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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

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Deformada, vítima do médico Wesley Murakami tirou a própria vida
Acusado de desfigurar rosto de pacientes pode ter feito mais de 40 vítimas no DF. Preso, deve ser indiciado por lesão corporal gravíssima
Preso pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã desta sexta-feira (21/12), em Goiânia (GO), o médico Wesley Noryuki Murakami pode ter feito mais de 40 vítimas no DF. Após procedimentos estéticos malsucedidos, os clientes do acusado ficaram com o rosto deformado, traumas psicológicos, e chegaram a desembolsar fortunas para fazer reparação dos danos. Em um dos casos extremos, uma jovem que morava na capital da República tirou a própria vida, no ano passado. A família dela reside no Rio de Janeiro.
Em outro, uma fisioterapeuta também jovem, bonita, com mestrado, teve tromboembolia pulmonar. Após denúncias feitas por um grupo de vítimas no WhatsApp, a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) abriu inquérito no dia 4 de dezembro e investiga 15 ocorrências contra o médico.
Murakami ainda não foi indiciado. Mas poderá responder por lesão corporal gravíssima, segundo o diretor da Corf, Wislei Salomão, já que o dano causado ao corpo das vítimas pode ser permanente. Além disso, a mãe e uma administradora da clínica dele, que foram presas também nesta sexta, podem ser indiciadas por associação criminosa e pelo crime de ministrar produto adulterado ou proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Murakami é acusado de aplicar nas vítimas um medicamento perigosíssimo, chamado PMMA, usado normalmente em pacientes em tratamento de Aids para gerar tônus muscular nos pacientes. Deve, porém, ser usado em pequenas quantidades. Em apenas uma mulher, o médico teria injetado 200ml em cada mama.
Durante operação, batizada de Dismorfia e deflagrada nesta sexta, a PCDF recolheu medicamentos e prontuários nas clínicas do médico, que foram levados para o Instituto de Criminalística da corporação. Os investigadores querem saber se Murakami adulterava os medicamentos.
Um mulher, também moradora de Brasília, gastou R$ 80 mil para reparar as deformidades deixadas após a aplicação de PMMA. Outra tentou se matar. “Algumas tiveram, além das consequências físicas, problemas psicológicos”, disse o delegado Wislei Salomão.

O trio preso nesta sexta já está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ao lado do Parque da Cidade. Antes mesmo de ser preso, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) impediu Murakami de exercer a profissão. A interdição vale para todo o território nacional.

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