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Cientista político avalia primeiro ano de Ibaneis: ”teve de aprender a governar”

Leia entrevista com Creomar de Souza, Cientista político, professor da Fundação Dom Cabral e CEO da Dharma Political Risk and Strategy Do ...


Leia entrevista com Creomar de Souza, Cientista político, professor da Fundação Dom Cabral e CEO da Dharma Political Risk and Strategy
Do ponto de vista político, que marca deixa esse primeiro ano de gestão do governador Ibaneis Rocha?
O ponto principal do primeiro ano do governo Ibaneis foi o fato de que ele teve de aprender a governar. Ele é fruto de um momento da conjuntura nacional em que vários novos atores passaram a fazer parte do jogo com a narrativa de que mudariam tudo. A vitória do Ibaneis é um marcador disso. Ele é fruto de uma enorme rejeição a forma de fazer governo do Rollemberg, que foi visto como velha política. E Ibaneis veio com a narrativa de não sou político, sou bem sucedido na vida pessoal e vou levar isso para o governo. Na prática, esse ano foi marcado por aprendizado. Ele começou com muito voluntarismo, tentando ter muita força na Câmara, interferir pessoalmente em vários setores, mas ele parece ter percebido com o passar do ano os desafios.
Ele se tornou um político de fato, então…
Não existe exercício de cargo político sem ser político. É ilusório achar que alguém possa fazer isso sem ser político. O principal aprendizado de 2019 para o governador foi compreender a necessidade de diálogo.
Recentemente, o governador começou a falar na possibilidade de reeleição. 
O DF tem tradição forte de não reeleger os chefes do Buriti. Qual o caminho para viabilizar isso?
Todo processo de reeleição passa fundamentalmente por uma questão, que é o cidadão comum sentir melhorias na vida cotidiana. E isso se dá por entregas de políticas públicas, como a população se sentir mais segura, poder olhar para cima e ter iluminação pública, a água não faltar para ela e luz não cair quando chove. É importante que a qualidade das políticas públicas seja sentida ao longo dos quatro anos. Isso é o que cacifa o governador à reeleição. Nos governos anteriores, a média da população não sentiu melhoria de vida. Isso se dá por falha das políticas de governo, mas também por falha de comunicação. 
O GDF tem falhado em construção de narrativas, mesmo quando tem políticas públicas bem intencionadas. Esse é um grande desafio de Ibaneis.
Uma das apostas do GDF para o ano que vem é o investimento pesado em obras. Isso ainda tem o mesmo efeito de outras épocas para a imagem do governo?
Olha, a questão das obras e da infraestrutura pública está muito vinculada à qualidade de vida. Do ponto de vista político, você tem que ajustar o timing e a relação entre o que é prioritário de fato. Toda obra tem uma fase que causa mais transtornos do que benefícios. Então, é preciso programar para que o resultado positivo dela, pensando em capital eleitoral, seja sentido a tempo. Também é tão importante quanto fazer obras escolher quais serão feitas, qual a prioridade para a população. O governo anterior fez um esforço enorme para viabilizar a obra do trevo de triagem norte, mas teve dificuldade em transformar isso em entrega e construir uma narrativa sobre o impacto positivo dela.
Em 2019, houve a ascensão de algumas forças novas na política. É o caso dos Belmonte, com a eleição da deputada federal Paula Belmonte e aproximação de Luís Felipe Belmonte com Bolsonaro. Como o senhor enxerga esse crescimento deles?
A política do DF historicamente tem algumas surpresas. Em parte, porque uma parcela considerável do eleitor de classe média está muito ligado à política federal, mesmo porque depende da União para os rendimentos. 
Isso faz com que tivéssemos fenômenos descolados da realidade direta do DF. 
Parece-me que o esforço dos Belmonte nessa aproximação com Bolsonaro está muito no sentido de aproveitar o resultado positivo de Bolsonaro no DF em 2018.
O desafio para os Belmonte é que, ao mesmo tempo em que houve resultados muito bons em 2018, algumas decisões de Bolsonaro vão afetar negativamente o DF. A pauta econômica é “menos Brasília e mais Brasil”. Isso envolve diminuição nos reajustes e impacto nos servidores da capital. Nós vimos isso no caso do reajuste das forças de segurança. Então, em algum momento, pode gerar uma imagem negativa no eleitorado do presidente no Distrito Federal. Isso pode prejudicar esse processo deles.
2020 é ano eleitoral nos municípios. Como as eleições no Entorno impactam o DF?
As eleições no Entorno têm importância fundamental para o DF. Ela define construção de parcerias e políticas públicas para a qualidade de vida aqui e nas regiões próximas. Com certeza, os grupos políticos do Distrito Federal estão se alinhando agora na tentativa de conquistar o maior número possível de prefeituras.
Houve muita renovação no Congresso Nacional. Como o senhor avalia a relação dos deputados federais e senadores do DF com o Executivo local neste ano?
O governador Ibaneis teve uma relação sem grandes embates com a bancada do DF na Câmara e do Senado. Também porque o momento ainda é distante do período eleitoral e permite essa relação mais pacífica. Tendo em vista a situação econômica do Distrito Federal, o ideal é que todo mundo trabalhe junto, de fato. O interesse mais explícito em se tornar um opositor de Ibaneis talvez seja do senador Izalci Lucas (PSDB). Como tem um mandato de 8 anos com muito tempo pela frente, ele tem a possibilidade de fazer balão de ensaios e de se posicionar de maneira diferente.
E a relação do governador com a Câmara Legislativa?Nesse aspecto, de início o governador Ibaneis foi mais feliz do que o antecessor. A relação de Rollemberg foi sempre muito ruim com a Câmara Legislativa. De início, porque não havia distritais eleitos pelo partido e depois pela dificuldade de construir diálogo e articulação civilizada com os distritais por inabilidade e porque interlocutores não viam o Buriti como parceiro confiável. Já no começo, Ibaneis se comprometeu a liberar emendas, inclusive para os novos deputados. Esse gesto de boa vontade facilitou a relação do governo. Por outro lado, sempre ficam dificuldades na construção do Orçamento e na forma como o governo tem de articular continuamente com os distritais. Também houve reclamação de que o acesso aos secretários e ao governador era difícil. Isso não é bom. O Executivo precisa que o Legislativo o veja com bons olhos e não trave ações importantes do governo.

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