sábado, 29 de dezembro de 2018

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Análise: PT sinaliza com a volta do radicalismo na gestão Bolsonaro
Os petistas imaginam que o governo de Bolsonaro não vai dar certo. A estratégia da sigla é apostar na autodestruição do adversário
A decisão de boicotar a posse de Jair Bolsonaro exibe muito mais do que apenas um comportamento de mau perdedor dos petistas. O movimento do PT, feito de forma estudada, deixa claro que a legenda fará sempre oposição radical ao futuro governo. Independentemente da proposta que estiver sob a mesa de votação, os integrantes da sigla sinalizam que a ordem foi dada: se Bolsonaro apoiar um projeto – qualquer que seja –, o Partido dos Trabalhadores estará do lado oposto. E isso indica que temas difíceis, como a reforma da Previdência, enfrentarão feroz oposição quando forem apreciados.

Se estivessem apenas incomodados com a festa do próximo mandatário do país, bastava aos petistas não aparecer em Brasília. Quem notaria ou ligaria para essa ausência numa festa celebrada por rivais? Mas o PT fez questão de divulgar um comunicado oficial avisando que faria o boicote. Ou seja: era importante marcar esta posição. A ideia é rivalizar e polarizar com Bolsonaro. Se o futuro governo não decolar, o partido estará bem posicionado para tentar voltar ao Planalto. Se Bolsonaro for bem, segue o jogo com a legenda buscando maior protagonismo no campo da oposição.

O PT tem seus motivos para agir assim. O partido só teve bom desempenho eleitoral no Nordeste, onde elegeu quatro governadores: Rui Costa (BA), Fátima Bezerra (RN), Wellington Dias (PI) e Camilo Santana (CE). Nos maiores centros, fracassou. Pior: viu crescer o desempenho de outras forças de esquerda, como o PSOL, o PSB e, especialmente, o PDT, liderado por Ciro Gomes. Com Lula preso e fora do Planalto, o sigla decidiu partir para uma reinvenção. E esse processo passa necessariamente pela ocupação de espaço de principal força de oposição.
Como os petistas imaginam que o governo de Bolsonaro não vai dar certo, a ideia é apostar na autodestruição política do adversário e ocupar o espaço de principal alternativa de esquerda. Por isso, até uma simples malcriação antipática, como a do boicote à posse, passa a ser uma decisão estratégica. O PT mira a sua reconstrução interna e externa e parte para a adoção de um radicalismo dentro do Congresso contra Bolsonaro. Só assim, terá alguma chance de estruturar novamente uma campanha presidencial competitiva para buscar a retomada do poder perdido.

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