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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

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Bolsonaro aconselha Ibaneis a impor militarização
Presidente diz que governador não deve fazer consultas junto à comunidade para a adoção da gestão compartilhada
 BSB Capital, 05/09/2019 às 15:43, Atualizado em 05/09/2019 às 15:43

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do vice, Hamilton Mourão, o governador Ibaneis Rocha foi aconselhado a impor a militarização das escolas públicas do DF.
Foto: Antonio Cruz Agência Brasil
A desistência do Governo do Distrito Federal de impor a militarização no Centro Educacional Gisno, na Asa Norte, anunciada quarta-feira (4), foi atacada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), no dia seguinte. “Tem que impor”, repetiu diversas vezes o mandatário da República, durante o lançamento do projeto de escolas militarizadas do governo federal, na manhã desta quinta-feira (5), no Palácio do Planalto.
Na avaliação do presidente, o projeto do DF é necessário para a segurança e a formação educacional dos estudantes, especialmente os mais carentes. Por isso, Bolsonaro aconselhou o governador Ibaneis Rocha (MDB) a impor o modelo de gestão compartilhada com a Polícia Militar nas escolas públicas do DF. Segundo o chefe do Executivo nacional, o emedebista não deve fazer consultas junto à comunidade escolar para a adoção da administração militarizada.
A disputa entre o querer da comunidade escolar e o do governo Ibaneis levou à queda do ex-secretário de Educação, Rafael Parente. No dia 17 de março, quando o Gisno realizou uma votação, pais, estudantes e professores optaram por não aderir à militarização. Na ocasião, Ibaneis afirmou que faria a gestão compartilhada de qualquer jeito e que começaria, justamente, pelas duas escolas que se recusaram a ter esse modelo de gestão: o Gisno e o CEF 407, da Samambaia.
Reação – A reação no Gisno foi intensa. A comunidade escolar recorreu ao sindicato da categoria – Sinpro-DF – e à Justiça para impedir o gesto. Em nota divulgada na quarta-feira (4), a Secretaria de Educação disse que vai manter os resultados da eleição sobre a implementação do programa no Gisno. “No futuro, a secretaria poderá também rever sua decisão sobre o Gisno e fazer uma nova consulta”, diz o texto.
A condição para um novo pleito, segundo a nota, é a análise dos índices de violência no colégio. Quanto ao CEF 407, de Samambaia, o governo desistiu. Irá fazer uma nova consulta na unidade. A decisão de repetir a votação foi tomada depois que um estudante de 15 anos ser esfaqueado em frente à escola, em 19 de agosto. O governo diz que, depois da facada em frente à escola na semana seguinte à votação, houve solicitações para a adoção da militarização na escola. “A secretaria considerou os fatos graves e decidiu refazer a votação”.
Decisão democrática
A escolha do modelo de gestão foi realizada por meio de votação entre membros da comunidade escolar nas seis escolas públicas que o GDF escolheu para trabalhar com a gestão compartilhada. Quatro unidades de ensino da rede pública adotaram o modelo em fevereiro deste ano. O atual secretário de Educação, João Pedro Ferraz, disse que fará visitas ao Gisno e ao CEF 407 de Samambaia nos próximos dias para conversar diretamente com as duas comunidades escolares.
O governo Ibaneis decidiu expandir a gestão compartilhada neste segundo semestre e pretende adotar esse tipo de gestão em 40 escolas até o fim do seu mandato. Do total de instituições, três tiveram resultados favoráveis à mudança: CEF 1 do Núcleo Bandeirante, CED 1 do Itapoã e CEF 19 de Taguatinga. Dois colégios rejeitaram a militarização: CEF 407 de Samambaia e Gisno, na Asa Norte. Pelas projeções do GDF, as próximas unidades a serem militarizadas são o Centro de Ensino Fundamental 19 (Taguatinga); o CEF 407 (Samambaia); Centro Educacional Gisno (Asa Norte); o CEF 5 (Paranoá) e o CEF 1 (Núcleo Bandeirante).
Mas, ao participar do evento no Planalto, Ibaneis foi aconselhado por Bolsonaro a desconsiderar a opinião da comunidade. “Temos aqui a presença física do nosso governador do DF, Ibaneis. Parabéns, governador, com essa proposta. Vi que alguns bairros tiveram votação e não aceitaram. Não tem que escutar. Tem de impor”, disse o presidente.

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