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Combate à crise sanitária reforça relação de dependência entre DF e Entorno

Em Águas Lindas (GO) — a cerca de 50km do centro de Brasília —, situação é de calamidade; município não tem mais leitos disponíveis em UTI p...

Em Águas Lindas (GO) — a cerca de 50km do centro de Brasília —, situação é de calamidade; município não tem mais leitos disponíveis em UTI para os cerca de 217 mil habitantes - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press.)

Com relação próxima entre DF e cidades vizinhas, prefeitos de municípios goianos propõem lockdown em conjunto. Governador Ibaneis Rocha descarta a ideia. Gestores das pastas de Saúde discutem medidas coletivas para evitar o avanço da pandemia.

Com a ocupação média de leitos públicos e privados para covid-19 em unidades de terapia intensiva (UTI) chegando a 85,7%, no Distrito Federal, e alcançando 100% em diversas cidades da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride), representantes dos poderes Executivos municipais e distrital tentam definir medidas para controlar a situação. De um lado, prefeitos de cidades goianas pressionam o governador Ibaneis Rocha (MDB) a adotar o lockdown, para que eles sigam no mesmo caminho. De outro, o chefe do Palácio do Buriti descarta a possibilidade de interromper as atividades na capital federal.

Diante do cenário, os prefeitos de Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Luziânia, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás — todos da Ride — pediram ao secretário de Saúde de Goiás que trate com o Governo do Distrito Federal (GDF) um possível decreto unificado de lockdown. Para eles, as medidas de restrição para controle da pandemia só terão resultados efetivos se a capital federal também aderir a elas, devido à grande circulação de pessoas entre o Entorno e o DF.

Por enquanto, Ibaneis Rocha desconsidera a chance de decretar lockdown no DF. “O Entorno é responsabilidade do Ronaldo Caiado (governador de Goiás)”, disse o chefe do Executivo local. No fim da tarde de terça-feira (23/2), gestores da secretaria de Saúde goiana (SES-GO) e da pasta distrital (SES-DF) se reuniram para discutir medidas de prevenção contra a covid-19 nas duas unidades da Federação. Até o fechamento desta reportagem, o encontro não havia terminado.

Para especialistas, neste momento, em que se observa o avanço da quantidade de casos, o aumento do número de mortes, a circulação de novas variantes do novo coronavírus e o comprometimento do atendimento nas unidades de saúde, é necessário reforçar as medidas de prevenção tanto no DF quanto no Entorno. Atualmente, cerca de 23,6% das pessoas com covid-19 internadas em unidades de terapia intensiva (UTIs) na rede pública do DF são de outras unidades da Federação, sendo 9,4% de Goiás.

Nas internações gerais do DF, cerca de 20% dos pacientes são do Entorno — sendo 23 mil pessoas de Goiás e 427 de Minas Gerais. O número pode ser maior, segundo a Secretaria de Saúde distrital, pois muitos pacientes de fora informam endereços de parentes que moram na capital federal. A infectologista Ana Helena Germoglio, do Hospital de Águas Claras, ressalta que o Sistema Único de Saúde (SUS) é nacional e deve atender a todos os pacientes, independentemente de onde eles morarem. Ela considera que, neste momento, seria mais importante investir na conscientização da população sobre as sanitárias. “Sempre houve essa interdependência das cidades do Entorno com o DF. Por isso, o lockdown não seria a melhor opção. É preciso que a população colabore e siga as medidas de prevenção e que os gestores direcionem recursos da melhor forma possível”, avalia Ana Helena.


Por outro lado, Valéria Paes, da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, defende o lockdown. No entanto, caso essa seja a opção, é preciso que o processo ocorra de forma integrada, segundo ela. “Se houver (fechamento total), provavelmente, veremos uma redução no número de novos casos em todas as cidades envolvidas. Porém, reforço: como há um grande fluxo de pessoas entre as regiões, não adianta apenas algumas cidades adotarem a medida”, argumenta. “A comunidade também tem parcela de responsabilidade. Não adianta nada os governos definirem restrições e as pessoas desobedecerem”, completa.
Calamidade
Dados de terça-feira (23/2) da SES-GO revelaram que o estado opera com 91,88% das vagas para pacientes com covid-19 ocupadas. Entre os 29 municípios goianos que compõem o Entorno do DF, apenas Formosa e Luziânia contam com UTIs na rede pública. As duas têm 100% e 90% de ocupação, respectivamente. Em ambas — além de Águas Lindas, Cidade Ocidental, Cristalina, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás —, a situação é de calamidade.

