sábado, 30 de novembro de 2019

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Sob sigilo, testemunhas prestam depoimento sobre morte de médico
Versões conflitantes reforçam o mistério em torno da morte de Luiz Augusto, que levou um tiro na cabeça em abordagem policial. Segundo relatório da PM, a equipe agiu por causa do "alto índice de veículos roubados na Asa Sul"
Os três policiais militares envolvidos na morte do médico endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, alegaram que atiraram porque “suspeitaram da vítima por conta do horário e do alto índice de veículos roubados na Asa Sul”. As informações constam em relatório da Polícia Militar, confeccionado após o caso ocorrido em um estacionamento da 315 Sul, na madrugada de quinta-feira — o documento foi divulgado pelo portal de notícias G1. A 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) investiga o caso e não deu detalhes sobre a apuração por estar em sigilo. O corpo de Luiz Augusto foi sepultado nesta sexta-feira (29/11) no município de Ceres (GO).
O médico estava em um bar da região, acompanhado do sargento aposentado Ringre Pires, 51, e a mulher do policial. Após assistirem à partida entre Flamengo e Ceará, o endocrinologista pediu ao amigo que o acompanhasse até o veículo dele, uma Ranger branca. Ali, Luiz Augusto continuou conversando com Ringre, com a porta do motorista aberta. Na versão do militar da reserva, um carro preto passou pelo local, fazendo-o pensar que poderia ser um assalto. Ele sacou o revólver 38 cromado e o manteve próximo ao peito.
O automóvel fez o balão em frente ao Teatro dos Bancários e seguiu caminho. No entanto, logo atrás, surgiu uma equipe da PM. Nesse ponto, as histórias ficam contraditórias. Pela versão de Ringre, os policiais se aproximaram, e ele jogou a arma de fogo longe, deitando-se no chão. Nesse tempo, os militares teriam atirado duas vezes, sendo que um dos disparos atingiu a cabeça de Luiz Augusto. O médico morreu na hora.
Mas, segundo a equipe de policiais militares, Ringre teria apontado o revólver para o carro da corporação. Assim, um disparo foi feito, com a intenção de “cessar a iminente agressão”. Depois, os PMs pararam o veículo, desceram e se aproximaram. Mesmo assim, o sargento aposentado “continuava a empunhar a arma apontada para a equipe”. Por causa disso, atiraram pela segunda vez. Só, então, o sargento aposentado teria soltado a arma e deitado no chão. Apesar da explicação sobre a suspeita de assalto, os policiais não esclareceram o porquê de terem atingido a vítima, e não o sargento da reserva, que estava armado.
Após algemarem Ringre, um dos militares passou a filmar a abordagem. O vídeo que passou a circular nas redes sociais nesta sexta-feira (29/11) mostra o amigo do médico sentado no chão, com a camisa do Flamengo e bermudas. A primeira fala é do aposentado, que questiona o tratamento recebido: “Olha o jeito que vocês estão me tratando, cara. Eu acho que vocês deviam, pelo menos, me tratar e me colocar em pé. Pela honra.” “Sargento, por que o senhor estava apontando a arma para a polícia?”, pergunta um dos militares. A resposta do aposentado é curta: “Cara, eu não sabia. (...) Olha pra mim, olha pra mim. Eu posso te falar com sinceridade? Entre nós aqui. Eu tomei uma. Eu estava protegendo o doutor Luiz. Olha aqui pra mim. O doutor Luiz me paga para eu proteger ele. (...) Perdão.”
Os PMs continuam questionando o motivo de Ringre ter apontado a arma contra a equipe policial. Quando ele percebe que é filmado, toma outra posição. “Cara, vocês estão filmando? (...) Eu não apontei a arma para a viatura. (...) Cara, vocês estão querendo queimar a gente, né?”, refletiu, durante a abordagem. “O senhor, como policial militar, apontou a arma para a viatura”, retruca um dos militares envolvidos.
Por fim, os policiais perguntam, novamente, se o sargento aposentado era pago para fazer a segurança do médico Luiz Augusto. Dessa vez, ele nega: “Não. Não sou pago, não. Ele é meu amigo. Não tem nada a ver. Vê como ele está”, diz. Em seguida, o militar que filma a abordagem se dirige até o endocrinologista, que era atendido por uma equipe do Corpo de Bombeiros.
Para Pedro Júlio de Melo Coelho, advogado de defesa de Ringre, a versão de que o aposentado teria apontado a arma contra a equipe da PM não seria plausível. “Ele é um sargento com mais de 30 anos de atuação. Ele estava conversando e se despedindo de um amigo Não estava cometendo crime nenhum”, alega. Sobre o trecho em que o militar da reserva é indicado como segurança do médico, o advogado ressalta que os policiais ficaram “insistindo que ele é segurança, mas são amigos. E, se fosse segurança, qual o problema? Ele não está na ativa, está aposentado”.
Nesta sexta-feira (29/11), os três policiais militares envolvidos no caso e a mulher do sargento aposentado Ringre prestaram depoimento nesta sexta-feira (29/11) na Corregedoria da PM. Os PMs confirmaram a versão do relatório da corporação, alegando que pensavam se tratar de um assalto. A mulher informou que chegou ao local após o segundo tiro e pediu que parassem com aquilo porque o marido é policial.
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