terça-feira, 22 de outubro de 2019

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Secretaria de Segurança investe em campanhas para prevenir feminicídios
Em entrevista ao CB.Poder, secretário de Segurança Pública diz que feminicídios são um desafio para o Estado, mas destaca investimentos em campanhas sobre o tema. Ele também falou sobre assaltos contra motoristas de aplicativos e reajuste das forças de segurança
Os casos recentes de feminicídio, a onda de assaltos contra motoristas de transporte por aplicativo e a frequência de roubos de celulares têm sido foco de estudos e alvo de operações da Polícia Civil do Distrito Federal. Nesta segunda-feira (21/10), em entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília —, o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, comentou alguns dos principais problemas nessa área. Em relação às 26 ocorrências de feminicídio registradas apenas neste ano no DF, ele considerou o cenário preocupante, mas afirmou que a pasta adota medidas para evitar esse tipo de crime.
Anderson Torres comentou, ainda, que aguarda reuniões com representantes das empresas de transporte individual para discutir saídas que contribuam com a diminuição de assaltos e latrocínios contra condutores e com as investigações policiais. “Até pouco tempo, não circulava dinheiro. Era só cartão. Isso não chamava atenção dos bandidos. Agora, acho que a questão de circular dinheiro traz o olhar mais apurado dessas pessoas”, avaliou o secretário.
Em relação à demanda do reajuste das forças de segurança, Torres afirmou que o assunto ainda depende de aval da Secretaria de Economia e do Governo Federal. Após conversas com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), o secretário disse que o desejo do chefe do Executivo nacional é de que as propostas caminhem juntas depois da aprovação da Reforma da Previdência. “Não vejo um atraso na tramitação do (reajuste) da Polícia Civil. Isso foi falado desde o início. (...) Mas acho que está tudo tempestivo”, ressaltou Anderson.
Ponto a ponto com Anderson Torres, secretário de Segurança Pública do DF
Violência contra a mulher
A questão do feminicídio é algo que preocupa a todos nós. É um crime que fizemos todo um estudo sobre ele e chegamos a conclusões que nos preocupam bastante. Entre elas, que é um crime cometido dentro de casa, (com) arma branca. (É) Um crime doméstico que o Estado tem uma dificuldade muito grande em chegar para poder preveni-lo. Neste ano, não há uma explosão do número de feminicídios. Não é isso. Temos alguns casos a mais. Acho que são cinco a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Mas nossa ideia não é ter casos a mais, é ter casos a menos.
E isso temos tentado fazer. Temos trazido uma campanha às ruas. Precisamos que essas informações cheguem à polícia, que essas denúncias ocorram. Em 100% dos casos, no inquérito, na apuração, quando se vai ouvir as pessoas, as testemunhas, elas dizem ‘Eu sabia que ela apanhava. Ele (agressor) bate nela (na vítima) há muitos anos. Ele grita com ela há muito tempo.’ E ninguém faz nada. Aquela coisa de que, em ‘briga de marido e mulher, ninguém mete a colher’. E é esse ditado que queremos quebrar. A Secretaria de Segurança começou o ano — depois de mapear e entender esse crime e como ele ocorre — com uma campanha que chamamos de ‘Meta a Colher’, que é isto: denuncie.
(...) Foi muito correto o legislador ter separado o feminicídio para podermos enxergar isso separado do homicídio. De 2015 para cá, as pessoas falam que há um aumento. Não é muito um aumento, é porque nunca se separou. Era tudo classificado como homicídio. Hoje, não. Hoje, aquele crime de gênero, praticado contra a mulher pelo fato de ela ser mulher, é separado dos demais crimes. (...) Na questão do feminicídio, assim como foi feito na questão do suicídio, precisamos de muito estudo em cima disso, para entender se há um fenômeno de incentivo com a divulgação. Ainda é uma coisa a se amadurecer bastante.
(...) A secretaria de apoio à mulher foi um grande avanço neste governo. Eles têm tentado criar melhores estruturas de atendimento. Nós também estamos buscando atendimento especializado em todas as delegacias do DF. Minha ideia é exatamente essa. Criar uma nova delegacia de atendimento específico à mulher na área de Ceilândia — que tem a maior parte da população do DF e uma área que precisa muito — e tentar ter núcleos eficazes, que funcionem 24 horas por dia em todas as delegacias. Realmente é muito difícil. A gente sabe que, a partir do momento em que cria coragem, que é agredida e chega a uma delegacia, ela precisa ter um atendimento especial, diferenciado.
Assaltos a condutores do transporte individual
Estamos trabalhando pesado nisso. Não há uma quadrilha específica. São várias pessoas. Estamos tentando trazer empresas que prestam esse serviço para discussão também. (É) uma responsabilidade deles. Até pouco tempo, não circulava dinheiro. Era só cartão. Isso não chamava atenção dos bandidos. Agora, acho que a questão de circular dinheiro traz o olhar mais apurado dessas pessoas. Ao longo de toda nossa história aqui em Brasília, nos lembramos disso sempre que morriam taxistas assaltados. A gente considera um crime muito bárbaro, que envolve a confiança da pessoa que vem te prestar um serviço.
