polêmicos da política.

O cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV) Sérgio Praça aponta coincidências entre os três pré-candidatos que seguem à frente nas pesquisas de intenção de voto — Ciro Gomes (PDT), Bolsonaro e Marina. Todos utilizam o discurso de não formarem alianças com os antigos caciques, já velhos conhecidos da população, ou que tenham conquistado os holofotes por denúncias de corrupção. “Normalmente, ser de uma legenda pequena atrapalharia a caminhada, mas, nesse caso, ajuda. Inclusive, porque não há nenhum escândalo envolvendo a Rede”, avalia Praça.

A peregrinação solitária, entretanto, pode afastar Marina da Presidência. Embora ela mantenha negociações com partidos como PPS, PHS, PROS, os obstáculos para formar aliança e a dificuldade da pré-candidata em negociar podem fazer com que ela não conquiste mais tempo de televisão. “Para ela, o tempo de tevê é mais importante que a internet, porque precisa conquistar as pessoas que ainda não se decidiram ou votarão nulo”, esclareceu Praça.

Se for sozinha, Marina terá direito a apenas 46 segundos nas telinhas por dia, nove segundos a cada bloco de 12 minutos, e sem garantia de participação em debates. Outra desvantagem de Marina será quanto aos recursos escassos do fundo eleitoral, na comparação com outros candidatos. Enquanto a Rede conta com R$ 10,6 milhões do fundo eleitoral, partidos maiores têm até sete vezes mais dinheiro para destinar aos candidatos à Presidência. O PSDB, por exemplo, anunciou que gastará R$ 70 milhões do fundo com a campanha de Alckmin, o teto permitido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Aproximação com evangélicos

Na busca pelo eleitorado evangélico, a pré-candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, se encontrou, na noite de sexta-feira, com pastores de igrejas históricas que se distanciam da pauta defendida pela bancada evangélica no Congresso Nacional. O movimento foi visto por interlocutores e líderes religiosos como contraponto a Jair Bolsonaro (PSL), presidenciável que vem recebendo apoio de figuras evangélicas críticas a Marina. A pré-candidata se reuniu, na capital paulista, com um grupo de pastores composto em sua maioria por presbiterianos, batistas e luteranos que já a apoiaram em eleições anteriores. No discurso, ela defendeu pontos de uma reforma política apresentada pelo movimento Reforma Brasil, encabeçado pela Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo.

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