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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

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Por Carlos Fernando, presidente em exercício do SindMédico-DF

O próximo governador do Distrito Federal terá de lidar com um legado nada animador: o DF vive, hoje, uma crise administrativa, financeira e política. Basta conversar com a população do DF para ter uma ideia. Nunca houve, antes, um grau de insatisfação tão grande com a gestão do Buriti. No que diz respeito à Saúde, por exemplo, na última semana, a “remodelação” da Atenção Primária foi, novamente, criticada por aqueles que mais necessitam: os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS-DF). Para a maioria deles, a “estratégia” (sem rumo), apenas agravou os problemas no atendimento.

Lembro-me que, lá no início, as alterações no modelo da Atenção Primária foram questionadas pelo SindMédico-DF. Em fevereiro do ano passado, o presidente licenciado da instituição, Dr. Marcos Gutemberg Fialho da Costa, afirmava: “O projeto precisa ser discutido. E, no entanto, foi colocado de forma imposta, precipitada e sem levar em consideração as necessidades e peculiaridades da Atenção Primária”. Ou seja, trata-se de outra tragédia anunciada. Uma bagunça que o próximo governador terá de arrumar. E, isso, sem contar com a terceirização do Hospital de Base: outro projeto tão sem rumo quanto Rollemberg e sua equipe.

No campo econômico, o cenário também não é nada positivo. Hoje o Distrito Federal possui uma média de 320 mil desempregados. Número que equivale a 19,5% da população economicamente ativa. Os dados são da própria Secretaria de Trabalho. Mas isso é apenas parte do problema. Até hoje, as 32 categorias de servidores do DF aguardam a terceira parcela do reajuste salarial aprovado em 2013: mais um problema que terá de ser sanado pelo governo seguinte.

E o Iprev? Primeiro, o GDF saqueou nada menos do que R$ 1,7 bilhão do instituto. Depois, no ano passado, insistiu na aprovação, feita às pressas, de uma nebulosa reforma previdenciária local, que unificou os fundos do Iprev. E, agora, o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) está na corda bamba, o que coloca em risco para o DF, entre outras coisas, contratos, empréstimos e convênios. Mais um legado de Rollemberg para dar muita dor de cabeça ao próximo governador que, tenho fé no bom senso, não há de ser o mesmo que hoje leva o DF às ruínas.
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O atual governador tenta a reeleição. E anda dizendo por aí até que “tem transformado a vida das pessoas”. Concordo. Acho que, talvez, essa seja a única frase incontestável de suas propagandas. De fato, houve uma ampla transformação na vida da população nos últimos quase quatro anos. Só que para pior. Chega logo outubro.

Carlos Fernando é presidente em exercício do SindMédico-DF
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