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sexta-feira, 13 de julho de 2018

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Adversários veem ameaça de desistência de Frejat como jogo político

Entre os concorrentes, há quem acredite que o pré-candidato está blefando. Mas cientista político diz que estratégia pode virar sentença

A declaração do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) de que pode desistir da corrida ao Palácio do Buriti caiu como uma bomba no meio político da capital do país nesta sexta-feira (13/7). Como o Metrópolesnoticiou em primeira mão, o pré-candidato disse ter comunicado ao presidente do seu partido, Valdemar da Costa Neto, que está abrindo mão da disputa. O martelo, no entanto, não está batido. Ele prometeu pensar durante o fim de semana. Entre os buritizáveis, porém, existe a suspeita de que o anúncio pode ser uma estratégia.

Frejat confessou que sente-se fortemente pressionado. Em troca de apoio, muitos atores do DF estão querendo negociar espaços em um futuro eventual governo comandado por ele. “Não vou vender minha alma ao diabo. Prefiro me afastar e manter meu nome limpo”, disse à coluna Grande Angular, no começo da tarde desta sexta.

Entre os concorrentes, há aqueles que demonstraram surpresa. Outros disseram já saber dessa intenção. Mas, de uma maneira geral, acreditam que o anúncio de Frejat é estratégico, para impor seu nome e deixar claro que não aceitará influências de aliados em uma eventual vitória.

Frejat telefonou para Valdemar Costa Neto nessa quinta (11), no mesmo dia em que levantamento do Instituto Paraná Pesquisas o apontou como primeiro colocado nas intenções de voto do brasiliense, com 25,4%.

O presidente nacional do PR pediu que Frejat reconsiderasse. “Neste fim de semana, vou ficar recolhido como um monge, pensando em minha decisão definitiva”, avisou o pré-candidato, em entrevista ao Metrópoles. Ele cancelou toda a agenda.

Enquanto reflete, algumas teorias se formam em torno da possível desistência. Recém-lançado pré-candidato ao Buriti pelo PDT, Peniel Pacheco acredita que esta pode ser a maneira que Frejat encontrou de se posicionar na disputa. “Ao mostrar a possibilidade de haver uma ausência dele no processo, aumenta a condição de se impor em um projeto de governo mais ao modelo Frejat, menos ao modelo de aliados”, disse.

Peniel diz que é preciso esperar, mas que essa posição pode ser um recado interno. “Pode ser uma estratégia, caso ele esteja com dificuldades dentro do grupo que formou”, acredita.

Cautela
O pré-candidato pelo Partido Novo, Alexandre Guerra, também afirma que é um momento para se ter cautela. Ele, porém, não disfarça o estranhamento da movimentação. “Pode ser uma manobra”, desconfia.

Algumas pessoas próximas, no entanto, destacaram a desmotivação que Frejat vinha apresentando nos últimos dias. A pressão maior seria para a decisão sobre o nome de um vice em sua coalizão. Outras apostam em uma candidatura do médico ao Senado.

“Esta não foi uma surpresa, tínhamos ouvido comentários sobre esta possível ‘espanada’ do Frejat. Do nosso lado, não temos nenhuma dificuldade com candidaturas. Quanto mais, melhor para o brasiliense”, afirmou o pré-candidato a vice-governador na chapa Pros/PTB, Alírio Neto. Para ele, se Frejat decidir disputar ao Senado, está eleito. “Agora é esperar a decisão. Aqui, estaremos abertos a negociações”, acrescentou.

Também cabeça de chapa, o pré-candidato Izalci Lucas (PSDB) não aposta em um “blefe” do ex-secretário de Saúde. “Não é o perfil dele. Os desafios, de fato, são muito grandes. Temos uma cidade totalmente abandonada nas áreas de saúde, educação, um caos. É preciso estar preparado”, completou.

Segundo colocado nas pesquisas, com 11,5% das intenções de votos, ainda de acordo com levantamento recente do Paraná Pesquisas, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) disse que prefere não comentar até que uma decisão final de Frejat seja tomada.

Se o anúncio da desistência for mesmo uma estratégia, o tiro pode sair pela culatra. É o que diz o cientista político e professor universitário Aurélio Maduro de Abreu. “Ele pode estar jogando, mas se a estratégia não surtir efeito, terá de aceitar a própria sentença. Foi o que aconteceu recentemente com outros nomes que almejavam disputar a Presidência da República. Eles chegaram a anunciar as pré-candidaturas, mas desistiram porque a ameaça não funcionou”, destacou.

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