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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

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Desabafo de Theresa contra Ibanes

Acredito que vocês, pessoas que me seguem e amigos, estejam bastante frustrados com o cenário político atual, assim como eu.
A ignorância é um problema gravíssimo e está sendo somada pela falta de empatia.
Aqui em Brasília, o Ibaneis está na disputa de segundo turno pra governador do Distrito Federal. Ontem a tarde, expus a minha opinião sobre a tal situação e fui bombardeada de argumentos favorecendo o candidato.

Em 1997, quatro jovens atearam fogo no índio Galdino, que estava dormindo em uma parada de ônibus na W3 sul. Ibaneis foi o advogado do Gutemberg Nader, o único menor de idade envolvido nesse crime. Que “pagou” pelo crime cumprindo uma pena de apenas 1 ano.
Os outros três jovens foram condenados a 14 anos de cadeia, mas em 2004 já estavam soltos.
Ibaneis citou que Gutemberg é uma pessoa com a personalidade ‘normal’, excelente com a família e como filho.

Vamos lá, a minha opinião vem sido criada a partir de toda a minha luta individual e social. Espero que as pessoas que simpatizem comigo leiam com carinho e tentem compreender o meu extremismo contra esse candidato.
Eu sou filha de um filipino, imigrante, que chegou no Brasil em 1990. Meu pai é monge da Ananda Marga, é professor de yoga e meditação, chefe de cozinha da culinária indiana vegana e, de longe, o ser humano mais carinhoso, sincero, respeitoso, sábio, humilde e transparente que conheço.
Meu pai é índio.
Tem traços indígenas muito fortes. Se identifica como um.

Quando fiz 12 anos comecei a perceber o quanto meu pai sofre por ser negro, imigrante e índio. Já sentei em uma padaria com ele e escutei a atendente me perguntar se – o moço que estava ao meu lado estava me ‘incomodando’. Já entrei em mercados com ele e vi todos os seguranças indo atras de nós. Já entrei na Forever 21 com ele e no caixa a moça me falou que eles não podiam fazer descontos nas roupas (eu não tinha pedido desconto algum!).
SENDO QUE, isso nunca aconteceu enquanto eu estava sozinha ou com a minha mãe, que é branca.

A luta indígena é completamente invisível e menosprezada. O que aconteceu com o Galdino poderia ter acontecido com o Sádhaná, meu pai. Ou com qualquer um de nós.
É de imensa tristeza ver um candidato a governador que defendeu Gutemberg estar com a maioria dos votos. Entendo que “ele fez o papel dele com advogado”, mas não entendo como defender o criminoso a ponto de pagar um assassinato com 1 ano de cadeia e defendê-lo de boca cheia dizendo que a personalidade é ‘normal’.

Não é normal! Nunca vai ser.
Isso não é problematização, é fato. Vamos nos unir aos indígenas e lutar pelos direitos humanos. Não sejam cegos! Tenham empatia. Se coloquem no lugar da minoria e lutem pelos ideais que acreditam.
Peço ajuda e apoio de todos pra irmos contra o Ibaneis no segundo turno!

Galdino morreu por ser índio!
Nós vamos lutar para que essa situação nunca seja vista com normalidade.

O Ibaneis representa não só uma ameaça a nossa existência, como também o que há de pior da velha política.
Ele foi indiciado pela falta de pagamento aos cabos eleitorais,
denunciado pelo MPF por superfaturamento e dano ao erário na Bahia e denunciado por Eliana Pedrosa (PROS), Rogério Rosso (PSD), Alberto Fraga (DEM), Alexandre Guerra (Novo), Júlio Miragaya (PT), Fátima de Sousa (PSol) e Paulo Chagas (TRT) por suposta compra de votos.

Fontes:
https://www.metropoles.com/…/cabos-eleitorais-de-ibaneis-pr…
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