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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

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Trote no Jardim Europa: moradores chamam guincho e polícia para acabar com brincadeira com esterco e carniça

Estudantes de universidade particular usaram praça pública para fazer a recepção de calouros
Voltam as aulas e, com elas, os já conhecidos problemas de quem mora perto de universidades: além de música alta e bebedeira nos finais de semana, inicia a fase de “trote”, quando turmas veteranas preparam atividades para recepcionar os novatos. Ocorre que nem sempre, a atividade é prazerosa, seja para o aluno ou para os moradores. Foi o caso do bairro Jardim Europa, em Cuiabá, onde se localiza uma das maiores universidades privadas da capital.

Na tarde dessa quarta-feira (22), uma turma de quase 200 pessoas, segundo moradores, ocupou a Praça dos Eucaliptos, na entrada do bairro. O local foi o escolhido para a atividade de recepção de novos alunos, só que não agradou os moradores. Isso porque a turma que estuda Medicina Veterinária levou galões de misturas que exalavam mau-cheiro.
“Eles tinham dezenas de cartelas de ovos, óleo de cozinha, farinha, era muita farinha. Aí em um daqueles galões eles levaram carniça e tinha até ossos de vaca”, contou uma moradora, que preferiu não se identificar.

Por morar na região da praça, a moradora procurou os estudantes para pedir que eles não deixassem os restos do trote no local. Segundo ela, algumas pessoas até se comprometeram a limpar. Outros a receberam com truculência.

Enquanto isso, na base comunitária da Polícia Militar, diversos chamados foram recebidos. Uma viatura se deslocou até a praça e conversou com os universitários. Conforme a polícia, eles mostraram um papel, alegando ter autorização. No entanto, o documento era uma lista de nomes de alunos que teriam concordado com o trote.
Ainda segundo a polícia, quando chegaram, um veículo, caminhonete S10, de cor branca, estava estacionado na calçada da praça. Os militares então pediram que o dono a retirasse – o que foi atendido. Dessa forma, quando um guincho acionado por um segundo morador esteve no local, não foi necessário levar o veículo.
Em conversa com o LIVRE, a presidente do bairro, Rosa Barbosa, comentou que o maior problema do evento na praça é quanto aos restos abandonados. Ela lembrou que faz poucos dias que a praça foi limpa pela prefeitura. “Para eu conseguir que o pessoal viesse eu tive que ficar dois meses pedindo, indo lá no secretário de manhã e sendo atendida às 11 horas. E aí eles jogam essas coisas na praça”, observou,(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

De acordo com dona Rosa, após a presença da PM, que manteve uma viatura no local, os estudantes foram indo embora. Quando a reportagem chegou, porém, ainda havia um grupo de pouco mais de 20 pessoas, entre eles aquele apontado como o “líder” do trote. Muitos estavam sujos, ainda com casca de ovo e muita farinha nas roupas.
A presidente do bairro lembrou que, apesar de o local ser público, os estudantes devem considerar os moradores quando decidem fazer o trote. Sugeriu, também, que a universidade abra espaço para que os mesmos “se integrem”, já que este é o objetivo.
Depois que deixaram o local, os universitários teriam jogado parte do esterco no chão da praça, a fim de “limpar a sujeira” deixada pela quantidade de óleo e ovos.
A reportagem não conseguiu posicionamento da universidade até o momento da publicação.

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