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quinta-feira, 26 de abril de 2018

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Joe Valle tem até 1º de maio para decidir candidatura, pressiona PDT
Presidente do PDT, Carlos Lupi quer convencer distrital a disputar GDF para garantir palanque para Ciro Gomes. Mas deputado resiste à ideia
O presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, deu prazo até o feriado de 1º de maio para que o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Joe Valle, decida qual cargo pretende disputar nas eleições de outubro.
A escolha da data, o Dia do Trabalhador, não é mera questão poética. O partido corre contra o tempo para formatar o palanque que receberá o presidenciável da sigla, Ciro Gomes, na campanha eleitoral.
Joe Valle chegou a ser lançado pela legenda como pré-candidato ao Palácio do Buriti, mas foi recuando dias após o anúncio. Desde então, o distrital passou a defender que o partido integrasse a composição em torno da pré-candidatura de Jofran Frejat (PR) ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Integrantes do PDT, contudo, resistem a essa aliança, apesar de realçarem as qualidades do ex-secretário de Saúde do DF e esperarem que o presidente da Câmara Legislativa se convença a concorrer ao GDF.
Mas o próprio deputado diz que essa hipótese está descartada. “Para mim, é questão ‘pessoalmente’ superada. Digo isso porque, pessoalmente, não existe a possibilidade dessa candidatura”, afirmou ao Metrópoles.
O chefe do Poder Legislativo local ressalvou, no entanto, a importância de o presidente nacional da sigla pacificar a questão internamente. Joe Valle acredita que Lupi achará uma solução conciliadora rapidamente. “Ele tem um papel importantíssimo nesse processo, com o aconselhamento e orientações necessários. Chegaremos a um formato bom para todos”, aposta o distrital.
Apesar da postura de Joe Valle, o presidente do PDT mantém esperança de que o deputado mude de ideia. “O partido o quer como candidato a governador. Ele tem dúvidas se sai governador ou senador, por isso voltaremos a nos reunir no dia 1º para analisar o quadro político. Ainda assim, a palavra final será dele”, destaca Lupi.
Com Joe, mas sem Frejat
Caso Joe não mude de ideia e insista no apoio a Frejat, a situação pode causar rusgas internas. O deputado distrital Reginaldo Veras é um dos pedetistas que é contrário à “grande chapa”.
Ao Metrópoles, o parlamentar afirmou que a composição fugiria do campo ideológico original do PDT. “Sou um homem de partido. É claro que, se a decisão da maioria for por esse caminho, a seguirei. Mas, internamente, não votarei por essa aliança”, informou.
O presidente regional da sigla, Georges Michel, já afirmou à reportagem ter ressalvas em seguir de mãos dadas com partidos considerados de direita e centro-direita. “Gosto do Frejat, é um homem íntegro. Mas não posso permitir que o PDT, com toda a sua história, reúna-se com coligados que representam o que há de pior na política do Distrito Federal”, disse.
Sem tanto radicalismo, o recém-filiado ao partido, deputado distrital Cláudio Abrantes, afirma que seguirá o caminho definido pela maioria, mas não vê impedimentos maiores em apoiar o nome de Frejat ao Buriti, apesar de alguns integrantes da aliança terem problemas com a Justiça. “Eu não vejo a aliança como uma barreira intransponível. Ele [Frejat] tem muitas qualidades. É um político íntegro e respeitado por todos na cidade, inclusive por mim”, declarou.
Sobre a indefinição de Joe Valle, o colega parlamentar acredita que o presidente do Legislativo ainda está em tempo de decidir o rumo da vida pública. “Ele deve estar avaliando todas as possibilidades. É uma pessoa responsável, comprometida e, com certeza, escolherá o caminho que entende ser o melhor para Brasília”.
A depender do resultado, o PDT no Distrito Federal passará a ter que construir outra candidatura ao Palácio do Buriti. A estratégia será não dividir palanques entre dois candidatos apoiados pela possível aliança.
No caso do partido de Joe, o receio é ter que defender candidaturas presidenciais – como, por exemplo, a do deputado Jair Bolsonaro (PSL). Hoje, o PR de Frejat é o mais cotado a assumir como vice a chapa majoritária do militar da reserva.
Falta de espaço
Além do desejo pessoal do presidente da CLDF de apoiar a candidatura de Frejat, integrantes da aliança do republicano começam a antever problemas caso a composição com o PDT seja oficializada.
Lideranças avaliam que, se Joe Valle concorrer ao Senado, desalojaria alguém do grupo. A chapa pretende lançar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) e o ex-vice-governador Paulo Octávio (PP) ao Senado. Com pendências na Justiça, no entanto, o progressista pode correr o risco de não ter o registro aprovado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Além das questões ideológicas, aliados de Joe Valle avaliam ser arriscado colocar todo o partido para aguardar a definição da candidatura de Paulo Octávio para saber se o PDT poderá ou não integrar a base de apoio a Frejat, com Joe testando o nome ao Senado.

“Esse é um processo natural de decisão. Todo mundo está conversando com todo mundo. O partido já se colocou, já conversou com o Frejat e, agora, todos buscamos um caminho que seja consenso entre todos”, minimizou Joe Valle.

Colaborou Suzano Almeida
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