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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

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Foto: Arquivo Pessoal/Cristiano Acioli

''Fui a favor de Lula e agora escolhi por Bolsonaro'', diz advogado que criticou STF a Lewandowski

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o advogado Cristiano Acioli lamentou ter sido ''coagido'' pelo ministro e falou sobre suas posições políticas

Cristiano se define como militante dos direitos da sociedade e apaixonado pelo Brasil
Bianca Sousa

O advogado Cristiano Caiado de Acioli, 39 anos, era mais um passageiro num voo SP–Brasília. Mas o encontro casual com o ministro do STF Ricardo Lewandowski, no avião, lhe rendeu “fama” no País. Após dizer ao juiz que a Corte é “uma vergonha”, Cristiano teve voz de prisão e ficou detido por mais de sete horas na Polícia Federal. Em entrevista à repórter Bianca Sousa, o advogado falou sobre o acontecido e suas posições políticas.
Entrevista
JORNAL DO COMMERCIO – Quem é o Cristiano?
CRISTIANO CAIADO DE ACIOLI – Tenho 39 anos e sou advogado, militante dos direitos da sociedade e apaixonado pelo Brasil. Amo cada pedaço de terra desse País e ver isso aqui melhor, é maior que tudo.
JC – Sua família te influenciou a ter caráter crítico? CRISTIANO– Meu pai, Adalberto Acioli, era arquiteto e sempre me dizia que a maior riqueza que ele poderia me passar é andar de cabeça erguida. Minha mãe, Helenita Caiado, subprocuradora da República, e já esteve à frente do Ministério Público Federal, sempre passou para nossa família este senso de justiça. Meu irmão, Bruno Caiado de Acioli, é Procurador da República do Distrito Federal e também pegou gosto pelos ensinamentos passados por nossos pais.
JC – Com este cunho político tão presente no meio familiar, você é militante de algum partido? CRISTIANO – Já fui filiado ao PT, fui fiscal do partido e carreguei a bandeira em época de eleição. Fui à favor de Lula; votei em Dilma, e agora escolhi por Bolsonaro. Meu posicionamento é o Brasil, meu partido é o País. Sou a favor do certo, e mesmo tendo votado em Lula nas eleições anteriores, assinei uma representação contra ele na Operação Lava Jato, juntamente com um grupo de advogados, para que fosse negado o habeas corpus que a defesa pedia.
JC – Após o ato dessa terça-feira (4), do relato sobre a vergonha que você disse sentir do STF, e depois de passar mais de sete horas detido na Polícia Federal, qual seu sentimento em relação à democracia? CRISTIANO – Nenhum cidadão, independente de ser advogado, faxineiro, seja o que for, ninguém poderia passar por isso. O que é a democracia se a gente não pode criticar? Sinto mais vergonha do STF depois de hoje, depois de ter sido coagido por alguém que deveria proteger meu direito de falar, pois este é o papel de um juiz de Suprema Corte, é defender as leis.
JC – Entre críticas e apoios, muitos destacam você como “corajoso”. Como você se define?CRISTIANO – Eu tenho medo de tudo. Medo de sair e de não voltar, medo de falar e ser julgado. Mas se calar é pior. Não é sobre dar um discurso ditatorial, mas um discurso harmonizador para buscar o bem comum independente de qualquer coisa. O Brasil está acima de todos. Eu falei por mim, não por todos, mas o brasileiro tem tanta coisa que tem que ser preservada, principalmente a voz, por isso não me calei. Senti na pele o que seria uma ditadura. Não sou “amigo do Rei”; me senti impotente e indefeso, mas cumpri meu papel, o de exercer o bem mais precioso, a democracia.

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