Na questão do Uber, não é diferente. É uma vítima ‘fácil’, que vem a você, (em) delivery, vem em sua confiança. O cara escolhe o carro que ele quer (ou) cancela até vir (um modelo) daquele jeito. É um crime que realmente precisa ser estudado. As empresas têm de vir à responsabilidade também. (...) A questão de circulação do dinheiro é danosa. Eles (donos de empresas de transporte por aplicativo) têm de retroceder. O dinheiro realmente chama atenção. (...) Essas empresas têm uma série de dados, não só do passageiro, mas de como isso foi pago, dados financeiros que podem nos ajudar muito na investigação desses crimes. Quero trazê-las aqui para entender se temos condições técnicas de ter um contato com o motorista que estiver em um caso de emergência.
Roubo de celulares
O crime, principalmente contra o patrimônio, anda onde está o dinheiro, onde é mais fácil o dinheiro. Hoje, nosso grande problema ainda é o roubo dos celulares. Um problema gravíssimo no país como um todo. A grande maioria dos roubos. Nos anos 1990 e início dos anos 2000, o problema era o toca-fitas, o toca-CD do carro. Lembro que teve um flagrante na antiga rodoferroviária: caixas com sons prontinhos para mandar para outros estados. Brasília estava exportando o produto do roubo, do furto. Mas, naquela época, geralmente, não havia encontro entre o assaltante e a vítima. Ele entrava no seu carro quando você não estava ali.
Na questão do celular, há esse encontro. E ele é muito danoso para a segurança pública. Porque, aí, vem o latrocínio, a reação. A questão dos celulares preocupa muito mesmo. Porque, hoje, é o que o bandido tem de mais fácil para fazer dinheiro. Temos dado muita atenção a isso. (...) Sempre digo que, quando o crime é organizado — ainda que não estejamos falando de organizações criminosas —, só há um remédio: investigação forte, prisão dos receptadores, responsabilização de todas as pessoas envolvidas na cadeia do crime. Sem esse tipo de ação técnica da polícia judiciária, é muito difícil. (...) A Polícia Civil retomou as operações. Neste ano, temos feito investigações importantíssimas que têm tido reflexo direto na diminuição dos crimes aqui em Brasília.
Sistema penitenciárioEm Brasília, temos números impressionantes de prisão. Já passamos de mais de 20 mil presos neste ano no Distrito Federal. A sociedade precisa dizer, o parlamento precisa entender, e a Justiça precisa discutir quem fica preso e quem não fica. Hoje, há um grande número de pessoas que não ficam. A gente acompanha, depois, (eles) voltam à Justiça, se comprometem, mas não ficam presos. Aí, me pergunto: o que a sociedade espera, o que a sociedade quer? Porque quem paga essa questão da impunidade sempre é a polícia, sempre somos nós.
Essa é uma questão que o país precisa responder. Não adianta só prender, entulhar gente. A gente tem procurado evoluir muito, a Secretaria de Segurança (Pública) do DF. Montei uma câmara técnica de estudo do sistema penitenciário do DF. Quero entender o que está acontecendo lá dentro (dos presídios) com detalhes. Saber se meu número de funcionários está bom, se meu número de presos não está alto demais. Na primeira leva que tivemos, vi que temos um dos maiores deficits carcerários de vagas do país. A média é 68%, tenho 126% de aumento, de superlotação aqui em Brasília. Quer dizer: a gente prende muito, encarcera muito e não dá para ficar só jogando isso lá dentro. A gente precisa trabalhar essas pessoas. É fundamental.
Aumento salarial para policiais e bombeirosA questão, agora, está na Secretaria de Fazenda. Tive uma reunião, na sexta-feira, com o secretário de Fazenda (André Clemente), que está finalizando os números da proposta de aumento para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros. O presidente (da República, Jair Bolsonaro), desde o início da primeira conversa que tivemos para tratar desse assunto, disse que seria após a questão da (Reforma da) Previdência. Não vejo que exista um atraso na tramitação do (reajuste) da Polícia Civil. Isso foi falado desde o início.
A gente, talvez, não esperava que demorasse tanto a Reforma da Previdência. Mas acho que está tudo tempestivo. Isso está sendo tratado no governo. Acho que, nesta semana, no mais tardar na semana que vem, conversaremos com a Polícia Militar, com o Corpo de Bombeiros Militar e encaminharemos isso para o Governo Federal, para que andem juntas. Acho que foi bem isso que o presidente (Jair Bolsonaro) quis dizer naquilo ali, que não adianta mandar uma, que ele quer que andem as duas juntas e tem razão.
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