terça-feira, 3 de dezembro de 2019

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Consumidores estão assustados com o preço da carne em alta
Na apuração da FGV, seis das oito classes de despesa que compõe o índice registraram variação positiva.
O preço da carne vermelha disparou na última semana de novembro, assustando os consumidores. O item também puxou a alta do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), de 0,49%, 0,24 ponto percentual acima da taxa registrado no último levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com esse resultado, o indicador acumula alta de 3,31% no ano e 3,61% nos últimos 12 meses.
Na apuração da FGV, seis das oito classes de despesa que compõe o índice registraram variação positiva. O grupo alimentação teve o maior peso, passando de 0,06% no período anterior para 0,42%. Nessa categoria, o destaque foi o comportamento das carnes bovinas, que dobraram de preço. O aumento passou de 4,37% para 8%.
“Eu fui comprar uma peça de alcatra no mercado e levei um susto”, afirmou Fabiano Nunes, militar de 37 anos. Ele percebeu quase 50% de aumento no preço das carnes que costuma comprar. “Eu acabei nem levando. Achei até que era algum erro ou engano no valor que colocaram”, contou. O militar disse que, como alternativa, comprou frango e peixe para suprir a falta da carne vermelha no cardápio do almoço de casa. Fabiano mal lembra de quando o produto esteve barato. “Nós acabamos nos acostumando com valores altos. Mas quando veio ainda mais caro foi um choque.”
O estudante João Vinicius Reinaldo, 20, que costuma comprar carne moída de coxão mole, também achou um absurdo o preço do produto. “Está R$ 32 o quilo. Isso é algo que pesa muito no meu orçamento no fim do mês, mas eu sempre acabo levando. Não dá para faltar carne na mesa. A gente se vê meio preso nessas situações”, lamentou.
Além da carne, João disse que os combustíveis também pesam no bolso. “Nós precisamos de gasolina para sobreviver na cidade, não temos como não pagar”, ressaltou. De fato, no IPC-S divulgado ontem, o combustível teve papel de destaque na alta do índice. A gasolina registrou variação de 0,99% no período, ante 0,66% na apuração anterior.
Aceleração
Também registraram acréscimos os grupos de habitação, educação, leitura e recreação, transportes e comunicação. Nessas classes de despesa, a apuração destacou o aumento das tarifas de eletricidade residencial (0,88% para 2,52%), jogos lotéricos (15,26% para 26,16%), passagens aéreas (5,42% para 12,35%) e pacotes de telefonia fixa e internet (0,09% para 0,56%).
Paulo Picchetti, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), destacou que, em dezembro, há possibilidade de haver mais uma aceleração da inflação medida pelo IPC-S, o que pode resultar num índice de 0,60%. “Esse efeito das carnes bovinas está sendo o mais importante, assim como o das passagens aéreas. Estão pressionando o índice para uma alta mais significativa”, avaliou.
“Como são choques de oferta, os preços dos produtos não dependem de algo que possa ser feito no âmbito de política monetária”, destacou. Para Picchetti, o importante é que esses preços não contaminem os de outro setores. Apesar de a coleta de dados do IPC-S ser semanal, as taxas de variação levam em conta a média dos preços coletados nas quatro últimas semanas até a data de fechamento.
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