"Não é minha irmã ali, não é?": nove anos de violência que terminaram em uma rua do Itapoã Flávia Gomes da Silva e Anderson Gonçal...
"Não é minha irmã ali, não é?": nove anos de violência que terminaram em uma rua do Itapoã
Flávia Gomes da Silva e Anderson Gonçalves viveram nove anos um relacionamento marcado por agressões psicológicas, físicas e perseguições. Ontem, ele matou a companheira na rua, na frente da filha de 4 anos
Flávia Gomes tinha 36 anos - (crédito: Reprodução)
Segundo relatos de testemunhas e familiares, o casal havia discutido dentro da residência pouco antes das 19h. Após a briga, Flávia saiu de casa levando a filha até um supermercado próximo. Na volta, já com sacolas de compras, foi surpreendida pelo companheiro, que a abordou na rua e desferiu diversos golpes de faca.
A vítima caiu na calçada diante da filha. Antes de perder a consciência, ainda conseguiu pedir que a menina corresse para se proteger. Após o crime, o suspeito deixou o local caminhando tranquilamente, entrou no carro estacionado próximo à residência e fugiu.
O veículo utilizado por Anderson foi encontrado posteriormente em uma área isolada do Paranoá. Até o fechamento desta reportagem, ele continuava foragido, sendo procurado pelas forças de segurança.
Histórico de violência
Familiares afirmam que Flávia vivia um relacionamento abusivo havia mais de nove anos. Segundo as irmãs, Anderson era extremamente controlador, ciumento e violento, mantendo a companheira sob constante vigilância.
Ana Gomes, irmã da vítima, contou que o agressor impedia a aproximação da família e monitorava todos os passos de Flávia.
"Ele não deixava a gente entrar na casa dela, controlava todos os passos dela e a perseguia. Minha irmã vivia com medo", relatou.
Angeliana Gomes também descreveu o contraste entre a imagem pública do suspeito e o comportamento dentro de casa.
"No trabalho ele era visto como um profissional exemplar. Mas quando chegava em casa, era um monstro", desabafou.
Segundo os familiares, episódios de agressões físicas e psicológicas eram frequentes. Em 2023, durante uma confraternização familiar, Anderson chegou a agredir Flávia diante de parentes.
Em outra ocasião, a vítima pediu socorro à irmã ao perceber que estava sendo perseguida pelo companheiro enquanto trabalhava em um posto de combustíveis na Asa Norte.
Dependência emocional impediu denúncia
Mesmo diante das constantes agressões, Flávia nunca registrou boletim de ocorrência contra o companheiro. As irmãs acreditam que ela sofria de dependência emocional e temia prejudicar a reputação profissional do agressor.
Há cerca de quatro meses, ela havia conseguido um novo emprego na área de serviços gerais, no Setor de Autarquias Sul, buscando oferecer uma vida melhor aos filhos.
"Minha irmã era trabalhadora, dedicada e vivia para cuidar dos filhos. Ela só queria paz", afirmou Ana Gomes.
Família devastada
Flávia deixa três filhos: dois jovens, de 16 e 21 anos, de um relacionamento anterior, e uma menina de 4 anos, filha do suspeito, que presenciou o assassinato da mãe.
Além dos filhos, a vítima também era responsável pelos cuidados de um irmão com deficiência física.
Reunidas em frente à casa onde Flávia morava, as seis irmãs lamentavam a tragédia e afirmavam que tentaram, durante anos, convencê-la a deixar o relacionamento.
Investigação
As polícias Civil e Militar montaram uma força-tarefa para localizar Anderson Gonçalves. O caso é investigado como feminicídio.
O assassinato reforça o alerta sobre a importância da denúncia em casos de violência doméstica. Mulheres vítimas de agressões podem buscar ajuda por meio da Polícia Militar (190), da Polícia Civil e da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia de forma gratuita e sigilosa.
Da Redação com informações Correio Braziliense
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