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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

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Desde o fim do ano passado, cerca de quatro mil famílias ocuparam de forma irregular área pública que a justiça determinou ao GDF desobstruir.

Em reunião no Palácio do Buriti, foi relatada pelas autoridades presentes a existência de “milícias” na Santa Luzia que impedem a ação dos agentes públicos, de empresas prestadoras de serviço e inclusive da administração Regional.
A temperatura está quente na Estrutural, mais especificamente na área da Chácara Santa Luzia. Desde o início do governo Ibaneis, pelo menos 4 mil famílias ocuparam a área. Parte da dessa área, uma franja de 300 metros dos limites do Parque Nacional de Brasília, já possui sentença transitado em julgado determinando ao GDF desocupar o espaço. Moradores prometem fazer o enfrentamento e segundo relatos de uma reunião ocorrida no Buriti, há indícios que milícias estão atuando na área.
O diagnóstico da existência de milicianos na Santa Luzia foi feito durante reunião realizada em 28 de janeiro no Palácio do Buriti, na qual participou o secretário de Atendimento à Comunidade do DF, Severino Cajazeira para discutir a situação da comunidade que ocupou a Santa Luzia na Estrutural. Estiveram presentes também os chefes de gabinete da secretaria de Relações Institucionais, Daniel Amaral, além de representantes da CEB, Caesb, SLU, Codhab, secretaria de Segurança Pública e da administração regional.
Na reunião, a Caesb relatou os furtos d’água a partir da rede que atende a parte regularizada da Estrutural e que esses gatos estariam provocando perdas de 80%, graças à “implantação de redes de tubulação clandestina, com cobrança por terceiros de água furtada.” Além do prejuízo financeiro e da queda de pressão, a Caesb afirma, segundo ata da reunião a que tivemos acesso, que a água foi contaminada por esgoto, o mesmo acontecendo com o lençol freático na localidade. Vale lembrar, que na sentença citada, o TJDF mandou o GDF lacrar todos os poços e fossas existentes. A Ceb também relatou o furto de energia elétrica a partir de gatos na rede de energia e que há riscos tanto para as pessoas que estão realizando esses gatos, quanto para aquelas que consomem a energia fornecida clandestinamente.Em reunião no GDF, representantes da CEB, Caesb e SLU alegaram falta de segurança para atuar na área Chácara Santa Luzia, da Estrutural.
Milícias
As duas empresas alegaram que não há segurança pública para garantir a ação de seus técnicos para desligar esses gatos. O Serviço de Limpeza Urbana relatou que seus caminhões de coleta não estão tendo condições de atual no bairro. Foi relatada pelas autoridades presentes a existência de “milícias” na Santa Luzia que impedem a ação dos agentes públicos, inclusive da administração Regional.
A tensão na Santa Luzia aumentou quando a CEB e a Caesb cortaram os gatos de ligações que abasteciam de luz e água os novos moradores. Os chamados milicianos teriam então passado a suprir a ausência das duas estatais do GDF ao garantir a continuidade dos serviços mediante a cobrança de taxas impostas aos moradores. O Comando da Polícia Militar nega que haja envolvimento de policiais nesta ação. Segundo a corporação, se existe milícia na Estrutural, esta não tem a participação de policias militares.
O administrador regional da Estrutural, Germano Guedes (PRB) nega a existência de milicianos. “O que existe é uma organização por parte dos moradores da comunidade da Santa Luzia, eles se organizam para comprar cano mangueira para a água chegar até as casas dele” – explica.
Lideranças tradicionais da Estrutural alegam, contudo, que se sentem ameaçados por grileiros.
DesocupaçãoA expectativa é que a qualquer momento o GDF proceda à remoção desses moradores. A alguns foi ofertada a possibilidade de ir morar em outras localidades do DF, já que por sentença judicial grande parte da Santa Luzia deve ser desocupada. Há ainda resistência em trocar os lotes ocupados por barracos por apartamentos do tipo minha casa minha vida que seriam erguidos na Estrutural. Nas redes sociais dos moradores da Estrutural, fala-se até em bloquear a Via Estrutural, que liga Ceilândia ao Plano Piloto. O clima é de guerra.
Quem conhece a história da Estrutural sabe que em seus primórdios, moradores que ocupavam a área irregularmente enfrentaram a Polícia Militar, na gestão de Cristovam Buarque. A cidade tem tradição guerreira e também de ocupação irregular de áreas públicas. Esse promete ser um grande desafio para a administração Ibaneis que se inicia.
Esperar para ver.

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Chico Sant'Anna                     https://chicosantanna.wordpress.com/2019/02/12/moradia-moradia-tensao-na-estrutural/
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