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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

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Desemprego cai no DF em junho e julho
PED mostra redução de 19,5% para 18%, mas faltam oportunidades para jovens da periferia e do Entorno
O Distrito Federal tem, atualmente, 308 mil desempregados. É o que mostra a última Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgada pela Secretaria de Trabalho e pela Companhia de Planejamento do DF Codeplan).
A PED mostrou que a taxa de desemprego no DF caiu de 19,5% para 18% nos meses de junho e julho de 2019. É o menor índice de desempregados desde outubro de 2018, quando havia 336 mil pessoas fora do mercado formal de trabalho na capital da República.
Este grande contingente de desempregados, porém, diz respeito apenas ao DF. A pesquisa não abrange os municípios na Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (Ride), que inclui Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho, Corumbá, Cristalina, Formosa, Luziânia, Mimoso, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso, Vila Boa, Alto Paraíso, Alvorada do Norte, Barro Alto, Cavalcante, Flores de Goiás, Goianésia, Niquelândia, São João d’Aliança, Simolândia e Vila Propício, todos em Goiás, e Arinos, Unaí, Buritis e Cabeceira Grande, em Minas Gerais.
Integração só existe no papel
A integração só existe no papel. As ações em conjunto entre o DF e os municípios do Entorno são raras. E quando ocorrem se mostram ineficazes para resolver problemas urbanos, sociais e econômicos.
Com isso, as dificuldades se acumulam em velocidade maior do que a operação estatal. Sem solução em curto prazo, a questão vira jogo de empurra ou promessa de campanha de candidatos aos cargos de prefeito e vereador, tendo em vista as eleições de 2020.
Um em cada quatro moradores de Brasília tem de 15 a 29 anos, faixa etária classificada como jovem. São cerca de 700 mil brasilienses (24,1%), segundo a pesquisa “O Perfil da Juventude do DF, feita pela Codeplan. Imagine este número na Ride, que, juntamente com o DF, forma hoje a terceira maior região metropolitana do País, com cerca de 4,5 milhões de pessoas.
Situação é pior entre os jovensOs dados da PED-DF não são nada animadores para os jovens. Segundo a pesquisa, a taxa de desempregados na faixa de 14 a 26 anos atinge 40,4% das pessoa. Para piorar a situação, os dados apontam que as regiões administrativas com o maior número de jovens, proporcionalmente ao de moradores, são as que têm menor renda, tais como estabelece o Grupo 4 da pesquisa (baixa renda): Varjão, Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, SCIA, Estrutural.
A taxa de desemprego nas cidades desse grupo é a mais alta no DF, chegando a 24,6%, de acordo com a PED. No Grupo 1, de alta renda (Brasília, Jardim Botânico, Lago Norte, Lago Sul, Park Way e Sudoeste), a taxa de desempregados é de um dígito: 8,6%.
No Grupo 2, de média-alta renda (Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II, Taguatinga e Vicente Pires), o desemprego sobe para 17,7%.
E Grupo 3, de média-baixa renda (Brazlândia, Ceilândia, Planaltina, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, SIA, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião, a taxa vai a 22,2%.
Disparidade entre a Capital e a periferia
Brasília vai completar 60 anos em abril de 2020. Há uma disparidade econômica entre a Capital e sua periferia metropolitana: segregação socioespacial e periferias paupérrimas.
Em minhas idas e vindas pelo DF, vi poucas oportunidades. Algumas igrejas evangélicas oferecem cursinhos de Inglês ou aula de violão. Em Samambaia, por exemplo, existem somente quatro escolas de Ensino Médio que funcionam à noite. E não há vagas para todos.
Os serviços públicos de educação, saúde, segurançae seguridade social são precários no DF e nos municípios da Ride. E tendem a piorar com as medidas de governo federal de retirar do mercado mais de R$ 1 trilhão com a reforma da Previdência Social.
O cenário fica ainda pior ao analisar o valor do salário mínimo do ano que vem: R$ 1.039,00, ou seja 4,11 vezes menor do que o calculado pelo Dieese (R$ 4.277,04).
A Constituição diz que o mínimo para sustentar uma família de quatro pessoas deve atender os gastos com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social.
(*) Presidente da TV Comunitária de Brasília
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