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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

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“Tiro no pé é manter o Base como hotel, enquanto o povo morre fora dele”, diz Marli
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília, Marli Rodrigues, reagiu contra a entrevista do médico Ismael Alexandrino, presidente do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF), publicada nesta terça-feira (28/08) pelo Radar. Enquanto o médico diz que o modelo do Instituto Hospital de Base “é um projeto de Estado”, a sindicalista contrapõe afirmando que o Instituto não passa de hotelaria de saúde pública maquiada.
O contraponto de Marli Rodrigues:
O corpo diretivo do Instituto, indicado pelo governador Rollemberg, priorizou o incremento na hotelaria e na recepção da maior unidade de assistência hospitalar do DF.
Tal qual prefeitos de cidades pequenas que põe os meios fios pintadinhos de branco e enfeitam os coretos com orquestra para tocar na visita do governador, aqui no IHBDF a saúde pública está maquiada. Corredores e enfermarias sem superlotação.
A pergunta que não quer calar: o que mudou? Onde estão os pacientes que sempre lotaram as emergências e andares do Base?

A resposta está nos corredores e prontos-socorros dos hospitais regionais. É só ir no HRT, HRG, HRS, Hospital do Paranoá, HRAN, HRC dentre outros…

Os pacientes desses hospitais não são admitidos e nem removidos prontamente. A burocracia limitou o acesso. Os pacientes morrem nos outros hospitais da rede pública.
Em alguns casos até corpos ficam misturados com os vivos, por falta de pessoal e estrutura.
A mudança do modelo foi feita sem planejamento de como integrar a rede com o IHBDF, considerando que ele continua sendo o único hospital de alta complexidade da rede.
Desmontar serviços existentes e devolver profissionais é mais uma medida arbitrária e que comprova a vocação do hospital para cabide eleitoral, contratando pessoal sem processo seletivo e sem transparência.

Foi assim com a Radiologia, com a devolução de todos os médicos radiologistas. Sem qualquer justificativa, os dirigentes do hospital contratam empresas privadas para operar o maquinário, terceirizando os serviços.

Quando a administração alega que o salário do servidor efetivo é superior ao do celetista, deixa evidente a sua má fé em manipular as informações.

O servidor concursado, passa por uma peneira muito apertada para se tornar servidor. Faz treinamentos e cursos para qualificação e não se submetem às ingerências de chefias sem o mesmo vínculo e zelo com a coisa pública.
Em suma, o IHBDF é um grande engodo, onde o paciente estará sempre refém de um serviço precário, uma vez que essa é uma das características da Terceirização. Qualquer atraso significa a suspensão dos serviços.
Vimos isso no HRSM recentemente, onde os pacientes foram mandados para a UTI do HMIB pela desativação da unidade de terapia intensiva de Santa Maria.
Não se pode economizar com a saúde pública. O caminho é a recriação da Fundação Hospitalar, como modelo público.
Melhorar as instalações e hotelaria, colocando recepcionistas vistosos e bem vestidos é um mero paliativo visual.
A maioria das pessoas quer ao menos a oportunidade de poder se tratar nas especialidades do Instituto, independente do conforto de sua hotelaria.
Sem dúvida, todos merecem esse atendimento diferenciado, mas, priorizando a assistência.

Marli Rodrigues/Presidente do Sindsaúde
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