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Eleito, cacique prefeito tenta evitar impugnação da candidatura

Eleito, cacique prefeito tenta evitar impugnação da candidatura. Cacique Marcos Xukuru, prefeito eleito de Pesqueira (PE) - (crédito: Foto c...

Eleito, cacique prefeito tenta evitar impugnação da candidatura.


Cacique Marcos Xukuru, prefeito eleito de Pesqueira (PE) - (crédito: Foto cedida do arquivo pessoal.)

Marcos Xukuru venceu a corrida eleitoral em Pesqueira (PE), mas corre o risco de ter o mandato impugnado. Município no Vale do Ipojuca tem 67 mil habitantes, dos quais 12 mil são indígenas aldeados nas terras Xukuru

Natália Bosco

A eleição municipal terminou no último domingo, mas o cacique Marcos Xukuru (Republicanos) ainda trava outra batalha para assumir o cargo de prefeito de Pesqueira (PE). Líder do povo Xukuru há 20 anos, Marquinhos foi eleito com 51,6% dos votos, um total de quase 18 mil eleitores, mas teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco (PE) após os resultados das urnas. Em Brasília, o cacique recorre ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ser empossado prefeito de Pesqueira.

O Ministério Público Eleitoral iniciou a ação de impugnação de registro de candidatura de Marquinhos com base em um processo criminal de 2003. O processo registra crime de incêndio cometido pelo cacique e outras 35 pessoas.

O cacique contou que enfrentou problemas com FakeNews e disparos de mensagens por WhatsApp durante a campanha, mas ainda assim conseguiu ser eleito. “A população de Pesqueira quis o Cacique Marcos, porém, os nossos adversários, desde o princípio se articulando, é um grupo político que atua há mais de 30 anos no nosso município, entraram com um pedido de impugnação da candidatura”, falou Marcos.
Emboscada
O advogado eleitoral Marcelo Cavalcante Patu disse que o cacique foi condenado injustamente, após sofrer uma tentativa de homicídio. “O cacique sofreu uma emboscada. Foi uma tentativa de homicídio onde dois amigos seus morreram. Ele e o primo sobreviveram. O cacique fugiu”, resumiu o advogado de Marcos.
Marcelo contou que a comunidade, em protesto, queimou bens do suspeito de ter atirado contra Marquinhos. “Mesmo sofrendo essa emboscada, ele e mais 35 pessoas foram acusadas e o cacique foi condenado ao crime de incêndio”, o advogado afirmou que o Marquinhos ainda estava fora da cidade quando os incêndios aconteceram.
Na primeira instância, em Pesqueira, o processo de impugnação foi julgado improcedente, uma vez que o crime de incêndio não se encontra na Lei da Ficha Limpa.
“A Lei da Ficha Limpa trata do crime de dano. Os nossos adversários querem que a Justiça faça uma interpretação extensiva do crime de incêndio para que também seja considerado um crime de dano”, explicou Marcelo Patu.
No TRE de Pernambuco, sete desembargadores realizaram uma votação para decidir sobre o caso. Por quatro votos a três, a candidatura foi considerada impugnada. “É um placar completamente questionável, não existe um pensamento definido no TRE de Pernambuco”, opinou o advogado do prefeito eleito.
"Vontade do povo"
O cacique recorreu ao TSE. A defesa de Marquinhos pede que o processo seja julgado com base na Lei da Ficha Limpa. “Pedimos encarecidamente que os ministros analisem de maneira técnica esse nosso processo. Se for analisar de maneira técnica, dentro da Lei da Ficha Limpa, nós temos uma candidatura garantida”, concluiu o advogado.

O cacique informou que espera que o TSE leve em consideração a vontade da população de Pesqueira. “Estamos no aguardo para garantir que seja validada a vontade do povo, que foi a vontade das urnas. Que aqui no TSE tenhamos condições que ter um julgamento levando em consideração a vontade do povo.”

Marcos também explicou que esse não é um caso comum por não se tratar de um prefeito que está com problemas de inelegibilidade. “Foi outra situação que envolve a disputa territorial, a disputa pelo espaço físico, pela luta do povo Xukuru, pela reconquista do nosso espaço”, declarou.



*Estagiária sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza

Fonte: Correio Braziliense 

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