domingo, 8 de setembro de 2019

author photo

Hoje é dia mundial da alfabetização, e o Brasil tem o que comemorar?
Para especialista, o país avançou muito nos últimos anos, mas ainda falta um longo percurso a ser percorrido para acabar com o analfabetismo
Professora da rede pública há 27 anos, Elizete Carvalho sabe muito bem quais são as alegrias de ver uma criança ler as primeiras palavras e as dificuldades para percorrer esse caminho.
"Eu sempre lecionei para crianças do ensino infantil e dos primeiro anos do fudamental, justamente nessa fase de alfabetização, e percebo que evoluímos muito no estudo da pedagogia", avalia Elizete. "No entanto, vejo que temos um longo caminho para percorrer, precisamos investir de verdade na educação básica e em toda a rede de apoio às crianças."
Para a Elizete, não basta ter lápis e caderno, os alunos, muitas vezes, precisam de apoio de psicólogos, fonaudiólogos e nem sempre conseguem uma consulta com um desses profissionais na rede de saúde. "É fundamental que haja uma política pública que supra as necessidades das crianças, a conta sempre cai no professor, mas tem muitos fatores envolvidos no processo de alfabetização que não podem ser ignorados."
Analfabetismo
De acordo com dados do Mapa do Analfabetismo do Brasil, produzido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), em 1900, 65% da população brasileira era analfabeta. Em 2018, esse número caiu para 7%.
"Se avaliarmos os números, veremos que avançamos muito nos últimos anos", diz Maria Alice Junqueira, coordenadora de projeto de alfabetização do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). "No entanto, não podemos esquecer que temos em torno de 13 milhões de pessoas que não sabem ler, nem escrever."
Como observa Maria Alice, o Brasil demorou para "universalizar a ensino, isso só ocorreu aqui no século 20, países vizinhos da América Latina começaram esse processo no século 19."
Essa dívida histórica coloca o país em uma posição não muito confortável. O Brasil, de acordo com uma pesquisa elaborada pela ONU (Organização das Nações Unidas), ocupa o 8º lugar no mundo com número de adultos analfabetos a frente da Indonésia e Congo.
Desafio
"Temos o desafio de garantir que todas as crianças matriculadas na escola sejam alfabetizadas na idade certa", observa Maria Alice. "O segundo ponto está em elaborar em políticas públicas e investir na infraestrutura, na formação e carreira do professor."
É possível? O Ceará é uma referência de sucesso na educação com a aplicação do Paic (Programa de Alfabetização na Idade Certa) implantado no estado em 2007. O resultado: em 2007, 21,4% dos estudantes do 5º ano tinham aprendizado adequado para a série em língua portuguesa e o Estado ocupava a 15ª posição no País. Já em 2017, o número saltou para 65,7%. E passou a ser o 6º melhor do Brasil nesse aspecto. "Um exemplo que mostra que é possível avançar", diz Maria Alice.

your advertise here
Próximo Próximo
Anterior Anterior

Tempo Agora

ESTRUTURAL - DF TEMPO AGORA