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quinta-feira, 28 de março de 2019

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PCDF apura denúncia de estupro contra ex-administrador de Santa Maria

Hugo Gutemberg foi acusado pela tia da vítima, de 13 anos. Suspeito já foi alvo de investigação por venda irregular de lotes
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma acusação de estupro de vulnerável apresentada contra Hugo Gutemberg, ex-administrador de Santa Maria. Segundo investigadores, a vítima tem 13 anos, e a denúncia foi feita pela tia dela à Polícia Militar (PMDF), que apresentou o caso na central de flagrantes da 20ª Delegacia de Polícia (Gama). A mulher do acusado, Ana Barbosa, também é investigada.

De acordo com a investigação, a garota teria sido convidada pela esposa do ex-servidor para dormir na residência do casal na última sexta-feira (22/3). Em depoimento aos policiais, a tia da adolescente disse que a menina “acordou com alguém passando a mão em seu corpo”. Ainda segundo a PCDF, ao saber do caso, o padastro da menina teria desferido um soco no rosto de Hugo.

A ocorrência foi registrada como vias de fato e estupro de vulnerável. Um inquérito policial foi instaurado nessa terça-feira (26/3) na 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria). O delegado cartorário da unidade, Paulo Fortini, disse que é preciso ter cautela porque as apurações ainda estão em fase inicial. “É um caso que chegou até nós recentemente. Então, a investigação não andou muito. Ouvimos as denunciantes e vamos ouvir os acusados”, contou.
O Metrópoles teve acesso a gravações que teriam sido enviadas pela vítima à prima no dia seguinte à data em que teria dormido na casa de Hugo, mas não reproduzirá os áudios a fim de preservar a identidade da menina. As duas garotas, menores de idade, foram ouvidas pela polícia.

Em uma mensagem, com voz de choro, a garota afirma que a esposa do suspeito, Ana Barbosa, teria tentado convencê-la a perder a virgindade com o companheiro. “Ela [Ana] chegou e falou: ‘você tem que perder com um cara mais velho, que tenha experiência e vá te bancar’. Eu não gostei disso”, diz a adolescente.
“Fui pra casa da Aninha e ela teve intenções de eu ficar com o marido dela para ele me bancar, mas eu não aceitei”, conta a menina na gravação.
O outro ladoProcurado pela reportagem, Hugo Gutemberg negou todas as acusações feitas contra ele e a esposa. A defesa do ex-administrador, por sua vez, assegurou que a denúncia é baseada em “alegações frágeis, infundadas e que ferem a honra de um cidadão”.
Segundo o advogado do ex-administrador regional, Francinaldo Santos, a menina teria sido convidada por Ana Barbosa por considerá-la “uma sobrinha”. Na versão dele, a investigada estava ajudando a mãe da adolescente a descobrir se a menina estava sendo abusada sexualmente pelo padrasto. “A mãe recorreu a Ana para que tentasse fazer a garota se abrir”, disse o defensor.
Questionado sobre os áudios, Santos alegou que houve uma interpretação equivocada dos fatos. “Trata-se de uma conversa muito delicada, onde a Ana estava tentando fazer com que a jovem se abrisse. Ela realmente comentou: ‘você tem que se relacionar com alguém experiente como meu esposo’, na esperança de que ela revelasse os supostos abusos.”
O delegado Paulo Fortini, no entanto, negou a alegação feita pelo advogado e foi enfático: “Não houve engano nenhum por parte da vítima”.

Por fim, Santos ressaltou que se as alegações contra o cliente fossem realmente contundentes, o “delegado, então, cometeu crime ao não lavrar o flagrante”. “Os laudos solicitados deram negativo. Se ele [policial] tivesse o mínimo de suspeita, tinha apreendido o Hugo.”
Investigado e exoneradoEm dezembro de 2018, o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) exonerou o administrador regional após o homem virar alvo da Operação Alto Comando, deflagrada pela PCDF em conjunto com o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A ação investigou irregularidades na venda de lotes de programas habitacionais do GDF e do Pró-DF. Contra Hugo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
De acordo com as investigações, o grupo agia em conluio com associações e cooperativas cadastradas nos programas habitacionais para ignorar a lista de beneficiados da Codhab e vender os lotes públicos a outras pessoas por até R$ 70 mil. Estima-se que cerca de 200 terrenos tenham sido entregues nessa condição.
O esquema envolvia, ainda, áreas destinadas ao Pró-DF. Nesse caso, os lotes eram repassados a terceiros por até R$ 3 milhões. As diligências da PCDF indicam a existência de ações do grupo na QR 119 de Santa Maria. Há indícios da ocorrência de crimes, como estelionato majorado, associação criminosa, corrupção passiva e ativa.

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