Em Águas Lindas (GO) — a cerca de 50km do centro de Brasília —, a cidade com 217,6 mil habitantes não tem mais leitos de UTI disponíveis no único hospital da cidade, o Bom Jesus. Em junho passado, o Ministério da Saúde inaugurou um hospital de campanha na cidade, que operou até outubro, quando foi desmobilizado. Juliana Lopes, 28 anos, é enfermeira na unidade municipal e relata que o sentimento entre os profissionais de saúde é de frustração. “É uma vivência para a qual não estávamos acostumados. O paciente com covid-19 evolui para piora muito rápido. A demanda para atendimento dessas pessoas continua. Por termos quase um ano de pandemia, tivemos de nos adaptar”, comenta Juliana.



"É uma vivência para a qual não estávamos acostumados. O paciente com covid-19 evolui para piora muito rápido. A demanda para atendimento dessas pessoas continua. Por termos quase um ano de pandemia, tivemos de nos adaptar" Juliana Lopes, enfermeira do Hospital Municipal Bom JesusEd Alves/CB/D.A Press

Nos casos de calamidade, a recomendação do poder público é pela interrupção das atividades, exceto para supermercados e afins, farmácias, postos de combustível e serviços de urgência ou emergência em saúde. A secretária do lar Solange Guedes, 58, moradora de Águas Lindas, teme o contágio pelo coronavírus e acredita que há a necessidade de intervenção. “Os ônibus vêm muito cheios na ida e na volta. Vamos em pé no caminho por mais de uma hora. É muita festa, e o pessoal não respeita. Dá medo”, desabafa.

Vacinação e casos

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) confirmou, nessa terça-feira (23/2), mais 582 casos de covid-19 e nove mortes pela doença. O último boletim epidemiológico da pasta contabiliza 291.353 registros de infecção pelo novo coronavírus no DF, sendo que 281.023 (96,5%) pessoas se recuperaram e 4.775 (1,6%) morreram. Entre o total de mortes, 370 vítimas eram de Goiás e 56, de outros 14 estados. A média móvel de casos ficou em 715,14 — 39% a mais que o resultado de 14 dias atrás. Já a de óbitos fechou ontem em 9,57 — 1,5% menor na comparação com 9 de fevereiro.

Em relação à vacinação, até terça-feira (23/2), 116.995 pessoas receberam a primeira dose contra a covid-19 no DF, e 28.249, a segunda. Em estoque, para início da aplicação, havia cerca de 4 mil unidades. No entanto, o Correio apurou que algumas unidades básicas de saúde (UBSs) receberam orientação para seguir aplicando apenas o reforço dos imunizantes em idosos e profissionais de saúde.

Oficialmente, a SES-DF informou que a aplicação da primeira dose não será suspensa. “Elas têm sido aplicadas no público-alvo estabelecido, que está numericamente reduzido. Algumas faltas pontuais e localizadas são resolvidas com remanejamento de doses. A queda do quantitativo de vacinas da primeira dose é acompanhada pela redução, também, do público a ser vacinado”, comunicou a pasta. Quanto às segundas doses, a secretaria ressaltou que todos os vacinados com a primeira terão o reforço garantido, devido aos estoques reservados exclusivamente para esse fim.
Cenário
291.353
Número de casos de
covid-19 no DF
2 Cidades goianas do Entorno que dispõem de leitos em UTI
85,7%
Ocupação de leitos de UTI públicos e privados para pacientes com covid-19 no DF
91,88%

Ocupação de leitos de UTI públicos para adultos com covid-19 em Goiás
12

Pacientes com covid-19 de Goiás internados no DF

Fontes: Secretarias de Saúde do Distrito Federal e de Goiás, em 23/2/2021

Fonte: Correio Braziliense 

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