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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

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O caos provocado na saúde de Brasília para favorecer as terceirizações tem deixado um rastro de dor, desassistência e morte nos pacientes que precisam do sistema público de saúde do Distrito Federal.

Esse tem sido um dos principais pontos de advertências e críticas ao modelo pregado como “revolucionário” e apontado como a solução para os problemas na área. Há muito tempo, o SindSaúde alerta para o risco real dos pacientes ficarem sem atendimento quando a Secretaria de Saúde não paga os serviços que terceiriza.

Confirmando essa hipótese, assistimos agora a uma cena cruel: crianças sendo relegadas ao abandono, com risco real de morte, devido a desativação dos leitos da UTI pediátrica do Hospital de Santa Maria. O serviço era prestado pela empresa terceirizada Intensicare, que emitiu documento alegando falta de pagamento como justificativa para a interrupção dos serviços prestados (veja link da matéria feita com exclusividade pelo SindSaúde).
O comunicado deixou servidores e pais de pacientes em desespero, pois sabem da precariedade dos leitos que serão improvisados e dos riscos impostos aos seus filhos nas novas acomodações.

Por outro lado, os gestores, de forma despreparada e desorganizada, sugeriram uma alternativa paliativa, transferindo os pacientes para a UTI pediátrica do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), que já informou não ter condições de receber esses pequenos pacientes.

A decisão despertou a reação crítica da responsável técnica da Unidade de UTI pediátrica do Hmib, dra. Cira Ferreira Antunes Costa. Em documento assinado e dirigido à Diretoria-Geral e demais setores técnicos do Materno Infantil, a médica relata a insegurança na assistência para as crianças que devem ser removidas para lá.

Ela destaca também que já faltam materiais e outros insumos para garantir o atendimento com qualidade e segurança das crianças que estão na unidade. E informa ainda que os leitos vazios estão bloqueados em função da carência de enfermeiros, entre outros motivos.
O SindSaúde sempre lutou contra a terceirização no sistema de saúde por temer situações como a ocorrida nessa UTI, por falta de pagamento"
Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde-DF

Segundo Marli, é preciso resistir e lutar para que todos tenham direito a uma assistência digna. E esse acesso universalizado só o SUS garante. Diante de todo esse quadro macabro, onde temos acompanhado um verdadeiro genocídio, com pessoas agonizando sem assistência e morrendo à míngua, a revolta aumenta ao constatarmos que nada freia o governador Rollemberg. Nenhuma instituição de controle consegue estancar essa sangria de incompetência e maldade, cujas crianças foram marcadas para morrer, seja por falta de cateteres, medicamentos ou por desativação de leitos de UTI.

“Isso é caso de prisão! Gestor que abandona as crianças à própria sorte e obriga os profissionais a fazerem ‘a escolha de Sofia’ merecem ir para a cadeia! Não há corrupção nem crime mais grave que a omissão e o descaso com a vida humana”, afirma Marli.

O slogan da campanha à reeleição desse governo é “Brasília de mãos limpas!”. Que ironia! Queremos ver o que farão para limpar o sangue dos inocentes que perecerem sem a assistência da UTI. Acham que uma mera jogada de marketing vai apagar essa marca?”, questiona a presidente do sindicato.

A sociedade precisa reagir e dar um basta em tanta incompetência. É preciso união para proteger o SUS. Muito se comemorou a milagrosa inexistência de vítimas no desabamento do viaduto, no centro da capital e sobre vários restaurantes, num local que circulam centenas de pessoas naquele horário. Porém, temos vítimas anônimas todos os dias nas unidades de saúde por falta de gestão e omissão.

As vidas dos “Josés”, “Pedros”, “Marias” e tantos outros por omissão do Estado tem menos valor?



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