domingo, 10 de novembro de 2019

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Por Maurício Nogueira

Quando os gritos roucos das ruas são convincentes e contam com a ajudinha de uma insurreição militar, os desonestos se posicionam democraticamente. Mas tem que dar um toque ditatorial. E o componente “golpe” é um elemento a mais para recorrer à manutenção do “estado democrático de direito”. Em tempo, as polícias pararam de reprimir os protestos.
Nesta salada mista sulamericana de um país produtor de cocaína, mais um fator. Nada mais, nada menos do que um incêndio na casa do irmão do presidente em chefe Evo Morales.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou na manhã deste domingo (10) que decidiu renovar os membros do Tribunal Superior Eleitoral e convocar novas eleições.
E democraticamente anunciou que irá “renovar a totalidade de membros do Tribunal Superior Eleitoral; nas próximas horas a Assembleia Legislativa Plurinacional, em concordância com todas as forças políticas estabelecerá os procedimentos para isso”.
Invocado o “santo golpe”
O Ministério de Relações Exteriores afirma que “os últimos acontecimentos põem em evidência a implementação de um plano de golpe de estado provocado por grupos cívicos radicais”.
Evo Morales informou pouco antes de convocar eleições, informou que a casa de sua irmã na cidade de Oruro fora incendiada, juntamente como as residências dos governadores da mesma região e também em Chuquisaca, tendo uma onda de protestos sem precedentes.
“Denunciamos e condenamos perante a comunidade internacional e o povo boliviano que o plano de golpe fascista executa atos violentos com grupos irregulares que atearam fogo a casa dos governadores de Chuquisaca e Oruro e minha irmã naquela cidade”, disse Morales em sua conta no Twitter.
E demonstrando um “espírito democrático” Morales declarou no sábado que também convocou a oposição para dialogar. O presidente em risco de perder o poder, solicitou que a “paz e a democracia sejam preservadas”.
Pode alguém explicar como pode Bolívia ter uma lei eleitoral que garante que no primeiro truno é necessário apenas 10 pontos percentuais de diferença para não ter o segundo turno.
Sinistra apuração
Pois bem, os números de votos divergiram na contagem voto a voto e num modelo de apuração utilizado mais rápido. Por coincidência o modo que apurou menos votos por Morales foi desclassificado, o segundo no caso. Os protestos têm principalmente esse motivo. Nebuloso resultado das urnas que são indevassáveis, mas a apuração nem tanto.
O tribunal eleitoral de lá, informou que Morales computou 47,7% dos votos e Calos Mesa somou 36,51% dos votos válidos. Como a diferença entre Morales e Mesa foi de mais de 10 pontos percentuais, o atual presidente foi reeleito para seu quarto mandato.
Contudo, já anteriormente aos números serem divulgados o povo iniciou os protesto. Tudo porque um método mais rápido e preliminar de apuração, e um outro, definitivo e mais lento, no qual se conta voto a voto, apresentaram divergência de resultado. Aí, advinhe. O metódo que dava desvantagem, e que sinalizava segundo turno contra Morales foi descartado.
As vozes roucas das ruas azedaram o aguardente de Evo Morales. Singani é uma aguardente destilada de uvas moscatel de Alexandria brancas. É produzida somente nos Andes bolivianos, sendo considerada a bebida nacional da Bolívia e um patrimônio cultural.
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