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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

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Exonerado hoje, ex-presidente do PROCON-DF pode ter acertado na teoria e errado na prática por implementar métodos arcaicos de gestão


Por Fred Lima



Não gosto de tirar conclusões precipitadas antes que uma investigação seja concluída e a Justiça delibere. Mesmo assim fiquei espantado quando li dias atrás que o então presidente do PROCON-DF, Dr. Paulo Marcio Sampaio, exonerado nesta sexta-feira do cargo, está sendo acusado de cometer assédio moral contra funcionários do órgão.

Pessoalmente é uma pessoa agradável, que não demonstra ter um temperamento rude. Exigente sim, pois nas vezes que estive com ele percebi certa obsessão em transformar o PROCON em um órgão de referência no DF.

Se as denúncias forem verdadeiras ficará provado que o comportamento de patrões e funcionários é tão importante quanto o desempenho. No século passado, devido à rápida ascensão da indústria e do mercado, o desempenho dos chefes muitas vezes justificava qualquer tipo de comportamento. O capital vinha em primeiro lugar, esquecendo que um trabalhador só consegue produzir satisfatoriamente se gostar do que faz e estiver contente em seu local de trabalho.

O Steve Jobs dos anos 1980 era um gênio, mas foi engolido pela sua própria prepotência. Quando retornou na década seguinte, manteve a mesma obsessão de outrora, mas era uma pessoa mais sábia, pacata e, enfim, conseguiu o que queria: transformar a Apple na maior empresa do mundo.

Talvez tenha faltado isso ao presidente do PROCON, caso as denúncias sejam verídicas. Uma gestão que causa medo pode ser um veneno para a engrenagem de uma instituição. Ela inibe e atrapalha o desempenho dos funcionários, fazendo a máquina parar.

O ex-presidente da General Electric, Jack Welch, disse em seu livro “Paixão por Vencer” como é importante um líder transmitir otimismo para a sua equipe: “O trabalho do líder é, na falta de melhor palavra, contagiante. Você já viu essa dinâmica uma centena de vezes. Um gerente vibrante, que passa o dia com uma atitude positiva, de alguma maneira acaba liderando uma equipe ou organização cheia de… pessoas vibrantes, com atitudes positivas”.

Projeto, sem dúvida alguma, Paulo Márcio tinha. Suas ideias para o PROCON eram boas. Só que pode ter implementado práticas ultrapassadas de avaliação de desempenho, como por exemplo, colocar pontualidade acima de produção, um vício arcaico do defasado serviço público que as grandes empresas estão abolindo.

Claro que é inadmissível chegar atrasado todos os dias no local de trabalho, mas transformar a rigidez de horário em mote de gestão é falta de inovação e criatividade. Pior: assediar moralmente quem não consegue seguir 100% à risca tal regra, na cidade que está entre as três mais engarrafadas do país, possivelmente foi um dos principais motivos de sua impopularidade entre os funcionários.

Bons projetos devem vir acompanhados de bom senso.

Que sirva de lição para o próximo presidente!

Da Redação

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