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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

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MPGO recebe 40 denúncias contra João de Deus em menos de oito horas
Do total, 35 foram enviadas ao Ministério Público de Goiás por e-mail exclusivo para relatos de vítimas. Endereço foi criado nesta segunda
Balanço divulgado pela força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) mostra que, apenas nesta segunda-feira (10/12), quando investigação conjunta do MPGO com a Polícia Civil goiana foi instaurada contra João de Deus, 40 mulheres denunciaram às autoridades goianas abusos sexuais supostamente praticados pelo médium.
O MPGO criou um e-mail exclusivo para receber relatos de vítimas do cirurgião espiritual e, em menos de oito horas após tornar público o endereço – denuncias@mpgo.mp.br –, 35 ex-pacientes enviaram relatos de estupros e abusos. Outras cinco vítimas procuraram a sede do órgão.
A triagem dos casos está sendo realizada, e essas novas denúncias somam-se às mais de 200 vítimas estimadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), conforme revelou o programa televisivo Fantástico, na noite de domingo (9).
As oitivas de todas as vítimas estão sendo agendadas para os próximos dias. Duas psicólogas e cinco promotores foram designados para a força-tarefa pelo procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto.
O Ministério Público goiano esclarece que não há necessidade de vítimas de outros estados se deslocarem a Abadiânia (GO), onde teriam ocorrido os abusos. Os relatos poderão ser encaminhados por esse e-mail, cujo sigilo é assegurado. As vítimas também podem registrar seus depoimentos em suas próprias cidades, pois há uma articulação entre os MPs para o acolhimento desses casos.
Abusos durante atendimentosO médium foi acusado de “fraude sexual” pela primeira vez em 2008, conforme revelou a revista Veja Brasília em 2013. Uma moça, na época com 16 anos, sofria com crises de pânico e buscou a Casa Dom Inácio de Loyola, centro espírita onde João de Deus faz os atendimentos e local onde teriam ocorrido casos de estupro e abusos.
De acordo com o relato da adolescente no processo, o modo de agir do médium, na ocasião, foi idêntico ao denunciado por várias vítimas. Quando a jovem entrou, acompanhada do pai, João teria pedido ao homem que ficasse de costas e com os olhos fechados. “Ele acariciou os seios, barriga, nádegas e virilha da menina”, descreve a ação. E ainda sustenta: “Não satisfeito, o denunciado segurou, por cima da roupa, a mão da vítima, movimentando-a para cima e para baixo sobre seu órgão genital, afirmando que através daquele tratamento ela seria curada”.
InocentadoA juíza da comarca de Abadiânia, Rosângela Rodrigues Santos, considerou em sua sentença que não há como tipificar no episódio o crime de fraude sexual, previsto em quatro hipóteses: substituição de uma pessoa por outra, quando o agente simula celebração de casamento, má-fé em união por procuração e em caso de estado de sonolência da vítima.
No documento, a magistrada disse ter convicção de que o ato foi praticado, mas considera que a moça, embora com síndrome do pânico, tinha condições de evitar o episódio, por exemplo, pedindo ajuda ao pai, que estava na sala. O médium foi inocentado em 2010, sob o argumento de falta de provas para a condenação.

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