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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

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NINHO DO URUBUVítimas do incêndio no CT Flamengo devem ter morrido por intoxicação
Pneumologista ouvido pelo Correio acredita que o gás cianídrico matou os meninos antes do fogo
Maíra Nunes
Christian Esmério, 15 anos, foi um dos 10 mortos no incêndio no Ninho do UrubuDos 10 mortos do incêndio no Ninho do Urubu, cinco estavam no quarto mais distante daquele com o ar-condicionado que teria dado início ao incêndio. Segundo o pneumologista Paulo Feitosa, a queima do contêiner que servia como dormitório para jogadores da base provavelmente emitiu um gás chamado cianídrico, o mesmo usado nas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas de Adolf Hitler. “Se é que em uma tragédia dessas pode-se ter um conforto, provavelmente o gás cianídrico matou os meninos antes do fogo”, avalia o médico.
Um dos adolescentes que conseguiu escapar com vida contou que ele e os colegas quebraram todas as janelas do contêiner para tentar salvar os outros atletas. Os colegas, porém, pareciam desmaiados porque havia muita fumaça no local. Para Paulo Feitosa, que é também supervisor da residência de pneumologia do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, os meninos não se defenderam do fogo porque estavam intoxicados. “Fogo gera desespero e pânico, mas não vimos isso nas imagens”, atenta o médico.
O jogador que estava mais perto de onde começaram as chamas disse que acordou devido ao aumento da temperatura e ao barulho da explosão do ar-condicionado. Porém, os outros colegas, mais distantes, inalaram o gás cianídrico. “A combinação do material do contêinter com o ambiente fechado, sem ventilação e com apenas uma saída, é muito semelhante à do incêndio com a boate Kiss”, compara Paulo Feitosa.
Paulo Feitosa lembra que muitas pessoas da tragédia que deixou 242 vítimas há seis anos em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, não morreram queimadas, e sim por intoxicação da fumaça. O pneumologista explica que, assim como na boate Kiss, a queima do contêiner que servia como alojamento do Flamengo derivou de dois gases tóxicos: o monóxido de carbono e o gás cianídrico. O segundo, porém, é extremamente letal em altas concentrações e desorienta de forma imediata.
Como os jogadores que estavam no quarto mais distantes não acordaram com os barulhos, eles inalaram esse gás. “Existe uma possibilidade significativa de eles não terem sentido as queimaduras”, avalia. Segundo o médico, até o adolescente que entrou novamente no alojamento para salvar os colegas correu um risco muito grande de vida, por causa da intoxicação do gás cianídrico.
Empresa nega material inflamável
Por meio de nota, o Flamengo expôs a explicação da empresa responsável pela locação dos alojamentos modulares. A NHJ do Brasil disse que o material usado entre as chapas metálicas dos módulos habitacionais onde dormiam os jogadores não é “propagador de incêndios”. A empresa afirmou que “o poliuretano utilizado entre as chapas metálicas não é propagador de incêndios, por ter característica auto-extinguível”.
Testemunhas que vivem na vizinhança do CT incendiado, porém, disseram que o fogo teria se alastrado rapidamente pelo alojamento. O clube da Gávea detém contrato vigente de locação dos alojamentos modulares com a empresa NHJ do Brasil.

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