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domingo, 1 de setembro de 2019

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Durante 10 minutos, companheira de assassino confesso conversou com o Correio e disse que ela e filha estão escondidas. Elas se encontraram com Marinésio por duas vezes desde que ele foi preso

Por Isa Stacciarini / CB
“Se ele confessou os crimes que ele cometeu, tem que pagar”. O depoimento é da mulher de Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos. A mulher conversou com a reportagem por telefone, na manhã deste domingo (1/9). Durante quase 10 minutos, ela relembrou como conheceu o companheiro com quem dividiu a casa por 19 anos. Juntos, eles tiveram uma filha de 17 que não vai para a escola desde que os casos vieram a tona. “Nós estamos sem sair, ficamos escondidas. Desde que tudo aconteceu ameaçaram atear fogo na casa onde morávamos e tentaram arrebentar o portão. Parei de assistir televisão e entrar nas redes sociais. Minha filha que está acompanhando as coisas”, lamentou.
A mulher de voz firme conheceu Marinésio em 2002, no Paranoá, onde o homem morava naquela época. Eles começaram a se relacionar, passaram a viver juntos, e dois anos depois ela engravidou. “Antes de conhecê-lo, eu trabalhava. Mas ele falou que era ele quem tinha que trabalhar para cuidar de tudo em casa e preferia que eu ficasse cuidando do lar”, lembrou.
Em agosto de 2018, a mulher retomou a vida profissional e começou em um emprego como diarista, mas ficou só seis meses. “Em agosto deste ano iria fazer um ano se eu ainda estivesse lá”, ressaltou. Como a companheira de Marinésio não tinha renda, era ele quem arcava com as despesas financeiras. “Marinésio sempre trabalhou ‘fichado’. Quando estava com seguro desemprego ele fazia alguns bicos”, reforçou.
Companheira do assassino confesso de duas mulheres, ela também afirmou que nunca sofreu violência por parte do marido. “Para mim ele era a mesma pessoa até hoje. Nunca me espancou, nunca bateu na filha dele, nunca levantou a mão para a gente. Era um bom pai, um bom marido. Todo mundo que o conhecia diz que a ficha ainda não caiu”, confirmou.
Sobre o futuro, a mulher disse não fazer planos. “Só com os dias passando é que a gente vai ver o que vai acontecer”, destacou.
Visita duas vezes
Quando Marinésio ainda estava preso na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), a mulher foi vê-lo por duas vezes, acompanhada da filha. “Eu perguntei o que ele fez e ele disse que não era ele. Pediu desculpas, perdão. Minha filha chorou, disse o que ele tinha feito com ela, mas ela sempre fala que não vai abandonar o pai”, ressaltou.
Desde que o caso veio à tona, mãe e filha tiveram de mudar da residência onde moravam, no Vale do Amanhecer, em Planaltina. “Estou sem saber como vai ser daqui para frente. A vida continua, mas está muito difícil. Até agora eu fico me perguntando ‘meu Deus, o que ele teve (para fazer tudo isso)?'”
Para a mulher, a família tinha uma vida, até então, acima de qualquer suspeita. “Não via nada de diferente dele. Era uma pessoa normal. Gostava de criança, trabalhava, não fumava, não bebia, nunca usou droga. Era ele que colocava tudo para dentro de casa, inclusive. Para mim ele deu algum surto para fazer o que fez”, opinou.

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