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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

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Vale diz que vai acabar com todas as barragens como as de Brumadinho
Presidente da empresa, Fábio Schvartsman afirmou que a mineradora deixará de produzir 40 milhões de toneladas de minério de ferro anuais por até três anos para conseguir descomissionar 10 estruturas restantes
A Vale vai acabar com todas as barragens à montante como a de Brumadinho e, para isso, terá de paralisar as atividades, reduzindo a produção em 40 milhões de toneladas de minério de ferro e 11 milhões de toneladas de pelotas por ano, anunciou nesta terça-feira (29/1) o presidente da companhia, Fábio Schvartsman. Em reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a diretoria da empresa responsável por duas tragédias em menos de três anos em Minas Gerais, que juntas deixaram mais de 100 mortos, apresentou seu plano de ação para evitar novos desastres. Após o encontro, que durou quase quatro horas, Schvartsman divulgou as medidas.
“Em primeiro lugar, a gente continua focado no atendimento às famílias das vítimas e ao resgate das pessoas vitimadas pela enorme tragédia de Brumadinho”, disse. “Há dois dias estive lá e afirmei qual seria o propósito da empresa. Que iríamos acima e além de qualquer norma legal para dar uma resposta à altura ao acidente que aconteceu”, afirmou.
Schvartsman ressaltou que, desde o acidente em Mariana, em 2015, a Vale verificou que tinha 19 barragens com construção à montante - quando a barreira é construída sendo elevada na forma de degraus, utilizando o próprio rejeito no processo - e tornou todas elas, inclusive a de Brumadinho, inativas. “Desde então, começamos a trabalhar com especialistas internacionais para iniciar o processo de descomissionamento delas”, explicou.
Nova das 19 já foram descomissionadas, que é quando os empreendimentos já desativados desaparecem por completo, sendo reintegrados à natureza. “Por conta da tragédia, decidimos acelerar o processo. A companhia não pode mais ter esse tipo de barragem. Porém, para isso, será necessário paralisar as operações de mineração em todos os sites que estão nas proximidades dessas barragens”, assinalou o presidente da Vale.
Com a paralisação, que deve levar de um a três anos, a companhia estima que vai retirar da sua produção anual 40 milhões de toneladas de minério de ferro -- o que representa 10% das 400 milhões de toneladas produzidas pela companhia por ano -- e 11 milhões de toneladas de pelotas. “Vamos emitir um fato relevante para informar ao mercado sobre a decisão, porque terá um impacto produtivo na companhia”, destacou. A Vale projeta aportar R$ 5 bilhões no descomissionamento das barragens.
A companhia vai levar o plano de ação aos órgãos ambientais em 45 dias e, assim que obtiver as licenças, iniciará o processo imediatamente. “O plano foi produzido três a quatro dias após o acidente e é definitivo. Para não deixar dúvidas de que todo o sistema está seguro, temos laudos que comprovam que todas as nossas estruturas ativas estão em perfeitas condições.Mas, mesmo assim, decidimos não aceitar apenas os laudos e agir de outra maneira”, justificou.
Todas as barragens que serão reintegradas à natureza ficam em Minas Gerais. “Já estão inativas, mas agora serão esvaziadas e deixarão de ter características de barragem. Os rejeitos poderão ser reaproveitados, como tijolos, ou simplesmente serão incorporados ao ambiente”, explicou o presidente da mineradora. Para realizar o descomissionamento serão contratadas empresas de engenharia especializadas. “Nunca mais essas barragens serão usadas”, garantiu Schvartsman.
Segundo ele, a Vale, atualmente, só utiliza barragens à jusante ou mesmo a seco. Dois meses após as licenças ambientais serem emitidas, a companhia vai começar a desmobilizar as operações. “Em Brumadinho, vamos continuar o trabalho de recuperação e também vamos descomissionar a barragem”, destacou.
Sem demissõesQuestionado, o presidente da Vale negou que a atual diretoria tenha sofrido qualquer tipo de pressão. “Em nenhum momento, ouvi falar de intervenção nem pressão sobre o conselho de administração. O que tivemos até agora foram reuniões absolutamente técnicas”, assegurou. Sobre os empregados da companhia presos hoje, Schvartsman disse apenas que a “Vale sempre defenderá seus funcionários”.
O dirigente afirmou, ainda, que o plano de ação da empresa não prevê demissões. “Os cerca de 5 mil trabalhadores que operam nas unidades que serão paralisadas vão ser absorvidos em outras atividades. Não haverá demissões”, prometeu. “O que estamos fazendo é acelerar um trabalho que vinha em andamento. Não fizemos mais rápido, porque não havia necessidade. O acidente mudou radicalmente a nossa intenção. Queremos acabar com todas as barragens”, reforçou.

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