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Não é só futebol. Atuação contra o Goiás mostra que Michael também precisa de um divã

Navegando pelo site do Flamengo, cliquei na aba comissão técnica. Lá tem cara-crachá do diretor de futebol, supervisor, técnico, auxiliares,...


Navegando pelo site do Flamengo, cliquei na aba comissão técnica. Lá tem cara-crachá do diretor de futebol, supervisor, técnico, auxiliares, preparadores físicos, preparadores de goleiros, analista de desempenho, gerente de saúde e alto rendimento, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, nutricionistas, assessores de imprensa, fotógrafo e seguranças. Pode até ser que o clube tenha e seja um sujeito discreto, mas senti falta de um profissional essencial em qualquer modalidade esportiva em tempos pós-modernos: o psicólogo.

Algo me diz que o atacante Michael precisa de um divã. Não somente ele, diga-se de passagem. O atacante de 24 anos tem deficiências graves na formação como jogador, foi boleiro de várzea, viveu drama extracampo, óbvio, mas não pode ter piorado tanto assim em relação ao ótimo desempenho com a camisa do Goiás na temporada passada.

Michael foi o cara do Goiás na temporada passada. Marcou 16 gols em 54 jogos. Nove deles no Campeonato Brasileiro. Um contra o Flamengo, no Serra Dourada. O discurso preguiçoso, simplista, raso, dirá que Michael é jogador de time pequeno. Clubes sérios investem pesado na recuperação do ser humano, do patrimônio do time. A trajetória de Michael mostra que ele não pode ser descartado de uma hora para outra. É preciso entendê-lo. Colocá-lo no divã.

Contratado por 7,5 milhões de euros, Michael fez uma das piores atuações com a camisa do Flamengo na vitória por 2 x 1 desta terça-feira contra o ex-clube dele, Goiás. Errou quase todas as decisões tomadas. Perdeu gol feito dentro da área ao mandar a bola por cima do gol. Ele não se esconde, apresenta-se para o jogo, mas a camisa rubro-negro parece um fardo. Fez 12 cruzamentos e acertou quatro. Arriscou quatro dribles e só acertou um.

Domènec Torrentes é da escola holandesa. Ama de paixão um ponta aberto na esquerda e outro na direita. Tem dado moral a Michael. Porém, o atacante precisa corresponder. Dome precisa neste momento de pelo menos dois profissionais minimamente capazes de ajuda-lo a recuperar Michael: um responsável por trabalhar insistentemente fundamentos técnicos e táticos do futebol; e outro capaz de colocar o atleta no divã.

Aí é questão de psicologia. Alguém capaz de ouvir Michael. Entender a insegurança do jogador, a responsabilidade de vestir a camisa rubro-negra, a timidez, o medo de errar, a tomada em série de decisões erradas e até mesmo questões pessoais, íntimas. Por exemplo: Michael está sentindo-se só numa cidade grande como é o Rio de Janeiro? Está com problemas de adaptação? Sente-se complexado em um elenco cheio de medalhões? Tem pressão familiar? O medo está travando o potencial dele? Essas e outras perguntas precisam ser respondidas.

Futebol não se ganha apenas dentro das quatro linhas. Jogadores não são robôs. De vez em quando, quase sempre, é preciso ser humano o suficiente para mergulhar de cabeça no interior da alma humana. Decifrá-la, entendê-la, para extrair o potencial.

Falei de Michael, mas o discurso também serve para Vitinho. Juntos, ambos custaram ao Flamengo 19,5 milhões de euros. Praticamente o que o clube desembolsou para ter Gabriel Barbosa em definitivo, ou seja, 20 milhões de euros. Antes que você recorra àquela frase “dinheiro jogado fora”, não se trata aqui somente pela grana investida, mas do resgate de duas figuras acessórias que podem virar fundamentais para o sucesso rubro-negro na temporada. Recuperados, Michael e Vitinho podem mudar do status acessório para essencial.

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